.  Paulino Michelazzo

Paulino Michelazzo
Paulino Michelazzo CMS Expert e Escritor Técnico

Escritor por DNA, programador por opção e vivenciando a Internet desde 1995, é diretor da Fábrica Livre, empresa especializada em soluções para a Internet com ferramentas de gestão livres.

A informática que assassina o português

“Depois de taguear todo este conteúdo, vou printar e se estiver certo, preciso upar para o servidor e deixar para todos downloadar”

Quem já não leu coisas similares? Claro, todos nós que estamos diariamente na Internet nos deparamos com aberrações como estas. Mais que um simples erro ortográfico ou gramatical, um assassinato. Não, na verdade, um latrocínio pois rouba a beleza do idioma e o mata numa pancada só.

Dizem os mais jovens ou mais modernos ou ainda os mais “descolados” (estavam colados onde?) que crimes como estes são realizados em nome da velocidade. Já que a Internet é muito rápida, é necessário também escrever rapidamente e por isso monstros advindos das profundezas são gerados aos milhares todos os dias. Mais que isso, até mesmo a imprensa, aquela que deveria formar e informar aproveita-se da onda e descaradamente destrói a língua. O que não entendo é a desculpa. Para escrever uma página inteira eu gasto cerca de 4 minutos de teclado e não preciso ser um criminoso para tal. Somente pratico. E os demais? Ocupados em escrever tudo, mas nada.

Vc, tbem, bjo e outras palavras que fazem parte de nosso idioma são sumariamente sitetizadas em duas ou no máximo três letras. Tudo por causa da vagabundagem imposta as mãos e por tabela, aos cérebros. Se sintetiza a palavra, por certo vai sintetizar o pensamento e fatalmente em pouco tempo, vai aproveitar para falar desta forma. Então fico imaginando a geração “Wii” dentro de quinze anos em uma conversa social. Pior, hilário será a leitura de uma carta de amor: “mina, nois precisamo viaja pq tbem tem aquele lance q vc falou da city. Bjo, Ti amo d+” Coitado de Camões, está rolando na tumba.

Mas peraí! Não é este o português falado nas ruas? Nas baladas, na night? Se for, coitado d’eu que vou ficar na clausura por mais algumas décadas. Certamente seria mais fácil falar com um chinês do que entender as abstrações do dia-a-dia. Neste momento penso que a revisão ortográfica pecou. Deveria criar uma classe adicional de verbos que englobaria todas as possíveis variantes de substantivos que magicamente mudaram de rumo. Assim ao menos nivelaríamos em todos os países de mesma língua.

Mas como já dizia amigo meu, herrar é umano, ops, nos dias de hoje, é “umanu”!, certu?

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11 comentários para “A informática que assassina o português”

  1. Ícaro Vinícius disse:

    Sem dúvidas abreviações e/ou falhas gramaticais conscientes, utilizadas como justificativa para agilidade, velocidade, ou maneira de acompanhar o rítmo em qual caminha toda essa globalização de informações possuem grande potencial para entortar qualquer tipo de comunicação formal.
    Entretanto, neologismos e outras particularidades são fundamentais para a manteneção da essência contida em cada grupo social, seja ele um grupo de programadores ou um de religiosos.
    Definitivamente, a estética e a nobreza que uma linguagem possui não podem estar relacionadas a regras e normativas. Padrões são necessários e indispensáveis, não devem ser ignorados, mas a flexibilidade e a diversidade que acompanham os dialetos são fatores fundamentais que, no Brasil principalmente, ornam com toda essa mistura de etnias, classes e personalidades.

  2. Anderson disse:

    Peraí , não seria: “espere um momento” ?
    vc , não é: “você” ?
    upar , uma forma correta poderia ser “copiar o arquivo para o servidor” ?
    vou embora , onde foi parar o “vou em boa hora” (como diria a Dona Santa)

  3. emerson disse:

    Pena que o texto está cheio de erros e não tentou mostrar uma alternativa para os excessos cometidos com a língua. Quanto ao uso de abreviações, vossa mercê deve lembrar que chamar alguém de você também é uma abreviação ou vc não sabia disto?

  4. JL disse:

    Paulino Michelazzo,

    Concordo com você, em parte….

    “vc” já era usado bem antes do “internetês”… Por isto neste caso não cabe ;)

    Outra coisa estranha no seu texto:

    “Assim ao menos nivelaríamos em todos os países de mesma língua.”

