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Luli Radfahrer
Luli Radfahrer Consultor e Professor-Doutor da ECA/USP

PhD em Comunicação Digital, já dirigiu a divisão de web de algumas das maiores agências e portais do país. Professor-Doutor da ECA-USP, Professor-convidado da Columbia University, Consultor, Luli também é autor. Sua última obra é "A Arte da Guerra para quem Mexeu no Queijo do Pai Rico".

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Porque a mídia deve se preocupar, parte IV

sábado, 15 de novembro de 2008

Qualquer ação que proporcione prazer físico ou intelectual deixa de proporcioná-lo assim que se torna compulsória. Sexo, sono, comida, viagens… todas são atividades maravilhosas, desde que seja sua opção fazê-las.

Quando obrigatória, até uma viagem às Maldivas pode se tornar um saco. Esse é um dos grandes perigos da época digital: se por um lado é ótimo mudar completamente de cara, corpo e atitude conforme a ocasião, por outro lado é muito chato ser obrigado a fazê-lo o tempo todo.

E no entanto é isso o que mais se faz nas redes sociais: estabelecer e reafirmar a própria identidade. Seu nome de usuário (nick), a forma com que você se apresenta (avatar), as fotos que escolhe, os textos que escreve, os temas que aborda… pode não parecer, mas essas atitudes têm muito pouco a ver com a informação que pretendem transmitir. Em um cotidiano que todos são estrangeiros e não há tempo nem paciência para se ouvir a história de ninguém, as personalidades são extremamente maleáveis.

Você é o que consome.

Já se foi o tempo em que era preciso ter um lado nerd para fazer parte de grupos de IRC e clãs de RPG. Agora que a presença em comunidades é praticamente obrigatória, o indivíduo é descrito pelo que o Google fala dele, pelo que se tuíta a seu respeito, pela forma como se comporta em mídias sociais, pelos avatares que porta e por toda a nuvem de tags que ele próprio cria a seu respeito, intencionalmente ou não, à medida que se transforma em seu próprio Big Brother. Não é de se admirar que tal cenário não tenha sido previsto por autores de ficção científica. Seria estranho demais para ser crível.

É estranho demais para ser crível.

À medida que a informação se popularizou, as identidades se pulverizaram. Sem aviso, o espírito de corpo se tornou uma relíquia dura de explicar nos termos da Teoria do Caos. Fica difícil imaginar um mundo em que só havia uma verdade, uma versão, uma realidade, uma certeza. E no entanto as coisas eram assim há pouco mais de um quarto de século. Sob certos aspectos, ainda o são em comunidades pequenas, grupos fechados, sociedades remotas. Como disse em uma série de posts sobre o Pós-Moderno, não há mais dúvida que Nova York esteja efetivamente mais perto do que o sertão.

Pouco importa o desconforto, ninguém leva a sério a idéia de voltar atrás. Mesmo que fosse possível, não seria desejável. Boa parte da situação que se vê hoje em dia nos grandes centros urbanos conectados é fruto de uma maior liberdade de expressão. De escolha. De ação, enfim.

A pulverização da identidade acompanha de perto a disseminação da informação. Em comunidades fechadas, de Amish a Trekkers, tanto como em cidades pequenas, de Turnu Măgurele a Bálsamo, não há espaço para múltiplas interpretações da realidade. Você é aquilo que o grupo determinou que seja, e não se fala mais no assunto. Se você está confortável, ótimo. Se não, na melhor das hipóteses a porta da rua é serventia da casa.

À medida que a economia da informação se descentralizou, a questão da identidade foi se tornando mais e mais complexa. E complicada. Quando o rei é descendente direto da divindade e tem poder inqüestionável, a idéia de uma sociedade de castas não é tão complicada assim. Você nasceu escravo, vai morrer escravo e se rebelar talvez só acelere o processo. Por mais que tente, a Índia não consegue se livrar dessa enorme mancha em sua reputação até hoje.

Sob esse aspecto, o Século XX foi muito louco, já que buscou argumentos racionais para reproduzir as mesmas estruturas. Intelectuais de diversos segmentos e áreas de interesse apoiaram as insanidades de Stalin a Mao, de Adolf a Mobutu, de Médici a Pinochet.

Todos muito parecidos, com uma divergenciazinha ou outra na questão dos recursos humanos. A idéia básica era mais ou menos a mesma do Império Romano: informação controlada, poder absoluto, manipulação da opinião pública e repressão feroz. Por mais bonito que seja falar da China hoje em dia, ela não é exatamente um exemplo nesse quesito. Cuba, então, muito menos. Mas ninguém mais fala de Cuba hoje em dia.

