.  Paulino Michelazzo

Paulino Michelazzo
Paulino Michelazzo CMS Expert e Escritor Técnico

Escritor por DNA, programador por opção e vivenciando a Internet desde 1995, é diretor da Fábrica Livre, empresa especializada em soluções para a Internet com ferramentas de gestão livres.

Onde está o programador?

Ser empresário no Brasil é uma atividade tão impressionante quanto um malabarista do Cirque du Soleil. Além de fazer seu trabalho de gerar negócios e manter clientes, é obrigado a camelar para pagar impostos, taxas, propinas, almoços e outras coisas e enfrentar a burrocracia advinda do DNA podre de nossos “descobridores” que impera na terra brasilis.

E para a aquele que se aventura na selva do empresariado de TI existe uma nova atividade: a busca de profissionais programadores. Acredite, está em falta e em muita falta.

Muitos vão dizer que estou louco pois a quantidade de profissionais formados todos os anos pelas universidades e faculdades brasileiras é maior do que o mercado pode absorver. Esquece-se porém este que comenta desta forma que a maioria das instituições solta na selva gatinhos manhosos ao invés de verdadeiros tigres. O nível é tão baixo e tão ruim que a perplexidade toma conta das empresas que precisam de bons profissionais ao ponto de serem tomadas decisões drásticas como re-ensinar os que das faculdades sairam com tudo aquilo que elas não ensinaram (e que deviam) e pelo que foram pagas mas não entregaram.

Acreditando ser um problema meu e de minha empresa devido a especificidade do trabalho que realizamos, perguntei para alguns amigos, também micro-empresários, se eles sofriam do mesmo mal. Veio estampada na cara de cada um deles com um sorriso amarelo a resposta engraçada: “se fosse só você que sofre disso, estávamos bem”. Um deles, programador de código fino e bem feito, possui uma empresa onde estão cinco vagas abertas para profissionais ou estudantes de uma determinada linguagem. Outro, tão bom quanto, possui mais três. De meu lado, são nove postos abertos que não são preenchidos por falta de pessoas que possuam o mínimo de conhecimento. Uma lástima.

E o que falta?
Falta quem presta realmente. Questiono dezenas de pontos dos curricula das faculdades que são comuns à todas elas. Ensinam uma linguagem de programação ao invés de lógica ou algorítimos; ensinam um banco de dados de um grande player qualquer ao invés de SQL ANSI e modelagem; ensinam Windows ao invés de sistemas operacionais. Pior ainda é ler os curricula que recebemos. Nem mesmo o português escrito presta e se questionarmos algum conhecimento básico da língua franca mundial, be my guest, we’re fucked!

O lado pessoal ou social do candidato é algo indiscritível. A maioria não sabe onde fica a Índia e pensa que o Vale do Silício tem este nome porque produz silício. Em contrapartida a maioria conhece todas as marcas e modelos dos carrões da atualidade e até mesmo a cor da calcinha de uma cantora de sucesso. Tudo sabem, exceto aquilo que precisam saber para comprar o carrão que conhecem ou ainda para comprar o melhor ingresso existente daquela que escarafuncharam até as entranhas.

Empreendedorismo? Para quê? Somos uma nação de mão-de-obra escrava (olha o DNA aí), proletariada e que depende das migalhas do governo para se manter. Enquanto nos países desenvolvidos é ensinado desde a tenra idade como ser empreendedor até mesmo dentro de casa, aqui ensinamos o caminho das pedras para se tornar um funcionário público. Emprego “garantido” e pouco trabalho, além, claro, dos “benefícios” oferecidos.

Para nós que nos aventuramos em criar empresas, gerar riquezas e oferecer empregos, sobram várias vagas abertas por pura incapacidade daqueles que “querem” trabalhar. Afinal trabalhar mesmo não é com eles. É melhor ter a garantia do emprego público do que dar a cara a tapa no dia-a-dia. Pelo menos o peru bombado de natal está garantido.

OBS: àqueles que conhecem desenvolvimento de interfaces (XHTML, CSS e Javascript) e acreditam que o emprego público é falácia, mande um curriculum para nós pelo e-mail falecom@fabricalivre.com.br. Quem sabe não nos ajuda?

