.  Paulino Michelazzo

Paulino Michelazzo
Paulino Michelazzo CMS Expert e Escritor Técnico

Escritor por DNA, programador por opção e vivenciando a Internet desde 1995, é diretor da Fábrica Livre, empresa especializada em soluções para a Internet com ferramentas de gestão livres.

14 de agosto de 2009

imagem via http://www.administradores.com.br/artigos/telefonica_segue_descendo_a_ladeira_da_competencia/30089/A história do Speedy, serviço de banda larga da Telefonica em São Paulo é digna das comédias gregas. De um lado, milhares de consumidores lesados pelos maus serviços prestados; de outro, um ministro global que ainda acredita estar fazendo reportagens para o jornal dominical e de outro, um poderoso conglomerado de comunicação que usa todos os meios possíveis para continuar suas abusivas práticas sobre os mais fracos (leia-se “nós”).

Como a pressão sobre o governo para encerrar o “castigo” de ficarem sem comercializar seu serviço de banda larga (que de largo só tem o preço), a companhia espanhola apelou esta semana para algo preocupante aos mandatários no Planalto: a popularidade do presidente Lula. Não satisfeita com as proibições impostas pela Anatel, a companhia iniciou uma campanha afirmando que caso o embargo continue, é possível que um grande número de funcionários das empresas revendedoras de seus serviços sejam demitidos por falta do que fazer. Num cenário de pré-eleição presidencial, a remota possibilidade de algo assim acontecer mobiliza dezenas de batedores governamentais para que o assunto seja resolvido o quanto antes; popularidade de presidente é algo que não se mexe quando está bem, seja pelo motivo que for.

E como a grande maioria dos casos brasileiros, este será mais um daqueles onde o consumidor fica sentado no banco da praça vendo os que possuem mais força se lambuzando com o bolo. Que o Speedy é serviço parco todo mundo já sabia; que o governo é fraco para corrigir o rumo do que está errado também é sabido, mas que vale até chantagem baixa de empresa privada neste jogo, esta é nova.

Enquanto isso, até mesmo paisecos como Letônia, Lituânia e Eslovênia possuem serviços melhores que o nosso. “Ó mundo cruel!”

12 de agosto de 2009

chainsNo final de semana passado ministrei um curso em São Paulo sobre uma ferramenta de gestão. Nele estavam algumas pessoas de órgãos governamentais que estão adotando a ferramenta, outros particulares e também outros de algumas empresas. Conversa vai, conversa vem a bola sobre os locais de trabalho apareceu em campo e com ela alguns comentários interessantíssimos sobre o que ainda é possível se encontrar em pleno Século XXI e que eu, com toda a minha ignorância, acreditava não mais existir.

Estou falando daquelas empresas que amordaçam os funcionários, acorrentam suas idéias e acreditam piamente que a ditadura é o melhor dos modelos de gestão corporativa que existe. Imagine que um dos treinandos conseguiu me deixar estarrecido (coisa rara!) com as políticas de seu local de trabalho que vão desde a proibição de acesso a sites que não sejam os escolhidos por algum pseudo-deus até mesmo a formatação do computador do usuário numa típica execução sumária. E isso ocorre não porque é instalado um software dito pirata (como os imbecis da ABES teimam em denominar), mas sim porque foi instalado um Firefox!

Diante disso, fica a pergunta: será que este cerceamento executado com vistas à organização e bom andamento do parque tecnológico da empresa realmente funciona? Será que a perda não é maior desta forma do que “liberando quase geral” o uso dos recursos? Será que faz tão mal a instalação de um Firefox?

Mais que esta pergunta, fica a dúvida se esta empresa está mesmo no Século XXI. Não me lembro de ter visto isso em nenhuma das que passei em nível tão acintoso. Claro, políticas e processos devem existir para o bom andamento de qualquer trabalho, mas daí a arrancar a marreta da mão do pedreiro é coisa de inergúmeno. Ou tirar a permissão de instalação ou solicitação para instalação de ambientes de testes não é a mesma coisa?

Já foi provado que produtividade está diretamente ligada a liberdade. Quanto mais feliz o colaborador ou funcionário, melhor o mesmo executa suas tarefas, tanto em rapidez quanto em qualidade. E isso passa desde um bom salário até mesmo as condições de uso de computadores e recursos. Para a execução de uma tarefa não é somente necessário um bom profissional, mas principalmente um funcionário motivado e com vontade de fazer o necessário. E se isso não ocorre, cedo ou tarde o ambiente se torna algo como um paiol ao lado de uma fogueira. Mais dia, menos dia, a coisa toda explode e leva consigo quem estiver por perto. E mesmo assim ainda tem gente que não acredita nisso… em pleno Século XXI. Coisas da vida não?

