Sufoco para pilotar uma empresa de TI
Você está pensando em terminar a faculdade e montar uma empresa de TI acreditando que o governo vai te ajudar, aviso, tire o cavalinho da chuva que o coitado vai encolher. Enquanto você não passar pela via sacra do martírio de juros, impostos e das mais diversas dificuldades possíveis e imagináveis, não terá nem um dedo mindinho para te segurar.
Funciona assim; você coloca a idéia no papel, traça a estratégia do produto e/ou serviço, monta uma MPE (Micro ou Pequena Empresa), tira o CNPJ, mobilia escritório, compra equipamentos e começa a contratar pessoas. Neste momento, precisa de mais dinheiro para o capital de giro já que vendeu carro, TV, moto, geladeira, sogra, etc, a fim da empresa ter uma sobrevida. Para isso, recorre a uma instituição pública e recebe como resposta um sonoro “não” porque você não tem a empresa há mais de um ano. Estranho, principalmente se vermos que o governo gasta milhões de reais em publicidade dizendo que existem outros milhões para incentivo destas empresas. Mas que raios de incentivo é este então?
A resposta é; ninguém sabe. Justo no período mais crítico da vida de uma micro empresa, a “mãe” que deveria cuidar do filho simplesmente o abandona a sua própria sorte para que, numa atitude extrema e de desespero, recorra ao “conforto” dos braços de outros, não tão carinhosos, mas que ajudam de uma forma ou de outra. Falo das instituições privadas (bancos) que exploram e tiram até a pele do recém-nascido.
De outro lado alardeia-se em todas as mídias que o BNDES tem dinheiro para dar e vender. Pois então tente pegar um mísero centavo lá antes de completar um ano, mesmo que seja no cartão BNDES. Necas, niente, nada, nothing. Infelizmente no Brasil a concessão de crédito está atrelada a sua capacidade de garantir o dinheiro com outros bens e não com seu talento ou sua idéia. Ao contrário de outros países onde pode-se “dar” como garantia a geração de empregos e seu conhecimento, aqui somente sua casa, seu carro ou seu apartamento servem. Nem mesmo contratos de trabalho firmados com empresas é garantia.
Estas diferenças estão bem ilustradas num estudo de Fernando Pimentel Puga, economista do BNDES, intitulado O apoio financeiro às micro, pequenas e médias empresas na Espanha, no Japão e no México onde são apresentados os cenários destes países e que serve para nós, teimosos em querermos ser empresários, morrer de inveja e ficar com o cotovelo doendo por dias. Nem mesmo a FINEP consegue ajudar verdadeiramente aqueles que desejam levar adiante uma idéia. A burocracia é grande e quando não é isso, procura-se de todas as formas garantias até mesmo da pessoa física para o empréstimo ou financiamento.
Ok, sei que você deve estar imaginando que o governo precisa destas garantias para “receber de volta” o que foi investido. Particularmente discordo pois este “investimento” é realizado para o crescimento da economia e do país como um todo. Também sei que existem aventureiros e que a grande maioria daqueles que montam empresas são os que perderam seus empregos e precisam dar continuidade no sustento da família sem ao menos saber o mínimo de como criar e manter uma empresa. Mas e se fossem exigidas garantias como a participação em cursos sobre empreendedorismo e até mesmo o aval de instituições como o Sebrae num projeto? Não seriam estas suficientes para garantir que o negócio fosse andar? (neste mesmo estudo acima, é citado casos onde existe a co-participação de instituições na empresa a fim dela se manter).
No segmento de TI existem milhares de idéias sendo fomentadas diariamente em nosso país mas a maioria delas simplesmente sucumbem por falta de auxílio das instituições públicas. Somos criativos mas ainda não tivemos capacidade de descobrir como dar um bypass na burocracia e falta de interesse nestas idéias. E para ajudar, as faculdades nada ensinam desta mágica de tirar uma idéia da cabeça, colocá-la no papel e dar vida a mesma.