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19 comentários para “Onde está o programador?”

  1. Vinícius Siller disse:

    Realidade.
    Logo no início do texto já pensei em criticá-lo em meu comentário, mas relendo e me conformando com essa terrível realidade tenho que tirar o chapéu para esse desabafo.

    Agora te pergunto: Os estudantes estarão sempre nas mãos das universidades ruins? Seria a vez do autodidata (meu caso)?

    Gostaria de uma matéria sua abordando esse tema, com alguns desses tópicos:
    O gatinho manhoso da universidade, ou aquele que de fato busca um conhecimento e o obtém?
    É possível ser um bom programador sem uma faculdade no currículo?

  2. _Fernando disse:

    “Vale do Silício” não produz silício? AHHHHHH!!!

  3. Tagliati disse:

    Acho que parte disso é o exagero na valorização do ensino superior como bacharel. Técnicos e tecnólogos deveriam ser valorizados e ter formações voltadas para mercados como o citado…
    Quem sabe um tecnólogo focado em Desenvolvimento não teria os conhecimentos necessários?

  4. Paulino Michelazzo disse:

    Vinícius,

    Pode ter certeza. Em breve volto ao tema tocando na questão do auto-didata.
    Abraços

  5. Phelipe disse:

    Muito bom artigo Paulino Michelazzo.
    Eu tenho esse mesmo problema na minha cidade,não consigo achar profissionais para poder trabalhar comigo.O recurso que achei foi pegar estagiarios e ir treinando-os.
    As faculdades so ensinam matérias que não servem para o mercado de trabalho ou quando tem matérias utéis os professores são fracos.

  6. Leonardo disse:

    Muito bom artigo. eu estou no começo disso, e estudava igual um cão rabugento. fiz o diferente, mas agora, estava me esquecendo disso, consegui algo e parei. mas acabei de ver. eu preciso sempre me tornar melhor para poder ver a calcinha da cantora.

    obrigado, me fez bem

    bom trabalho. e assinei seu feed.

    um abraço,
    léo

  7. Marcio disse:

    Muito bom o texto, porém tenho certeza que isso não seja apenas culpa das universidades. Programo a alguns anos e adoro programar. Só que não quero essa vida para mim por muito tempo. Estou pensando em até mudar de área porque não vale a pena o stress que temos, correr atrás do tudo que é lançado para estarmos atualizados, termos que estar nas tendências ou quebrarmos a cara com elas…. para no final da contas ganharmos a mesma coisa, ou menos, que o cara que fica dando suporte por telefone ou instalando windows, que ao final do dia consegue esquecer do serviço e ter uma vida “normal”.

    Chega momentos em que o gostar perde para a razão. Se não temos uma das melhores formas de motivação “valor agregado” (não somente dinheiro), o mercado vai continuar cada vez mais carente de mão de obra (e logo será a minha também).

    Posso dizer que 90% dos meus colegas de universidade não querem de forma alguma trabalhar com programação. Se pergunto por quê a resposta quase unânime: “não vale a pena a loucura que é para ganhar pouco!”.

    Então, no meu ver que os maiores culpados disso definitivamente são quem construiu isso: mercado (quer tudo de graça) e empregadores (querem cada vez mais só pra eles).

    Abraço.

  8. Murilo disse:

    [EGO ON]Bom eu mesmo sou um mesmo sou autodidata mais desde que começei a desenvolver não parei em nenhuma empresa .

    Não tenho formação academica , mais acronimos não faltam , sempre estou aprendendo alguma coisa.[/EGO OFF]

    Bom explicado o comentário acima.

    Sobre o post , você está certo , mais tem o lado do profissional tambem.

    Eu mesmo não trabalho em qualquer empresa hoje , então pensando assim estou começando a montar uma empresa os motivos são muitos e vou citar para não deixar nada em branco.

    1 - Falta de motivição

    2 - Tecnologia tosca , ou seja , eu já fui programador e hoje minha empresa tem que programar no que eu quero , menos 1 profissional , já sai de empresas por que eu não gostava de programar na linguagem que era amada pela , mesmo sendo tosca e obsoleta.