Uma boa prova de que as idéias de liberdade de imprensa, de associação, de escolha e de expressão são forças irresistíveis está no fato de que, pela primeira vez na História, o povo do Século XX reagiu às forças de opressão e colocou no poder uma estrutura com alguma transparência.

Melhor do que nada.

Winston Churchill já dizia que a democracia é a pior forma de governo, exceto todas as outras que são tentadas de tempos em tempos. Ele também disse que o povo dos Estados Unidos sempre teve a capacidade de fazer a coisa certa depois que todas as outras opções foram testadas. Sob esse aspecto, os experimentos americanos para a ascensão e queda do capitalismo corporativo como o conhecemos foram dignos de nota.

Para combater as restrições impostas pelos governos centralizadores, as grandes empresas propuseram maior liberdade e prosperidade. Assim que assumiram o poder, reproduziram os mesmos velhos hábitos. Na década de 1980, só era “alguém” um indivíduo que tivesse um emprego em uma delas. A própria definição de “sucesso” passava, obrigatoriamente, por uma submissão incondicional aos seus valores.

O fim da guerra de 1945 marca o início da idade mídia (o termo é meu), em que os veículos de comunicação crescem, abrem seu capital, se tornam propriedade de empresários e passam a reproduzir seus ideais. Para se opor a eles, jornais “de esquerda” defendem e são custeados por ditaduras militares. Não consigo imaginar melhor exemplo de uma idade das trevas, ainda mais se levarmos em consideração as variadas ameaças nucleares.

 

A alta idade mídia era bastante maniqueísta: você era uma coisa ou outra, sem meio-termo. Combinar pedaços? Impensável. Para reforçar cada lado de uma questão, várias “personalidades”, de executivos a atores, serviam de modelo de comportamento. Os “astros” e “profissionais de sucesso” eram os novos Faraós.

Só que a liberdade promove inquietações. Por mais variados que fossem os modelos de comportamento, eles não eram muito mais abrangentes ou sofisticados do que os propostos pelos vilarejos culturais de antigamente. Expostos à possibilidade de conviver com a diversidade, as pessoas passaram a querer cada vez mais. O Punk, como retratei no post anterior, foi só uma das formas de contestação. Se eu posso determinar meu próprio estilo, por que me negam acesso aos meios de comunicação?

Mmmm… perguntinha difícil. Ela deu origem à baixa idade mídia, em que o glamour da indústria do espetáculo dá lugar à decadência dos espetáculos de realidade. Neles, são chamados de “celebridades” uns sujeitinhos desestruturados e inseguros, que não fizeram nada de célebre para celebrar.

A economia do prestígio transfere o poder das tais celebridades para pessoas comuns que tenham adquirido credibilidade pelo conjunto da obra. É um trabalho de formiguinha, inglório, em que fórmulas mágicas simplesmente não acontecem. Seu roteiro é tão previsível que chega a ser piegas, com valores que lembram um filme do Tom Hanks. Ou a campanha do Obama.

 

Existe, no entanto, uma enorme diferença entre a economia do prestígio e o ideal clássico de ascensão social. No novo ambiente, todos os temas são importantes, desde que elaborados com afinco. O valor da obra só depende de sua coerência, consistência e profundidade. Um tutorial de legislação é tão importante quanto uma coletânea de textos humorísticos. Cada leitor preza o que achar mais adequado conforme a ocasião. Não tem nada de errado nisso, muito pelo contrário.

Como já disse antes, o errado está na busca pelo absoluto.

Se a sociedade contemporânea parece para você muito mais bagunçada e confusa do que este texto tenha sugerido, é porque ainda estamos a caminho. Por mais que pareça corriqueira, a economia da atenção não é fácil de controlar. A descentralização da informação gera um número tão grande de variáveis que administrá-las é quase uma arte. É um processo que toma tempo, demanda estrutura e dá um baita trabalho.

Por isso, se você acha o conteúdo gerado pelas mídias sociais ainda ruim demais, amador demais ou imaturo demais para ser levado a sério, você tem razão. Em parte e por enquanto. De certa forma, isso não é ruim. Significa que ainda há espaço para entrar e fazer a diferença. Seria muito pior se você quisesse ser trompetista de Jazz, pois teria que competir com Chet Baker ou Miles Davis.