PS: estive ausente todo este tempo para gerar processos que não deixem a minha empresa assim.

26 de maio de 2009

semaforoVocê está pensando em terminar a faculdade e montar uma empresa de TI acreditando que o governo vai te ajudar, aviso, tire o cavalinho da chuva que o coitado vai encolher. Enquanto você não passar pela via sacra do martírio de juros, impostos e das mais diversas dificuldades possíveis e imagináveis, não terá nem um dedo mindinho para te segurar.

Funciona assim; você coloca a idéia no papel, traça a estratégia do produto e/ou serviço, monta uma MPE (Micro ou Pequena Empresa), tira o CNPJ, mobilia escritório, compra equipamentos e começa a contratar pessoas. Neste momento, precisa de mais dinheiro para o capital de giro já que vendeu carro, TV, moto, geladeira, sogra, etc, a fim da empresa ter uma sobrevida. Para isso, recorre a uma instituição pública e recebe como resposta um sonoro “não” porque você não tem a empresa há mais de um ano. Estranho, principalmente se vermos que o governo gasta milhões de reais em publicidade dizendo que existem outros milhões para incentivo destas empresas. Mas que raios de incentivo é este então?

A resposta é; ninguém sabe. Justo no período mais crítico da vida de uma micro empresa, a “mãe” que deveria cuidar do filho simplesmente o abandona a sua própria sorte para que, numa atitude extrema e de desespero, recorra ao “conforto” dos braços de outros, não tão carinhosos, mas que ajudam de uma forma ou de outra. Falo das instituições privadas (bancos) que exploram e tiram até a pele do recém-nascido.

De outro lado alardeia-se em todas as mídias que o BNDES tem dinheiro para dar e vender. Pois então tente pegar um mísero centavo lá antes de completar um ano, mesmo que seja no cartão BNDES. Necas, niente, nada, nothing. Infelizmente no Brasil a concessão de crédito está atrelada a sua capacidade de garantir o dinheiro com outros bens e não com seu talento ou sua idéia. Ao contrário de outros países onde pode-se “dar” como garantia a geração de empregos e seu conhecimento, aqui somente sua casa, seu carro ou seu apartamento servem. Nem mesmo contratos de trabalho firmados com empresas é garantia.

Estas diferenças estão bem ilustradas num estudo de Fernando Pimentel Puga, economista do BNDES, intitulado O apoio financeiro às micro, pequenas e médias empresas na Espanha, no Japão e no México onde são apresentados os cenários destes países e que serve para nós, teimosos em querermos ser empresários, morrer de inveja e ficar com o cotovelo doendo por dias. Nem mesmo a FINEP consegue ajudar verdadeiramente aqueles que desejam levar adiante uma idéia. A burocracia é grande e quando não é isso, procura-se de todas as formas garantias até mesmo da pessoa física para o empréstimo ou financiamento.

Ok, sei que você deve estar imaginando que o governo precisa destas garantias para “receber de volta” o que foi investido. Particularmente discordo pois este “investimento” é realizado para o crescimento da economia e do país como um todo. Também sei que existem aventureiros e que a grande maioria daqueles que montam empresas são os que perderam seus empregos e precisam dar continuidade no sustento da família sem ao menos saber o mínimo de como criar e manter uma empresa. Mas e se fossem exigidas garantias como a participação em cursos sobre empreendedorismo e até mesmo o aval de instituições como o Sebrae num projeto? Não seriam estas suficientes para garantir que o negócio fosse andar? (neste mesmo estudo acima, é citado casos onde existe a co-participação de instituições na empresa a fim dela se manter).

No segmento de TI existem milhares de idéias sendo fomentadas diariamente em nosso país mas a maioria delas simplesmente sucumbem por falta de auxílio das instituições públicas. Somos criativos mas ainda não tivemos capacidade de descobrir como dar um bypass na burocracia e falta de interesse nestas idéias. E para ajudar, as faculdades nada ensinam desta mágica de tirar uma idéia da cabeça, colocá-la no papel e dar vida a mesma.