    Bom neste caso, creio que a reforma ortográfica não serviu para nivelar todos os países de mesma língua, e nunca vai nivelar…

    Visto que temos vocábulos idênticos que são usados de maneiras muuuuuiiiiittoooo diferentes….

    exemplo:

    Bicha… em portugal é fila…

    Houve um caso verídico em que um português falou:

    “vou ficar esperando no rabo da bicha” e tinha uma “armário” na frente dele…

    Imagina a confusão…

    Sem falar que desde Camões, a língua lusitana e as “suas derivações” mudaram, e muito…

    Abraços!

    João Luiz

  5. Marcos disse:

    Ola Paulino,

    Internet… alias este também é um termo vindo do inglês como outros que citou ” …taguear … printar … upar para … downloadar”

    Acredito que esse evento de “zipar” as palavras vem do inglês onde a versão sonora é muitas vezes muito mais importante que a palavra escrita.

    Com este mundo globalizado… está afetando a lingua portuguesa usada na internet

    abraços
    Marcos

  6. Ricardo disse:

    Concordo plenamente e acrescento mais um agravante - Antigamente se aprendia “datilografia” antes de começar a escrever com máquinas.
    As pessoas hoje em dia compram um computador e não sabem sequer o mínimo necessário desta técnica para operá-lo. Daí, a “catamilhação” ao datilografar e pior, a tentativa da facilitação de se escrever determindas palavras, não por se ter mais agilidade ou velocidade; é por falta de conhecimento de como elas se escrevem mesmo. Santa ignorância!

  7. Panthro Samah disse:

    Discordo de Vossa Mercê. O português é uma língua dinâmica, com o perdão da redundância. Ela não pertence a mim, nem a vosmecê, nem a ninguém em particular. Pertence a todos os que a falam. E todos eles podem criar novos meios de se expressar. É uma língua viva, não é de latim que estamos falando. E, sim, tudo isso é português.

    Claro que esses neologismos e gírias parecem estranhos a você, como também parecem a mim. Mas isso não é porque ele é inferior ou errado. Só quer dizer que não é o seu português nem o meu. Do mesmo jeito que a língua de Camões não é a minha. E vc não fala com seus amigos como falava Machado de Assis.

    De resto é parar de caretice e entender que a juventude tem seus próprios modos, queiramos nós ou não. E aprender que não existe maior atestado de velhice que se perder do próprio tempo em que se vive. Isso sim é ficar ultrapassado. fikdik

  8. Rogerio disse:

    Panthro nao poderia ter expressado de forma melhor o meu ponto de vista em relação a esse assunto.
    Se as pessoas pensassem mais dessa forma, não seríamos obrigados a aturar comentários absurdos do tipo “Harry Potter é coisa do diabo e não é leitura que presta”. Isso sim é ignorância, indiferente do tema, leitura sempre tem algum estímulo… por mais que alguns insistam que leitura seja apenas uma forma de te ensinar a falar como Machado de Assis (sinceramente… bleh), assim como é inútil bater de frente com a evolução natural das coisas, afinal, não vejo ninguém hoje em dia usando “pharmacia”, “supimpa” ou seja lá quais forem os termos usados 20, 30, 40 anos atrás.

  9. Vinícius Siller disse:

    Não é de hoje que o ser humano evolui em sua forma de comunicar-se.
    Sempre foi assim e sempre será. A formalidade que impede essa liberdade de evolução.
    Particularmente eu utilizo a linguagem escrita formal, porém com o passar do tempo tantas palavras mudaram, foram contraídas, por que “você” não pode virar “vc”? Hoje em dia todo mundo entende “vc”. Ou num SMS vc utiliza “você”? Eu não!
    Vão algumas palavrinhas:
    Você = vc
    Onde = ond
    Que? = Q?

    Vale ressaltar que nesse período “twittado” no qual vivemos, economizar caracteres pode ser bem interessante e por que não ecologicamente correto? É isso aí, economiza papel, tinta, pouparemos muitas árvores. Pare uma idéia tola, mas se você tem uma visão ampla das coisas poderá ver que é um ponto interessante.

    Afinal, prum bm entndedr, meia palavr bast.

  10. Alessandra disse:

    Bom, acho importante esta questão, mas quando se trata de termos técnicos na web, por que não utilizar das abreviações ou “jargões”? Agora, quando se tratar de um e-mail para um fechamento de contrato ou algo que seja um contato profissional, esses termos e abreviações com certeza devem ser abolidos.

  11. Suissa disse:

    Creio que não são assassinatos e sim neologismos. Assassinato é matar nossas regras, mas e se existem os neologismos então creio que não seja um assassinato propriamente dito. Vemos por essa reformulação da Língua Portuguesa que ela sempre se renova e não dúvido que daqui há alguns anos haverá outra reformula forçada pela jovem população que modificou e dinamizou nossa língua tão arcaica.

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