.  Lou Martins

Lou Martins
Lou Martins Mídia-Planning @ CUBOCC

Ex-analista de planejamento na 10'SA, já trabalhou com mídia online e métricas no WeShow, marketing na TeleListas e gosta de saber a verdade como todo bom masoquista.

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Já errou hoje?

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

De vez em quando eu acho que as empresas sofrem da síndrome do estagiário sem defeitos (aquele que adora dizer em entrevista “ah, meu defeito é ser perfeccionista”). Não se dão ao direito de errar e, pior, quando erram, não nos dão o direito de reclamar. A grande maioria dificulta ao máximo o processo de feedback. Mas sejamos sensatos e vamos aceitar que shit happens.

Eu erro, você erra e por aí vai. Então por que não aceitar que empresas também erram? As empresas precisam se humanizar, deixarem um pouco de lado esse racional praticamente mecânico que não prevê erros no processo. Aceitar a possibilidade de errar é o primeiro passo para estar preparado para o erro.

Você pode me dizer “Não posso errar. Se eu errar, eu perco meus clientes”. Bom, isso pra mim é mentira na maioria dos casos (lógico, há erros e erros).

Por exemplo, você é casado com uma pessoa que ama muito, praticamente daria sua vida por esta pessoa. Um belo dia, bem no dia do aniversário de casamento de vocês, essa pessoa esquece de te dar os parabéns, simplesmente ignora a data como se fosse um dia qualquer. Você se separa dela por isso? Lógico que não. Você fica triste, se sente de lado, até ignora um pouquinho como ‘vingancinha’, mas separar mesmo, não.

É mais ou menos assim entre clientes e empresas. Se o cliente realmente tem uma ligação com sua empresa, se identifica que seu produto/serviço é bom para ele, ele vai aceitar eventuais erros (lógico que você tem que se esforçar em oferecer cada vez mais o melhor, mas também tem que estar preparado para os erros quando eles acontecem).

Agora se no erro você perde muitos clientes, o erro na verdade é você. Você que não conseguiu criar uma relação forte o suficiente com seu cliente, a ponto do laço se romper numa derrapada. Isso deve deixar claro uma coisa: seu produto/serviço, ou até o relacionamento, não é tão importante assim para o seu cliente, logo está na hora de rever não só o que ocasionou o erro, mas toda a sua estratégia. 

Russell Davies fala sobre o porquê as empresas poderiam incorporar um pouco o conceito do “beta eterno”. Para ele isso é bom, pois elas aprenderiam a viver melhor num mundo tão imprevisível quanto o de hoje.

As coisas mudam numa velocidade grande e, o que antes era dito como correto, hoje pode não ser e a empresa precisa saber lidar com isso, mudar sempre que possível, se aperfeiçoando e ganhando mais experiência em consertar os eventuais erros que surgirem.

Ele comenta também que aquele antigo modelo de grandes lançamentos de tempo em tempo será substituído pela habilidade de ter sempre pequenas, mas boas, idéias que sejam facilmente aplicáveis. Isso me lembra Maquiavel, em “O príncipe”, quando falava que o bem deveria ser feito aos pouquinhos e constantemente, enquanto o mal deveria ser feito de uma só vez (na justificativa de que a memória do povo é curta, logo é mais fácil lembrar de coisas recentes e/ou constantes do que de algo que aconteceu todo de uma vez e passou).

O erro é uma das grandes formas que temos em aprender o certo. Aceitar que os erros acontecem é estar preparado para eles e, melhor ainda, conseguir prevê-los para transformar em oportunidades.

A importância do remix de idéias

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

(texto originalmente postado por mim lá no Bitpapo)

 

Nós somos fruto de um remix, isso é inegável. Metade do DNA do seu pai se juntou com metade do DNA da sua mãe e, booom, nasceu você. Ou seja, a recombinação faz parte da gente.

As idéias, num processo semelhante, também são fruto de recombinações (propositais ou não). Tudo que vemos, aprendemos, observamos é utilizado de alguma forma na construção de novas idéias. A originalidade está na forma com a qual esse remix de referências acontece (ou você realmente acredita que só porque você teve uma idéia, ela veio do nada e pertence só a você?).

Os ‘insumos’ utilizados na construção dessa idéia vieram de fora, do mundo externo. A constante recombinação de todas as coisas cria outras novas que, no futuro, serão referência para mais idéias. E esse ciclo é mais do que natural, faz parte da nossa essência criativa.

A possibilidade de refletirmos sobre as coisas permite que nossa imaginação ‘embaralhe’ um pouco o que estamos vendo, nos ajudando a enxergar algo novo a partir de uma coisa pré-existente. Um lobisomem, por exemplo, não existe na vida real, mas mesmo assim ele “existe”, nascido da recombinação de imagens pré-existentes (a imagem de “homem”, a imagem de “lobo” etc.).

Até o próprio ato de escrever é, essencialmente, um remix. Cada combinação de palavras forma uma frase que, quando mixadas, formam textos totalmente diferentes de todos já escritos. Usar a mesma palavra que alguém já usou não é cópia. Cópia é usar exatamente o mesmo texto, afinal não houve o processo de recombinação e sim apenas reprodução de algo que já existia.

Estamos vivendo numa era onde essa eterna recombinação das coisas, idéias, imagens etc. nos leva a questionar as nossas referências. O que é, afinal, referência? Por que considerar algo como referência? Por que o que é referência para um não é para outra pessoa?

Esses questionamentos fazem parte do que se chama de “crise da representação“, dentro do pós-modernismos (na visão do sociólogo Zygmunt Bauman), onde basicamente há uma quebra de referências e o mundo se torna um lugar de símbolos, sinais, imagens e idéias desconexas que você pode recombinar e criar novas coisas a partir de todas as outras. Um lego basicamente, onde as referências só existem dentro da sua cabeça a partir das combinações voluntárias ou não que você faz.

O remix também é extremamente importante para a construção da cultura digital, formação de seus mitos, “tradições” etc. William Gibson foi genial ao dizer que “o digital é, essencialmente, um bando de 1 e 0 que estão ali para serem remixados”, ou seja, assim como nós e nossas idéias, o “mundo digital” também é fruto de recombinações.

A realidade é ‘remixável’ e não devemos achar isso um limitador da capacidade criativa. Pelo contrário: a criatividade se alimenta de todas essas peças de lego que estão soltas por aí, se apropria delas e cria a partir delas. Nada vem do nada e, por mais que você não conheça exatamente o que te levou a ter uma idéia, pode ter certeza que foi sua mente trabalhando em cima de tudo que você conhece.


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