Na verdade, as mídias sociais não são ruins. Elas são, em sua maioria, amadoras, em seu melhor sentido. Como este blog, amam o que fazem e buscam, através de seu trabalho, contribuir para mudar o mundo. São diletantes não por fazerem pouco, mas por acharem delicioso o que fazem.

Não consigo pensar em nada mais meritório do que isso.

Esta série acaba aqui. Agora você segue por conta própria. Ou não.

Livros para entender o HOJE

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

 

ATENÇÃO: Este não é um post apropriado para uma época de dólar oscilante.
Continue a ler por sua própria conta e risco.

 

Muita gente me pede indicações de bons livros para entender essa maldita sopa primordial de informação e inovação em que vivemos nos últimos anos. Sempre recomendo um ou outro livro, mas senti que minha listinha estava ficando desatualizada. Pedi ajuda a meus amigos via Twitter para completá-la e consegui uma seleção espetacular de livros atuais, livros um pouco velhinhos mas mesmo assim fundamentais, autores de primeira que vale a pena se refestelar (mas que eu recomendo seguir com moderação para não enlouquecer), livros que eu não li, mas me indicaram e eu já tinha ouvido falar e até uma listinha de best-sellers que não são do mal, mas são… inócuos. Eles não falam bobagens, mas têm a velha mania americana de escrever em 300 páginas o que bem caberia em cinco. Divirtam-se. E por favor comentem e dêem mais sugestões para que essa lista fique o mais completa e atualizada possível, para o bem de todos.

 

LIVROS ATUAIS:

 

BENKLER, Yochai. The wealth of networks: how social production transforms markets and freedom. Yale University Press, Estados Unidos, 2006.

FRIEDMAN, Thomas. O mundo é plano. São Paulo, Objetiva, 2007.

GILLMOR, Dan. We the Media: grassroots journalism by the people, for the people. Estados Unidos, O’Reilly, 2006.

GOLDSMITH Jack , WU Tim. Who Controls the Internet? Illusions of a Borderless World. Estados Unidos, Oxford University Press, 2006.

HAWKINS, Jeff. On Intelligence. Times Books, Estados Unidos, 2004.

JENKINS, Henry. Fans, Bloggers, and Gamers: Media Consumers in a Digital Age. Estados Unidos, NYU Press, 2006.

JOHNSON, Steven. Emergência: a dinâmica de rede em formigas, redes, cérebros, cidades e softwares. Rio de Janeiro, Zahar, 2001.

KEEN, Andrew. The Cult of the Amateur: How Today’s Internet is Killing Our Culture. Estados Unidos, Doubleday Business, 2008.

LANHAM, Richard. The Economics of Attention: Style and Substance in the Age of Information. Estados Unidos, University Of Chicago Press; 2007.

McDONOUGH, William, BRAUNGART, Michael. Cradle to Cradle: Remaking the Way We Make Things.  Estados Unidos, North Point Press, 2002.

PINK, Daniel. A Whole New Mind. Estados Unidos, Riverhead Trade, 2006.

SHIRKY, Clay. Here Comes Everybody: The Power of Organizing Without Organization. Estados Unidos, Penguin Press, 2008.

SPYER, Juliano. Conectado. Rio de Janeiro, Zahar, 2007.

SUROWIECKI, James. The Wisdom of Crowds. Estados Unidos, Anchor Books, 2005.

WHEEN, Francis. Como a picaretagem conquistou o mundo: equívocos da modernidade. Rio de Janeiro, Record, 2007.

WRIGHT, Robert. Não Zero: a Lógica do Destino Humano. São Paulo, Campus, 2000.

 

LIVROS VELHINHOS, MAS BONS:

 

BARABÁSI, Albert-Laszló. Linked. The new science of networks. Estados Unidos, Plume, 2003.

BERMAN, Marshall. Tudo que é Sólido Desmancha no Ar. São Paulo, Cia. das Letras, 1989.

BERNERS-LEE, Tim. Weaving the Web: The Original Design and Ultimate Destiny of the World Wide Web. Estados Unidos, Collins Business, 2000.

BEY, Hakim. TAZ: Zona Autônoma Temporária. São Paulo, Conrad, 2001.

BOLTER, David, GRUSIN, Richard. Remediation: Understanding New Media. MIT Press, Estados Unidos, 2000.

CRITICAL ART ENSEMBLE. Distúrbio Eletrônico. São Paulo, Conrad, 2001.