    3 - Geralmente acham que você é só mais um que vai passar ai pela empresa , podem até ver seu potencial como profissional , mais não dão o braço a torce , até mesmo para não se achar “inferior” ao funcionario.

    4 - Querem soluções , mesmo que sejam toscos , por exemplo: usando tabelas em vez de xhtml e css , falta de profissionalismo , querem as coisas para ontem e o profissional tem que fazer coisas amadoras para agradar o empresario.

    5 - Não conseguem acreditar que um cara sem formação é mais especialista do que eles , e prefere pagar mais o carinha filhinho da mamãe que se formou , agora está entrando no mercado , sendo que não sabe nada .

    Isso é um relato da realidade , Infelizmente , quem sabe como empresario não dou certo , a mais vou usar essa mentalidade…

  9. Luana Morellato disse:

    Acredito que grande parte do problema esteja no sistema de “aluno-cliente” de grande parte das faculdades/cursos técnicos e tecnológicos. O professor não pode aprofundar em matemática/lógica/fundamentos de programação pois os próprios alunos querem mais um diploma a prestação. Já as universidades públicas tem o problema de não serem práticas.

    Uma maneira de sanar o problema de imediato, é a contratação de pessoas sem experiência na área desejada, para que possa aprender dentro da própria empresa. Vejo muito isso no mercado de Vitória/ES, que assim como outros também sente a falta de mão de obra qualificada.

    Muito bom o artigo, parabéns!

  10. Filipe La Ruina disse:

    Ótimo artigo, de fato, apesar de estar a pouco tempo no mercado já trabalhei com pessoas como as que você descreveu. Tive o “prazer” de trabalhar com um rapaz que programava em PHP mas nao conhecia CSS e XHTML direito e usava pouco Javascript (e de um modo nada recomendado) além de diversos conceitos superficiais sobre sistemas operacionais e ferramentas que ajudam e muito no desenvolvimento (SVN, IDE etc).

    Infelizmente é isso que está saindo por ai. Também sou auto-didata mas ingressei em uma universidade especializada em tecnologia para receber mais conhecimento e ter um bom networking, claro que escolhi uma faculdade que tem uma grade focada em programação e não em softwares específicos.

    Como trabalho atualmente em uma agência web percebo isso que nosso amigo Murilo citou; empresas como essa não ligam para a forma que se dá o desenvolvimento, simplesmente querem que tudo saia rapido e “funcionando” (contendo buracos como boa validação por exemplo).

    Espero mesmo que o interesse de programadores aumente e eles queiram estudar e pesquisar (sobre programação obviamente, pois sobre futebol e carros eles sao especialistas) ao inves de tirarem conceitos superficiais sobre tudo sem nem ao menos pesquisar.

    Espero também um dia ter o prazer de trabalhar com uma equipe querendo fazer as coisas ‘bonitas’ e funcionais. (utopia do programador talvez?)

  11. Rennan Lemos disse:

    Ótima crítica Paulino. Assino embaixo! E parabéns pelo blog!!!

  12. Rafael Marques Weiss disse:

    É muito fácil criticar a falta de profissionais de programação, o dificil é pagar a eles o que eles realmente merecem.

    Quem vai querer ser programador? trabalhar 8h ou + diárias assim como as outras profissões e receber um sálario menor ou igual e sem comissão alguma.

    Conheço vários ex-programadores, porque programador que presta não vai passar muito tempo programando.

    Precisamos concientizar os empresários, principalmente os novos, para uma questão simples: é preciso dar aumento de salário e diminuir a carga horária para 6hs /diarias, se já fosse assim, muitos que já migraram para outras áreas ou mesmo iniciaram suas própias empresas, pensariam melhor antes de fazer isso.

    Eu sou o próximo programador a abondonar minha profisão hobby! (porque nao rende).

    Abraço

  13. Flávio Borges disse:

    Parabéns pelo post. Porém, gostaria de atentar para um fato: independente de faculdade, professores e tudo mais, o que realmente importa é cada pessoa. Quando há vontade, busca-se o conhecimento.
    Outro fato interessante é que, mais do que as faculdades em si, quem pressiona muito pelo aprendizado de ferramentas são os próprios alunos, que simplesmente não aceitam que saber programar não é saber Delphi, Java ou C#. Falo isso por experiência própria: sou formando em Ciência da Computação e quantas vezes escutei dos meus colegas “temos que aprender Java” e todo esse tipo de coisa… Daí muitos professores tentam mostrar que não é esse o foco, mas a maioria dos alunos simplesmente não entendem.
    Felizmente, modéstia a parte, eu nunca tive esse tipo de mentalidade e soube dar importância para as coisas corretas.

