Caiu a ficha?
Sou réu confesso. Adoro um torrent. Faço downloads gigantescos em meu Mac de dezenas de coisas que vejo, observo e depois apago porque a maioria não presta e se não me cuidar, daqui há pouco não tenho mais HD.
E que atire o primeiro monitor aquele que nunca baixou um arquivinho da Internet. Atira vai! Duvido e deu dó!
Não sei se a prática usada por mim é correta mas sei que funciona. Ao mesmo tempo que o DSL fica gordo na madrugada, sou um ávido comprador. Vou nos magazines e compro 3, 4 DVD’s de uma vez. Adoro ter os discos em minha casa e assistir quando quiser. Da mesma forma, sou rato de livraria daqueles que passa horas vendo aquele montão de livros. E não é por causa do torrent que minha biblioteca deixa de crescer. Ao contrário, tenho que comprar mais uma estante em breve. E software então? A coitada de minha companheira que o diga. Vê a fatura do cartão e não entende como podem aparecer tantas entradas em moeda estrangeira.
Para a indústria capitalista sem medidas, o que faço é um crime tão sério quanto um homicídio. Se bobear, vou parar numa cela ao lado do Beira-Mar (lá tem Internet?). Para outros, sou mais um fã que aproveita uma nova forma de compartilhamento para engordar os cofres daqueles que compõem, escrevem ou representam.
Parece que não sou só eu que penso assim. Há dias li duas reportagens interessantes. Uma delas dos famosos cantores Zezé de Camargo e Luciano e outra do eterno-ex-Sandy, Júnior. Ambos com a mesma visão: a Internet é menos ruim que imagina-se quando falamos de pirataria.
Claro que é. Quem faz todo o terror são aqueles que sempre ganharam muito dinheiro e agora estão se estrepando. Estúdios de cinema e gravadoras ficam irados só na menção do nome Pirate Bay e não medem esforços para criminalizar quem quer que seja. Empresas de software então, de um lado chamam todos de ladrões enquanto nos roubam colocando vírus em nossos computadores (menos no meu).
Agora você vai dizer: mas a indústria precisa sobreviver! Sim, claro que precisa. E sei bem disso porque os boletos bancários não param de chegar no escritório. Mas existe um canyon entre sobreviver e viver a custa da desgraça alheia. Vejamos:
Uma empresona começou um projeto de dar cópias de seus softwares gratuitamente para estudantes brasileiros. Qual é a real intenção por trás desta benevolência toda? Dar instrução? Conhecimento? Claro que não! É cativar os burraldinos que aprendem produtos nas faculdades e colégios técnicos (ao invés de conceitos) para que futuramente tornem-se consumidores dependentes (semelheança com uma atividade ilícita é mera coincidência). Se fosse para dar instrução, pegariam o mesmo valor das cópias (falaram em US$ 240 milhões) e injetariam na educação brasileira e em projetos de melhoria do ensino. Mas aí meu caro, não tem lucro não é mesmo?
O mesmo acontece por exemplo com os estúdios de cinema. Os DVD’s que compro são aqueles que estão em promoção e custam não mais que 12 reais; um preço que acredito ser justo e que paga não somente a confecção do mesmo, mas o lucro de toda a cadeia. Mas lhe pergunto: o que pode fazer um DVD copiado aos milhões custar 50 reais ou um CD, 40? O ator que está no filme, a voz do morto que está cantando ou a ganância de quem produz? Já contou uma vez Courtney Love, cantora americana, sobre a relação promíscua das gravadoras com seus artistas e a coisa é aterrorizante. Se depender da venda de CD’s, morrem de fome.
Você tem fome de quê?
Os defensores ferrenhos vão dizer: “você gostaria que seu software fosse pirateado”?
Antes de mais nada, vamos esclarecer. Pirataria é o que está acontecendo na águas da Somália e o que acontecia nos mares do Caribe lá por 1500. O termo pirataria é equivocado, pejorativo e somente serve para induzir pessoas ao erro (tal qual aquele filmeco que passam no cinema).
Dito isso, a resposta: SIM! Eu adoraria ver uma criação minha sendo copiada e usada por milhões de pessoas. Tanto é verdade que faço software livre, coloco na Internet tudo o que crio e nem por isso deixo de ganhar dinheiro. Este texto que você está lendo agora está licenciado sob CreativeCommons (uma licença livre) e você pode usá-lo como bem entender. Além disso, não ganho um único níquel do site.
Pergunte à Paulo Coelho o quanto ele perde com a pirataria de seus livros. Perde tanto, mas tanto que ele mesmo pirateira suas obras. Não acredita? http://piratecoelho.wordpress.com
A questão, no frigir dos ovos gira em torno da fome que tens. A minha não é gananciosa, mas sim compartilhada. Enquanto a de outros… tire suas conclusões.














28 de novembro de 2008 às 9:32
Excelente! É uma tremenda hipocrisia fazer discurso “pra inglês ver” e cobrar preços exorbitantes por serviços cuja confecção beira a gratuidade.
As empresas, por mais batido que isso seja, precisam se adaptar à nova realidade, porque sempre há alguém dando um jeitinho de disponibilizar os serviços cobrados excessivamente de graça.
1 de dezembro de 2008 às 11:36
Muito bom texto, Paulino. Até que enfim uma visão inteligente e não descabida sobre essa questão da cópia de produtos. Sempre achei mesmo que o problema não está no copiar, mas no que se faz com a copia. O sujeito que copia e vende essa cópia, obtendo lucro sobre a mesma, é que comete o crime. Aliás, isso acontence não só na Informática, não é? Há tempos existe o plágio, e no caso do mundo fonográfico, desde a época da Fita K7 (o tape) já se faz cópias de músicas e ninguém falava nada na época. Eu mesmo devo ter aos montes em casa cópias de LPs que nem sonhava poder comprar.
A diferença hoje é que, na maioria das vezes, a cópia tem uma vida mais longa uma vez que é compartilhada com muito mais gente. Nos anos 80, por exemplo, copiar um LP estrangeiro era o único meio de se conhecer ou memso ter a chance de ouvir muita coisa que não chegava aqui, ou quando chegava, era caro demais. Hoje, há tanta coisa no mercado (em termos de música, software ou cinema) que é humanamente impossível consumir tudo se formos pensar em pagar por isto. O compartilhamento possibilitou o acesso de muita gente a muita coisa produzida por aí.