CSÍKSZENTMIHÁLYI, Mihály. A descoberta do fluxo. São Paulo, Rocco, 1999.

DAWKINS, Richard. O Gene egoísta. São Paulo, Cia. das Letras, 2007.

GILLMOR, Dan. We the Media: Grassroots Journalism By the People, For the People. Estados Unidos, Oreilly & Associates, 2006.

GLEICK, James. Faster: the accelerationm of just about everything. Estados Unidos, Pantheon Books, 1999.

HIMANEN, Pekka, TORVALDS, Linus (colaborador), CASTELLS, Manuel (Epílogo). The Hacker Ethic. Estados Unidos, Random House Trade Paperbacks, 2002.

HOFSTADTER , Douglas R. Gödel, Escher, Bach. Um entrelaçamento de gênios brilhantes. Brasília, Editora UnB, 1979.

GRAHAM, Gordon. The Internet:// a philosophical inquiry. Routledge, Reino Unido, 1999.

HOBSBAWN, Eric. A era dos extremos. São Paulo, Cia. das Letras, 1995.

JOHNSON, Steven. Cultura da Interface. Rio de Janeiro, Zahar, 2001.

LOCKE, Christopher. The Cluetrain Manifesto: The End of Business as Usual. Estados Unidos, Basic Books, 2001.

MELMAN, Charles. O Homem sem gravidade: Gozar a qualquer preço. Rio de Janeiro, Cia. de Freud, 2003.

POOLE, Steven. Trigger Happy. Reino Unido, Arcade Publishing, 2004.

TOFFLER, Alvin. A Terceira Onda. Record, Rio de Janeiro, 1981.

TREND, Dave. Reading Digital Culture. Blackwell publishers. Oxford, Reino Unido, 2001.

TUKLE, Sherry. Life on the screen. Estados Unidos, Simon & Schuster, 1997. Este também saiu em português de Portugal como A Vida no Ecrã, a identidade na era da internet. Portugal, relógio d’água, 1997.

VAIDHYANATHAN, Siva. Copyrights and Copywrongs: The Rise of Intellectual Property and How It Threatens Creativity. Estados Unidos, NYU Press, 2003.

WARDRIP-FRUIN, Noah, MONTFORT, Nick (Eds). The New Media Reader. Estados Unidos, MIT Press, 2003.

 

AUTORES

 

Autores de primeira que buscam explicar a condição atual. Alguns com maior sucesso que outros, alguns com menos firulas que outros. Acho que uns são prolixos, outros até meio infelizes em algumas obras. Sou fã de alguns deles, acho outros esnobes, recomendo a leitura de vários livros de todos eles. Ame-os ou odeie-os, só não deixe de conhecê-los.

 

Félix Guattari

Giles Delleuze

Gilles Lipovetsky

Lawrence Lessig

Manuel Castells

Massimo Canevacci

Michel Maffesoli

Noam Chomsky

Pierre Lévy

Ray Kurzweil

Richard Florida

Steven Pinker

Vilém Flusser

Zygmunt Bauman

 

(para facilitar a sua vida, o Tiago Moresco sugeriu alguns livros deles: Félix Guattari: Caosmose, As Três Ecologias, Cartografias do Desejo - Gilles Deleuze: Foucault - Massimo Canevacci: Antropologia da Comunicação Visual - Pierre Lévy: O que é o Virtual, Cibercultura, A Inteligência Coletiva - Vilém Flusser: O Mundo Codificado, Filosofia da Caixa Preta - Zygmunt Bauman: A Modernidade Líquida. Os marcados em laranja eu também li e recomendo. Mas há mais coisas desses caras)

 

(outra recomendação: o Fabio me relembrou do Michel Maffesoli e do Noam Chomsky, que não estavam na lista original mas foram atualizados para esta - como pude me esquecer deles? Os livros que ele recomenda do Maffesoli são Tempo das Tribos e The Shadow of Dionysus: A Contribution to the Sociology of the Orgy. Do Chomsky tem muita coisa boa de linguagem, muita coisa chata de globalização. escolha com moderação ou não se decepcione mais tarde)

NÃO LI

 

Não se pode ganhar todas. Como essa lista é colaborativa, natural que alguns dos livros eu não tenha lido. Mas ouvi falar bem de todos os livros abaixo. E temo não ter tempo de lê-los todos o quanto antes:

 

CASALEGNO, Federico. Memória Cotidiana. Porto Alegre, Sulina, 2006.