  14. Anderson Butilheiro disse:

    As vagas ainda estam em aberto, Paulino? Estou pensando em me candidatar…

  15. Anderson Butilheiro disse:

    Depois de ler os comentários do pessoal aí, resolvi dizer algo mais: o grande problema é que sempre se quer jogar a culpa nos outros. Acho que a culpa é de todo mundo. Ninguém se safa nessa!

    A EMPRESA abre vagas para um determinado setor. Mas ela só quer profissionais com experiência. Ou então exige um curso superior. Ela não dá chance para outros profissionais e, na maioria das vezes não abre vagas para estagiários ou trainees. Assim, nunca existirão profissionais capacitados o suficiente.

    O INDIVÍDUO que quer entrar numa empresa, sabendo dessas exigências, se preocupa apenas em ter seu diploma. Ele não está afim de aprender de fato. Ele procura uma universidade barata, perto de casa, que tenha o curso que ele precisa e que seja fácil de entrar e de sair. O sujeiro entra para a faculdade contando os dias para terminar seu curso e ter o tão sonhado diploma em mãos. Muitas vezes, esse profissional é que vai ocupar a vaga naquela empresa acima.

    A UNIVERSIDADE sabe o perfil de seus alunos e sabe que todos eles querem o diploma. O que ela faz? Baixa os preços dos cursos, torna acessível um curso específico a ponto de este receber gente que nem noções básicas tem (não só de informática, mas de português, matemática). Cria uma grade simples que não cause um nó na cabeça dos alunos para que eles possam passar tranquilamente de um período para o outro até chegarem ao dia da formatura.

    E o pior é que isso não acontece só na área da Informática não. Eu caí nessa trama e acabei entrando para a faculdade de Jornalismo. Achei que minha paixão por escrever (entre outras coisas) seria suficiente. Mas descobri que a faculdade só queria o meu dinheiro em troca do diploma. Sei que até em cursos mais complicados a coisa acontece assim. Medicina, Engenharia… É difícil achar uma faculdade decente hoje. Todos os dias recebo por e-mail ofertas de faculdades, cursos tecnológicos e outros com descontos, facilidades e milhares de tentativas de fazer com que a gente faça um curso superior. Eles sabem que esse mercado está em expansão e que há procura por isso.

    Como muitos aí fizeram, acabei abandonando o sonho. Saí da faculdade, corri atrás de outras coisas que gostava e hoje sou professor de informática. Amo o que faço. Sou apaixonado por Informática tanto quanto pela escrita ou pelo cinema, ou pela música. As formas de comunicação me encantam. Mas não dá pra viver só do que se gosta.

    Ministro aulas desde a informática básica até a construção de sites (ainda não com CMS porque pouca gente se interessa em aprender isso). Sei que muitos desses meus alunos saem daqui e nunca irão tabalhar na área, mas queriam o diploma pra poder colocar no currículo que tem um curso diferente. Essa é a realidade por aí afora. E a culpa é de todo mundo.

    PS.: Me desculpem por qualquer erro de digitação, mas o teclado está horrível.

  16. Erika Santini disse:

    Paulino faço jus as suas palavras.
    Sou Administradora de empresas e trabalho na D-Nex que atua nos segmentos: de desenvolvimento web e soluções de software avançadas. E estou a procura de programadores (bons), mas está super difícil de encontrar, até parece que estou “procurando agulha no palheiro”.

    Parabéns pelo blog e artigo.

  17. Rodrigo T. disse:

    Eu não acho que está faltando programadores bons.
    Está faltando é oportunidades boas (salários compatíveis + carga horária decente).

  18. Antonio Augusto Palhano disse:

    Aproveitando,
    Preciso de um programador em php.
    aamap@hotmail.com

  19. Paulino Michelazzo disse:

    Eu tenho mas não troco e não dou :-)

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