Tudo isso advém das palavras do presidente da FINEP, Luis Fernandes, que lembrou muito bem a necessidade premente que nosso país tem em inovar, comparando inclusive os crescimentos dos países do BRIC com a retração do Brasil. Mas não basta somente injetar dinheiro, é preciso também dar condições para que este dinheiro chegue na mão daquele que inova. Carência no pagamento, redução da carga de juros e eliminação da burocracia são pontos que devem ser enfrentados da mesma forma. De nada adianta ter milhões em fundos para aplicação se ninguém é capaz de pegá-los. Inovadores existem em nosso país, muitos aliás, mas se estes mecanismos não forem aliviados, não existe como ser inovador, a menos que nos tornemos inovadores na capacidade de atender as exigências governamentais.

Quiçá os brasileiros estivessem nos EUA com as mesmas oportunidades que Sergey Brin e Larry Page tiveram. Seríamos os número um não só em Indianápolis, mas também na tecnologia. E enquanto isso não acontece, vamos vendo Hélio Castro Neves ganhando na terra deles. Este sim sabe pilotar.

19 de maio de 2009

newzealand

Impossível não admitir que redes sociais são algo proveitoso (quando bem usadas) e que auxiliam de várias formas o convívio humano. Alguns advogam que elas enclausuram os usuários dentro de seus mundos virtuais (onde está o SecondLife?) e que são um desperdício de tempo principalmente dentro das corporações. Mas será isso mesmo? Penso que não e a cada dia vejo mais casos que corroboram minha tese.

Neste final de semana encontrei um dos melhores exemplos de uma rede social segmentada e porque não dizer, uma das mais inteligentes sacadas de marketing virtual. Trata-se da Matchmaking Flight, uma rede social voltada para os viajantes da companhia aérea Air New Zealand que tem como intuito promover encontros entre solteiros (ou não) aproveitando-se para isso do longo tempo de vôo entre os destinos que a companhia atua ligando vários continentes.

É certo que não é somente para isso. Sendo a Nova Zelândia um dos mais sensacionais destinos turísticos que já tive a oportunidade de conhecer e considerado por qualquer viajante como o templo dos esportes radicais e das paisagens de “quebra-cabeça”, a companhia une a fome com a vontade de comer: jovens (em sua grande maioria) que vão para as ilhas podem aproveitar a parte mais chata das férias para encontrar um parceiro de viagens ou algo mais antes mesmo de pisar na Terra Média e com a garantia que não vai encontrar um Orc no meio do caminho. Com isso, aumenta-se o interesse pelos vôos da Air New Zealand (que não são dos mais baratos) e incrementa-se de uma forma inusitada o turismo naquele país.

O leitor atento irá perceber que ao mesmo tempo, a idéia é extremamente estúpida e inteligentíssima. Se pensarmos que o tempo de vôo entre Los Angeles e Auckland é aproximadamente 14 horas, é possível sair da solidão para o casamento em uma perna de viagem. Estúpida por ser “somente” uma rede social e inteligente porque muitos pensarão “porque não tive esta idéia antes?” Tudo bem, se deixar a mente voar, poderá perceber vários segmentos de mercado onde elas podem ser aplicadas com grande sucesso criando-se uma nova relação entre empresa-cliente-serviços e interesses.

PS: Se for à Nova Zelândia, tome um café no Cardrona Hotel perto de Queenstown. Além do local bucólico, é maravilhoso!

8 de maio de 2009

“Depois de taguear todo este conteúdo, vou printar e se estiver certo, preciso upar para o servidor e deixar para todos downloadar”

Quem já não leu coisas similares? Claro, todos nós que estamos diariamente na Internet nos deparamos com aberrações como estas. Mais que um simples erro ortográfico ou gramatical, um assassinato. Não, na verdade, um latrocínio pois rouba a beleza do idioma e o mata numa pancada só.

Dizem os mais jovens ou mais modernos ou ainda os mais “descolados” (estavam colados onde?) que crimes como estes são realizados em nome da velocidade. Já que a Internet é muito rápida, é necessário também escrever rapidamente e por isso monstros advindos das profundezas são gerados aos milhares todos os dias. Mais que isso, até mesmo a imprensa, aquela que deveria formar e informar aproveita-se da onda e descaradamente destrói a língua. O que não entendo é a desculpa. Para escrever uma página inteira eu gasto cerca de 4 minutos de teclado e não preciso ser um criminoso para tal. Somente pratico. E os demais? Ocupados em escrever tudo, mas nada.

