.  Lou Martins

Lou Martins
Lou Martins Mídia-Planning @ CUBOCC

Ex-analista de planejamento na 10'SA, já trabalhou com mídia online e métricas no WeShow, marketing na TeleListas e gosta de saber a verdade como todo bom masoquista.

Já errou hoje?

De vez em quando eu acho que as empresas sofrem da síndrome do estagiário sem defeitos (aquele que adora dizer em entrevista “ah, meu defeito é ser perfeccionista”). Não se dão ao direito de errar e, pior, quando erram, não nos dão o direito de reclamar. A grande maioria dificulta ao máximo o processo de feedback. Mas sejamos sensatos e vamos aceitar que shit happens.

Eu erro, você erra e por aí vai. Então por que não aceitar que empresas também erram? As empresas precisam se humanizar, deixarem um pouco de lado esse racional praticamente mecânico que não prevê erros no processo. Aceitar a possibilidade de errar é o primeiro passo para estar preparado para o erro.

Você pode me dizer “Não posso errar. Se eu errar, eu perco meus clientes”. Bom, isso pra mim é mentira na maioria dos casos (lógico, há erros e erros).

Por exemplo, você é casado com uma pessoa que ama muito, praticamente daria sua vida por esta pessoa. Um belo dia, bem no dia do aniversário de casamento de vocês, essa pessoa esquece de te dar os parabéns, simplesmente ignora a data como se fosse um dia qualquer. Você se separa dela por isso? Lógico que não. Você fica triste, se sente de lado, até ignora um pouquinho como ‘vingancinha’, mas separar mesmo, não.

É mais ou menos assim entre clientes e empresas. Se o cliente realmente tem uma ligação com sua empresa, se identifica que seu produto/serviço é bom para ele, ele vai aceitar eventuais erros (lógico que você tem que se esforçar em oferecer cada vez mais o melhor, mas também tem que estar preparado para os erros quando eles acontecem).

Agora se no erro você perde muitos clientes, o erro na verdade é você. Você que não conseguiu criar uma relação forte o suficiente com seu cliente, a ponto do laço se romper numa derrapada. Isso deve deixar claro uma coisa: seu produto/serviço, ou até o relacionamento, não é tão importante assim para o seu cliente, logo está na hora de rever não só o que ocasionou o erro, mas toda a sua estratégia. 

Russell Davies fala sobre o porquê as empresas poderiam incorporar um pouco o conceito do “beta eterno”. Para ele isso é bom, pois elas aprenderiam a viver melhor num mundo tão imprevisível quanto o de hoje.

As coisas mudam numa velocidade grande e, o que antes era dito como correto, hoje pode não ser e a empresa precisa saber lidar com isso, mudar sempre que possível, se aperfeiçoando e ganhando mais experiência em consertar os eventuais erros que surgirem.

Ele comenta também que aquele antigo modelo de grandes lançamentos de tempo em tempo será substituído pela habilidade de ter sempre pequenas, mas boas, idéias que sejam facilmente aplicáveis. Isso me lembra Maquiavel, em “O príncipe”, quando falava que o bem deveria ser feito aos pouquinhos e constantemente, enquanto o mal deveria ser feito de uma só vez (na justificativa de que a memória do povo é curta, logo é mais fácil lembrar de coisas recentes e/ou constantes do que de algo que aconteceu todo de uma vez e passou).

O erro é uma das grandes formas que temos em aprender o certo. Aceitar que os erros acontecem é estar preparado para eles e, melhor ainda, conseguir prevê-los para transformar em oportunidades.

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16 comentários para “Já errou hoje?”

  1. Blog GustavoRocha.com » Blog Archive » O erro e a empresa disse:

    [...] um artigo muito interessante da Lou Martins hoje que divido com [...]

  2. Nádia disse:

    Muito bom! Errar nunca é agradável, mas, muitas vezes, como você disse, não é um pecado capital.
    O problema é que a maioria das pessoas não pensa assim e fica tudo tão difícil…

  3. Fábio Carvalho disse:

    Uma vez me disseram: tudo o que é dito tem serventia pra alguém. Lou, muito obrigado pelo artigo. Se todos pensassem assim, seria ótimo.
    [ ]s

  4. Evandro Villaça disse:

    Puxa, estava realmente precisando ler isto, quando vi o título, cliquei correndo, e não me arrependi…seria um erro não ter lido…obrigado…Evandro

  5. Maurilio Mesquita disse:

    Não à toa Napoleão (bom ou mau, mas exímio estrategista) tinha Maquiavel como autor de cabeceira…

    Acho que comercial-profissional-empresarialmente falando, a correção imediata de erros é uma atitude que mantém a segurança e confiabilidade do serviço/produto prestado. E pela própria natureza dessa correção, de ser feita “várias” vezes, e não só no “montão do fim do ano”, ela possibilita um contato maior com o cliente, podendo aparentar uma real preocupação com a sua necessidade. E quem nao gosta de achar que está sendo um pouco mimado? =)

    Como sempre, seus comentários sobre as coisas sérias do mundo profissional, mas faladas com simplicidadade num tom de “happy hour”, ao invés de “briefing”, dão todo o charme e interesse dessas linhas!

  6. R. Jurlam disse:

    TEXTO FANTÀSTICO! Muito bom o conceito de humanização das empresas e a necessidade de também errar, para aprender!

  7. Robson disse:

    Parabéns Lou, outro ótimo texto!
    Acho que um comentário sobre essa questão renderia não menos que três parágrafos, então para ser mais direto deixarei apenas meus elogios.

  8. Tarcísio Fischer disse:

    Esse foi o primeiro artigo seu que eu li. E com certeza não será o último! Muito bom o texto, pretendo continuar lendo os seus artigos a partir de hoje ;)

  9. Mundo Drive disse:

    e quem não??

    http://mundodrive.blogpot.com

  10. Mundo Drive disse:

    e quem não??

    http://mundodrive.blogspot.com

  11. Alexandre Mendes disse:

    Oi Lou: Parabens pelo texto. Claro, direto e com conteudo que nos fez pensar (ou repensar) sobre os nossos erros do dia-a-dia.

  12. Marcos Medeiros disse:

    Nada como a essência feminina…
    marquim

  13. José Milagre disse:

    Eu já, agora muda o post pelo amor de deus!

    Estou com esta frase na cabeça.

    Brincedeira.

    Abs Milagre

  14. Gustavo disse:

    Excelente texto, vou repassar a todos aqui da empresa.

  15. Ferdinando disse:

    Muito interessante, gostei muito

  16. Marcio disse:

    Muito boa leitura, Lou. E a conclusão do último parágrafo foi sublime!

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