.  Paulino Michelazzo

Paulino Michelazzo
Paulino Michelazzo CMS Expert e Escritor Técnico

Escritor por DNA, programador por opção e vivenciando a Internet desde 1995, é diretor da Fábrica Livre, empresa especializada em soluções para a Internet com ferramentas de gestão livres.

Banda larga na tomada e WiMAX no céu. Para quem são?

tomadaDepois do mais novo caos do Speedy paulista, muitos olhos se voltaram para algo que poderia ser a salvação da lavoura de milhares de internautas usuários de linhas DSL brasileiras, as chamadas “banda largas”. Trata-se de uma tecnologia que está engatinhando em nosso país mas que em alguns lugares do mundo já está presente em maior ou menor grau no cotidiano dos consumidores. Falo da banda larga via energia elétrica; ou melhor, via cabos que conduzem energia elétrica (BPL - Broadband over Power Lines).

Esta tecnologia poderia de fato ser um divisor de águas no lixão que são as comunicações de alta velocidade brasileiras devido a grande penetração da malha elétrica em nosso país (cerca de 97%), mas existem poréns técnicos e principalmente políticos no assunto. E lendo a entrevista do secretário da SLTI do Ministério do Planejamento, Rogério Santanna ao site Convergência Digital, o segundo “porém” fica um pouco mais em evidência principalmente quando comenta-se o interesse principal das companhias em usar a tecnologia não para prover mais um serviço (que inclusive poderia custear a melhoria da malha distribuidora que o próprio secretário diz ser de baixa qualidade), mas sim como “fiscal de gatos”, tão comuns em vários grandes centros brasileiros.

Explico: o principal foco da tecnologia para as empresas de energia não é o serviço de banda larga, mas sim o uso da tecnologia para verificar se os consumidores estão pagando suas contas direitinho e, se não, fazer um corte à distância. Convenhamos, é uma causa nobre pois as perdas para as companhias beira o absurdo mas também cabe a pergunta: com a redução dos furtos de energia, redução de pessoal das equipes de corte e de leitura e emissão de notas de energia, será que poderemos receber como presente uma redução nos valores da conta? Particularmente duvido e deu dó.

Se a tecnologia não estará à serviço da população, que diacho tanto se estuda e tanto se faz lobby na capital federal para que a regulamentação saia logo? Algum interesse escuso no processo todo? E qual é o problema da Anatel com a tecnologia WiMAX que não decola nem com reza brava, sendo mais fácil falar com Deus do que homologar e certificar equipamentos que poderiam reduzir os problemas de saturação dos serviços e dar novas opções para os consumidores de banda larga, tv por assinatura e telefonia? Seriam dois pesos e duas medidas?

Toda esta história afunila sempre no mesmo buraco; o usuário que senta, reza e tenta a qualquer custo fazer parte do mundo cibernético, mesmo pagando uma das conexões mais caras do planeta e de pior qualidade. Acredite, nem mesmo em Timor Leste a coisa é tão ruim.

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6 comentários para “Banda larga na tomada e WiMAX no céu. Para quem são?”

  1. Daniel disse:

    Ola Paulino…bom dia…
    Falando sério, quais são as possibilidades de isso acontecer ???
    O Sistema de Fibra Optica não seria também uma solução ???
    Abraços e obrigado pela matéria !!!
    Daniel.

  2. Rodney disse:

    se usando a rede telefônica já é essa porcaria, imagina usando a rede elétrica que não foi projetada para transmitir dados.
    Pelo menos seria um concorrente a mais para, quem sabe(sonhar não custa nada), reduzir os preços pela concorrencia.

  3. Paulino Michelazzo disse:

    Caro Daniel,
    Sim, fibra seria algo muito interessante mas o é efetivamente em Cingapura cuja extensão territorial é pequena. Em nosso país se torna muitas vezes inviável pelo custo. Assim, certamente ambas as opções, rede elétrica e ondas de rádio são interessantes, desde que foco seja a sociedade e não meia dúzia daqueles que levam pelota.

    Abs e obrigado pela participação

  4. Fábio de Lira disse:

    O maior problema, são as empresas de telecomunicações. Os leilões de concessão de telefonia no Brasil, foram criados com a promessa de concorrência entre prestadoras de serviço e a quebra do monopólio, mas o que vemos na realidade, são fusões, aqui e ali, e muita conversa mole. É um cartel muito bem organizado, com interesses políticos por trás de tudo isso e nós usuários, acabamos sem ter pra onde correr e pra quem reclamar. Pagamos caro, absurdamente caro e sem qualidade alguma. Quando iniciaram as operadoras a entrarem em operação, achava que quando outra concorrente aparecesse, as já existentes iriam derrubar suas tarifas, agregar novos serviços e melhoria nas coberturas para não perderem seus clientes. O que acontece é que a outra chega praticando o mesmo valor e no mesmo nível de qualidade dos serviços. A solução ??? na verdade, não vejo, quando aparecem boas notícias de novas tecnologias chegando aqui, esbarram na politicagem e fica completamente inviável… é lamentável…

  5. Willian B Woellner disse:

    Boa tarde Paulino, espero que essa nova tecnologia não acabe em pizza como a wimax, pois a população das pequenas cidades que não tem acesso ADSL normal vai agradecer, tomo como base eu mesmo, moro em Campo Magro e minha rua não tem porta disponivel, a mais de 4 anos tento contratar o serviço mas a operadora (Brasil telecom) insiste no cadastro de interesse sempre com a mesma resposta, porta indisponivel.

    Abraços

  6. Elias disse:

    E vamos deixar de ser clientes insatisfeitos com internet banda larga das empresas de telecomunicações, para sermos clientes insatisfeitos com a internet de banda larga das empresas de energia elétrica.
    O fato é que os serviços privatizados, há mais de uma década, não melhoraram - tanto é que são campões em reclamações nas instituições de defesa do consumidor.
    É fato: aqui, no nordeste, com a entrada de mais 2 players no mercado de telefonia (Nextel e Vivo) o que eu senti foi uma piora sensível na qualidade dos serviços da minha operadora. E os preços não baixaram um centavo sequer.
    Este tipo de coisa é que me deixa com a pulga atrás da orelha: Se a minha operadora não baixou seus preços e nem melhorou seus serviços, é por que não se preocupa, nem um pouco, em se tornar mais eficiente?
    Se a minha operadora não tem a menor preocupação em se tornar mais eficiente frente a chegada de novos concorrentes, é por que ela não tem o que temer diante deles. Se demonstra não ter o que temer, devo me questionar se esta concorrência realmente existe?
    E por que não há esta competição para oferecer melhores preços e melhores serviços?
    Eu não vou dizer que as operadoras no Brasil formaram um imenso cartel, por que eu não acredito nisto. Mas o efeito está sendo o mesmo: o consumidor não tem pra onde correr.
    Neste sentido é que eu não creio que haverá melhoria em absolutamente nada, a persistir o modelo de regulamentação que aí está implementado.

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