Vc, tbem, bjo e outras palavras que fazem parte de nosso idioma são sumariamente sitetizadas em duas ou no máximo três letras. Tudo por causa da vagabundagem imposta as mãos e por tabela, aos cérebros. Se sintetiza a palavra, por certo vai sintetizar o pensamento e fatalmente em pouco tempo, vai aproveitar para falar desta forma. Então fico imaginando a geração “Wii” dentro de quinze anos em uma conversa social. Pior, hilário será a leitura de uma carta de amor: “mina, nois precisamo viaja pq tbem tem aquele lance q vc falou da city. Bjo, Ti amo d+” Coitado de Camões, está rolando na tumba.

Mas peraí! Não é este o português falado nas ruas? Nas baladas, na night? Se for, coitado d’eu que vou ficar na clausura por mais algumas décadas. Certamente seria mais fácil falar com um chinês do que entender as abstrações do dia-a-dia. Neste momento penso que a revisão ortográfica pecou. Deveria criar uma classe adicional de verbos que englobaria todas as possíveis variantes de substantivos que magicamente mudaram de rumo. Assim ao menos nivelaríamos em todos os países de mesma língua.

Mas como já dizia amigo meu, herrar é umano, ops, nos dias de hoje, é “umanu”!, certu?

6 de maio de 2009

scrumDias atrás estava fazendo contas como todo micro-empresário brasileiro,tarefa quase diária para manter a saúde da empresa fora da linha de colapso. No meio daquele entra e sai de números, algo me chamou a atenção de forma quase alegórica: a perda de rendimentos devido a demora na entrega de projetos de software. Para cada dia de atraso, mais de duzentos reais que descem pelo ralo.

Desculpas teria de todos os tipos para o problema mas penso ser melhor procurar uma solução. Então, conversando com um amigo expert no uso de metodologias ágeis de desenvolvimento, o mesmo apresentou algumas e teceu os melhores comentários possíveis sobre SCRUM, uma metodologia muito interessante que permite o acompanhamento de projetos diariamente com o intuito de reduzir ou ao menos amenizar os atrasos em projetos. Confesso que a primeira vista achei que o mundo de papéis amarelos espalhandos por paredes não seria algo muito “ágil” mas isto caiu por terra logo nas primeiras investidas, sendo a questão visual inclusive o grande pulo do gato. Enquanto muitas outras metodologias se baseiam fortemente no uso de softwares, o SCRUM leva para o quadro-branco/parede o que está acontecendo em um projeto dia-a-dia. Para mim, tanto melhor pois aproveito para esticar as pernas até a área de desenvolvimento.

Como tudo o que é novo, a adoção de uma nova metodologia poderia trazer uma infindável quantidade de medos para a equipe e todos que seriam afetados e muito me preocupava a utilização em projetos que usam software livre e especialmente no desenvolvimento com ferramentas de gestão de conteúdo mas mesmo neste cenário a percepção é a melhor possível. A coisa funciona!

Outra vantagem logo vista é a qualidade do software resultante do projeto que sobe a passos largos com resultados realmente visíveis. Assim, com a dobradinha de eficiência + qualidade o céu se torna o limite (se bem que precisando, colocamos software em satélites). Conclusão inicial da metodologia: lápis e papel ainda podem fazer muito numa época digital, mesmo no desenvolvimento do que é digital.

Em algumas semanas volto com os resultados práticos iniciais.

4 de maio de 2009

Ok, a família corinthiana está em festa. Depois de ver seu time no buraco da segunda divisão, dá a volta por cima e arremata o paulistão 2009 invicto, algo que não acontecia desde 1938. Mas o que tem a ver o Corinthians com o marketing? Tudo, acredite.

Primeiro, na queda para a segunda divisão, aproveitaram a fatídica “estada”, ganharam o campeonato e voltaram dizendo que até este título tinham na prateleira, uma sacada de marketing inteligente que se aproveitou da situação para engordar os cometários gratuitos sobre o time.

Mas a maior delas certamente foi trazer Ronaldo, o afamado fenômeno para dentro do clube. Meio em baixa, muitos acharam que era uma loucura desvairada trazer o jogador a peso de ouro (mais caro pelos quilos a mais) para que não fizesse nada ou pouco fizesse. Não importa realmente isso. Somente o nome do jogador dentro do time resultou num marketing gratuito espetacular para o clube, fosse em exposição da marca, fosse em comentários nos jornais, revistas, tv, rádio e Internet. Nem precisava jogar realmente. Se ficasse somente no banco já seria lucro para o time.