HEATH, Joseph e POTTER, Andrew. Nation of Rebels: Why Counterculture Became Consumer Culture. Estados Unidos, Collins Business, 2004.

HURST, Mark. Bit Literacy: Productivity in the Age of Information and E-mail Overload. Estados Unidos, Good Experience Press, 2007.

JENKINS, Henry. Convergence Culture: Where Old and New Media Collide. Estados Unidos, NYU Press, 2006.

LAKOFF, George e JOHNSON, Mark. Metaphors We Live By. Estados Unidos, University Of Chicago Press, 1980.

LI, Charlene e BERNOFF, Josh. Groundswell: Winning in a World Transformed by Social Technologies. Estados Unidos, Harvard Business School Press, 2008.

MASON, Matt. The Pirate’s Dilemma: How Youth Culture Is Reinventing Capitalism. Estados Unidos, Free Press, 2008.

RHEINGOLD, Howard. Smart Mobs: The Next Social Revolution. Estados Unidos, Basic Books, 2003.

SCHWARTZ, Barry. The Paradox of Choice. Estados Unidos, Harper Perennial, 2005.

SOLOVE, Daniel. The Future of Reputation: Gossip, Rumor, and Privacy on the Internet. Estados Unidos, Yale University Press, 2008.

WEINBERGER, David. A Nova Desordem Digital. São Paulo, Campus, 2007.

ZAKARIA, Fareed. The Post-American World. Estados Unidos, W. W. Norton, 2008.

 

300×5:

 

Por último, a lista mais polêmica. Se você gostou dos livros abaixo, não se ofenda e por favor não fique bravo comigo. Eles são bons livros, mas poderiam ser mais completos e abrangentes. Analisam o específico e ignoram o geral. Provavelmente não serão lembrados em cinco ou dez anos. Valem se você está com pressa ou se quiser ler sua bibliografia:

 

ANDERSON, Chris. A Cauda Longa: do mercado de massa para o de nicho. Campus, Rio de Janeiro, 2006.

GLADWELL, Malcolm. O Ponto de Desequilíbrio. Rio de Janeiro, Rocco, 2002. Do mesmo autor, o livro “Blink” ou “A decisão num piscar de olhos” segue a mesma filosofia.

GODIN, Seth. Small Is the New Big: and 183 Other Riffs, Rants, and Remarkable Business Ideas. Estados Unidos, Portfolio, 2006.

LEVITT, Steven D. e DUBNER, Stephen J. Freakonomics: o lado oculto e inesperado de tudo que nos afeta. São Paulo, Campus, 2007.

MAU, Bruce. Massive Change. Estados Unidos, Phaidon Press, 2004.

SUROWIECKI, James. The Wisdom of the crowds. Estados Unidos, Anchor Books, 2005.

TALEB, Nassim Nicholas. A lógica do cisne negro. São Paulo, Best Seller, 2008.

TAPSCOTT, Don, WILLIAMS, Anthony D. Wikinomics: Como a Colaboração em Massa Pode Mudar o Seu Negócio. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 2007.

 

UFA! Este post deu trabalho. Mas valeu a pena, não? Acredito que muitos dos livros que citei aqui já devam ter suas versões em português. Se você souber de algum, me avise que eu corrijo a referência.

 

ATENÇÃO: este post não é uma bibliografia minha, mas uma iniciativa que eu tive e que foi complementada por várias sugestões via Twitter e comentários neste blog. Por isso o post será constantemente reeditado e atualizado. Com o tempo, alguns dos comentários abaixo perderão seu sentido.

Less is more, século XXI » Vida Simples

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Um  mundo de abundância é um mundo de escolhas. Quando praticamente tudo é possível, o que faz a diferença não é mais o volume, mas o critério. É isso que os designers modernistas queriam dizer quando proclamavam que “less is more”: menos só significa mais quando os elementos escolhidos têm valor. Caso contrário, menos só quer dizer pobre.

O design contextualiza, explica e familiariza. Cabe ao designer ser o tradutor e intérprete dos novos tempos. Só que não adianta mais fazer algo bonito. Novos tempos demandam novos adjetivos. Selecionei alguns deles para ilustrar:

 
Por apenas mil doletas você também pode ter um par dessas BeoLab 4, pra compensar a $ que você economizou pirateando MP3.

O melhor exemplo desse uso de critério está no que nos acostumamos a chamar de minimalismo. Termos da moda à parte, ele propõe a redução do design aos componentes mais relevantes. No caos urbano, ele representa um abençoado silêncio. Essa simplicidade está muito longe de ser simplória. É preciso prestar muita atenção no detalhe. E fazer mais com menos.