Algumas companhias são especialistas neste tipo de marketing. Uma das mais conhecidas é a Apple com seus mega-lançamentos de tempos em tempos. Com as nóias de Steve Jobs que esconde detalhes de novos produtos como os EUA vigiam suas fronteiras, a companhia lucra absurdamente com o marketing gratuito advindo de suas campanhas. Estima-se que o lançamento do iPod em 2001 rendeu algo em torno de 400 milhões de dólares sem que fosse mexida uma única palha. O mesmo caminho trilhou o Yahoo ano passado quando trocou sua home usando como anúncio que iria fazer um eclipse no Brasil. Obviamente uma piada mas que trouxe muito barulho para seu novo lançamento.

E no último final de semana me deparei com outra genialidade marqueteira. A companhia de seguros Mapfre lançou uma promoção fazendo analogia com aquele motorista denominado “barbeiro”. De muito bom gosto, a campanha leva o internauta a querer participar ou, no mínimo, conhecer o maior barbeiro do Brasil, trazendo inclusive o desejo de conhecer um pouco mais sobre a empresa, objetivo final do hotsite.

Com fenômenos ou não, a Internet permite que todo o tipo de idéia atinja o consumidor, bastando ter tanta genialidade quanto quem tem o dom da bola nos pés.

20 de abril de 2009

The Pirate Bay on the seaEra esperada a condenação dos caras. Somente aquele cego ou aquele que não quer ver (que é pior que o cego) acreditava que eles seriam absolvidos. Ao contrário da grande maioria que disse ser a condenação absurda ou injusta, ela atende preceitos jurídicos e arrisco a dizer ser inclusive pequena pelo que poderiam ter recebido. Um ano de cana e alguns milhões de multa? Pouco pelo que fazem.

A afirmação usada nas alegações dentro do tribunal que são somente um indexador de conteúdo existente em outros locais da rede não colou e não colaria mesmo. Desculpe-me mas o The Pirate Bay não é um Google. Ele é uma ferramenta que conduz as pessoas para cometerem “crimes” contra o copyright de empresas detentoras dos mesmos e fazer esta comparação é o mesmo de afirmar que a indústria de armas não pode ser culpada pelas milhares de mortes em todo o mundo. Sim, ela tem sua grande parcela de culpa mesmo não sendo quem puxa o gatilho. O exemplo cabe para o The Pirate Bay; não são o fim mas um meio para o fim.

Eu, você, os quatro condenados e todos os que usam os servidores deles sabem no fundo qual o verdadeiro propósito da ferramenta. Será que não estamos querendo jogar a sujeira para baixo do tapete só porque ela está do nosso lado? Será que nossos berros e comentários estão sendo realizados não pela condenação, mas sim por não termos conseguido mudar as regras do jogo? Será que não deveria ter sido este o foco da defesa deles, e nossa também?

Penso que o pecado cometido está neste sentido. Não sou advogado e tampouco conhecedor profundo dos sistemas judiciários nacionais e/ou suecos, mas em minha santa ignorância creio que a discussão deveria ser levada no patamar da defesa da liberdade de expressão e compartilhamento que tanto desejamos. Lá estava sendo julgado um serviço, uma ferramenta e não uma idéia, um desejo, uma ideologia. Sendo assim, acredito que as empresas e associações aproveitaram-se de exemplos como da indústria de armas para criar uma “jurisprudência” ao assunto e conseguir a condenação. Jogada esperta de quem está neste campeonato há muito tempo.

Outro erro foi acreditar que os braços destas mesmas associações e empresas não seriam tão longos para chegar a justiça de um país liberal e correto como a Suécia. Em minha humilde opinião, somente em países onde não existem leis, na Antártida de na Lua seria possível ganhar uma ação contra eles. Como tentáculos de polvos, vão até onde pouco imaginamos e não foi diferente desta vez.

Mas não foi tudo perdido, ao contrário, muito foi ganho. O P2P saiu-se mais forte desta condenação, mais conteúdo será indexado e disponibilizado na web, mais “piratas” nascerão em toda a rede e abiru-se uma porta importante para a discussão deste assunto em outras esferas em todo o mundo. Poderemos agora usar as mesmas armas com as quais eles foram condenados para atacar o outro lado onde, tal como a indústria de armas, a indústria de copyright é culpada pelo cerceamento do conhecimento em todo o mundo, mesmo sendo somente o meio para um fim.

17 de abril de 2009

livroE a coisa tá ficando feia para a Microsoft. Lá no velho continente mais de três grandes mosqueteiros resolveram abraçar a causa e entrar na briga contra a gigante do software. Desta vez, IBM, Oracle, Nokia, Fundação Mozilla e Google se unem na briga antitruste dentro da Comissão Européia por causa de seu navegador, Internet Explorer.

Mas caro leitor, não pense que a união dos gigantes ocorre porque se amam ou ainda porque possuem algum tipo de birra com a Microsoft; nada disso. O buraco é muito mais embaixo desta vez. Em jogo bilhões de dólares dos novos serviços e soluções que estão sendo levados paulatinamente para a Internet. Cloud computing, ASP e dezenas de opções on-line fazem com que o mercado volte seus olhos para a rede e esta torne-se um campo fértil para abocanhar mais algumas verdinhas.

E o que tem a ver a Microsoft com isso? Bem, como sistema operacional dominante e trazendo embutido um navegador de Internet, já é possível imaginar quem sai na frente nesta corrida. Como principal ferramenta de trabalho, o navegador será peça primordial nesta disputa e isso os grandões não querem. Desejam que a MS faça de duas uma: ou tire o navegador de seu sistema operacional ou que inclua outras três opções dentro: Firefox, Chrome e Opera. Sinceramente, acho que vai dar água.

Já sei, alguns vão perguntar; “e a Apple e seu Safari?” Honestamente penso que Jobs está nem aí para isso tudo. Ele já tem o iPhone e com um treco destes na mão, para que ficar correndo atrás de migalhas (grandes, claro)?

16 de abril de 2009

Afirmo categoricamente; Steve Jobs, o dono da Apple é burro. Mas burro daqueles que bater com pedra. Pior, o Bill Gates também! Este então, um burraldino de quilate!

Não, não fiquei louco (já sou). Estou somente respondendo os questionamentos de alguns leitores do blog e deixando uma pergunta no ar: se Jobs e Gates são burros, porque são milhardários (inclua aqui o nome de alguns brasileiros também)? O assunto é: curso superior é essencial? Será que eu não tenho vez deixando a faculdade de lado? Voltando ao Jobs…

O cara tinha tudo para entrar no buraco. Foi adotado, enfiou os pés pelas mãos na universidade e resolveu aprender caligrafia. Caligrafia? Sim, isso mesmo; caligrafia. Diz o próprio em vídeo conhecidíssimo na Internet que a caligrafia era um prazer e que o estudo desta área deu-lhe a base para criar uma interface bonita e harmoniosa para os atuais computadores (além de ter aproveitar o assunto e alfinetar Gates). Claro que isso é a pontinha do iceberg que veio depois. Criador da Apple, da Pixar, do iPhone, do iPod e por aí vai.

Gates tem uma trilha meio parecida. Mesmo vindo de família mais abastada e tendo muito mais oportunidades que Jobs (como conta em seu livro A Estrada do Futuro), também deixou seu curso na faculdade para dedicar-se junto com outros dois doidos (Paul Allen e Steve Ballmer) à criação da Microsoft. Pelo visto, deu certo.

Poderia listar outras dezenas de pessoas e casos daqueles que largaram os bancos da escola para se tornarem celebridades mas não é momento. O mote real é: o quanto uma faculdade lhe dá além do diploma? Alguns podem dizer que muito, outros podem dizer que nada. Vendo os estagiários que conosco trabalham, percebo que a grande maioria das faculdades atuais não preparam seus alunos para o verdadeiro mercado de trabalho. Ensinam linguagens e deixam de lado algorítimos (claro, é odioso); ensinam bancos de dados e esquecem de SQL ANSI; ensinam interfaces de sistemas operacionais (next, next, finish…) e esquecem do que é um verdadeiro sistema operacional. No final, quando estes estudantes chegam no mercado de trabalho, apanham feito mulher de malandro.

Obviamente que o estudo é necessário quando não obrigatório para que possamos galgar alguns degraus a mais na escada da vida. Entretanto se fiar somente no canudo é um erro dramático e que pode custar muita coisa no futuro próximo. Uma educação multidisciplinar e que abrace várias áreas do conhecimento é muito mais importante numa carreira do que meia dúzia de diplomas pendurados na parede. Pós-graduação, mestrado, doutorado… com 28 anos? Para quê? O que conheceu do mundo? O que viu? No que trabalhou?

Pare, pense um pouco e leve em consideração todos estes pontos. As empresas atuais não procuram somente “diplomados”, mas principalmente seres humanos que pensam e sabem pensar.

Ser medíocre é uma opção e não uma obrigação. E você? O que acha?


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