O design pode ser fluido quando a superfície e a estrutura se fundem, a ponto de ficar difícil identificá-los. Apesar de novo em ambientes tecnológicos (como é o caso do GINA, falado no post anterior), é bastante comum em formas orgânicas. Cabe ao designer harmonizar o ambiente com a experiência dos usuários, para que suas fronteiras não sejam perceptíveis.


A hélice desse mixer imita as espirais de um lírio.
Super
Poder dos Limites.

Os avanços da tecnologia permitiram ao design abandonar aquela estrutura “certinha” do plástico e do vetorial. Ele agora pode ser físico e lançar mão de transparências, luzes, sombras e texturas. Alguns podem achar que isso é reação à tecnologia, mas é exatamente o contrário: é expansão.


A poltrona de ursinhos dos irmãos Campana tem tanta textura que mal se vê.
A forma segue a emoção.

Não é preciso ser retrô nem gostar de Brian Setzer para se praticar o design reciclado. Muito pelo contrário, ele é um claro sinal de adaptação aos novos tempos, em que todos os materiais podem ser encarados como matérias-primas. Se bem feita, a intervenção passa a ser muito divertida e claramente identificável. Ou como diriam os curadores de museu e professores de semiótica, tudo é uma questão de repossuir os elementos e ressignificar as velhas formas, embora eu não esteja bem certo do que isso queira dizer.

 
As capas das edições comemorativas do James Bond usam um estilos
de bico de pena, simulando todos os defeitos inerentes ao meio.

Em um mundo hiperconectado, o valor do local não é mais o exótico, mas a forma de pensar. Tradição e essência se misturam em uma sopa geográfica, e cada região contribui como pode. O local pode ser físico, histórico ou cultural. Se for uma mistura dos três, tanto melhor.


Meus alunos da ECA me chocam. A primeira vez que vi usarem o keffieh,
fiquei impressionado pelo tamanho da falta de respeito. Depois acostumei.
Fora do ambiente, a simbologia desaparece e ele é só um lenço.

Costumam associar design a branding porque ele é extremamente identificador. Pensando bem, nós vivemos dentro de redes de mensagens, sinais, informações e aprendizados que produzem nossa experiência do real. Uma marca familiar funciona como um ponto de referência nessa confusão.


Air Jordan. Claro que não é da Adidas.

Por falar em pontos de referência, é interessante falar da função narrativa do design. Ao organizar os elementos de múltiplas fontes, ele pode contar histórias e estimular a imaginação, transformando experiências que seriam tediosas em verdadeiras performances.


Esses museus são muito diferentes daqueles que você conhece.
Eles proporcionam uma imersão tamanha que a sensação é de se conversar com alguém que tem muito a contar.

Por último, como não poderia faltar, há o design incrível, que brinca com os sonhos e emoções em uma mistura que beira o imaginário. É ele que nos mostra a visão de um futuro possível, que não tem medo de delirar. Mesmo que se torne datado ou até mesmo ridículo com o tempo, não custa lembrar que todas as cartas de amor são ridículas.

Espero que este post sirva de inpiração para a próxima vez que você se sentir sem idéias. Elas existem às pencas por aí. O que é difícil é arranjar critério. Não se angustie por não poder pegar tudo, não dá para comer todos os pratos do cardápio. Da mesma forma, um design que use cores ou letras demais costuma provocar uma bela indigestão visual.

Entrevista: Serginho Groisman

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Não, não foi no Altas Horas. Mas foi igualmente constrangedor.

Um pessoal criativo me chamou para falar para uma platéia de TI. Depois que minha apresentação estava pronta, me contaram que não havia espaço na cenografia para permitir uma coisa careta feito um telão.

Tudo bem, fazer o quê? Reformulei tudo e fiz umas fichas para não deixar nenhum tema de fora. Na véspera do evento, resolveram mudar tudo e transformar minha apresentação em uma entrevista com o Serginho Groisman. O cara é gente boa, mas entende de tecnologia o que eu entendo de TV. Ou menos. Refiz tudo e transformei em uma pauta de perguntas para ele. Escolado, ele não topou e resolveu improvisar.

O resultado taí. Fiz o melhor que pude, ele também. Acho que a entrevista tem alguns pontos bem legais, por favor releve o entrevistador.

Entrevista


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