Tudo isso advém das palavras do presidente da FINEP, Luis Fernandes, que lembrou muito bem a necessidade premente que nosso país tem em inovar, comparando inclusive os crescimentos dos países do BRIC com a retração do Brasil. Mas não basta somente injetar dinheiro, é preciso também dar condições para que este dinheiro chegue na mão daquele que inova. Carência no pagamento, redução da carga de juros e eliminação da burocracia são pontos que devem ser enfrentados da mesma forma. De nada adianta ter milhões em fundos para aplicação se ninguém é capaz de pegá-los. Inovadores existem em nosso país, muitos aliás, mas se estes mecanismos não forem aliviados, não existe como ser inovador, a menos que nos tornemos inovadores na capacidade de atender as exigências governamentais.
Quiçá os brasileiros estivessem nos EUA com as mesmas oportunidades que Sergey Brin e Larry Page tiveram. Seríamos os número um não só em Indianápolis, mas também na tecnologia. E enquanto isso não acontece, vamos vendo Hélio Castro Neves ganhando na terra deles. Este sim sabe pilotar.
Tags: economia, empreendedorismo, empresas, estudo, governo, pesquisa, profissão














26 de maio de 2009 às 12:29
Oi Paulino, tudo bem?
Concordo com você, a coisa não é tão fácil assim como parece.
Mas parece que o BNDES está mudando, resta saber se isso abrange somente as grandes empresas ou eles também vão ajudar as pequenas.
Veja a matéria abaixo da Revista Exame desta quinzena:
http://portalexame.abril.com.br/revista/exame/edicoes/0943/gestao/muito-alem-balanco-469654.html
Abraços,
Mauro Ribeiro
28 de maio de 2009 às 1:37
Paulino,
concordo plenamente com você…
Aliás, é incrível como em nosso país falta incentivo em toda parte (menos para o salário você sabe de quem)…
E o governo ainda vem com conversa de aumentar a exportação de software para não sei quantos bilhões e tudo mais, como se fosse só uma questão de falar e a mágica estaria pronta.
Infelizmente, em nosso país, ainda se fala demais e se faz de menos. Se recebecemos em troca todos os impostos que pagamos, ainda o governo teria direito de exigir um monte… Mas com essa carga tributária, o governo tinha que “dar” dinheiro para os empresários sérios…
Valeu!
29 de maio de 2009 às 20:07
Concordo com o que você escreveu. Como podemos ser empreendedores se nosso próprio governo não acredita em seus filhos? Como que emprestam dinheiro para outros países e para nós não? Mas então que política é essa que só beneficia que já tem dinheiro? Acho que falta mais seriedade do governo em tratar estas questões que são tão importantes para pequenos e médios empreendedores. E também por que não da reforma tributária? Nós temos o direito de pelo menos tentar! Brasil abra os olhos!
8 de junho de 2009 às 17:37
Normal, this is Brazil.!!!! As pessoas ( governantes ) somente pensam no seu proprio bolso, a comecar dos operarios… que venderam uma imagem, mas quando estao por la…., esquecem de onde vieram ….
10 de junho de 2009 às 11:14
Concordo e afirmo que a burocracia é muito grande,a falta de incentivo para as pequenos e microempresarios é tamanha vergonha, como podemos dar empregos se não temos um incentivo, os orgãos que são responsavel, se poder dificultar e colocar a burocracia no papel é só procurar tentar fazer um emprestimo, você passa por um constrangimento de tentar ser um empreendedor,pois para isso você tem que ter bens para passar no processo seletivo deles, pois aquele bem eu vendi para começar a minha empresa. E aí como vou crescer no país que só quem tem vez, é quem tem dinheiro. Como a sra. Alessandra fala, nós temos realmente o deireito de pelo menos tentar, e fazer a diferença como empreendedor.
10 de junho de 2009 às 11:14
Tentei trazer uma idéia do Tio Sam para o Brasil que é algo simples quanto a produção porém inviavel no Brasil para quem está começando, aqueles livros lindos maravilhosos feitos com papel de primeira qualidade falando que como começar não mencionam o que teremos que deparar com grandes problemas burocráticos que há no Brasil.
Faz com que idéias se esqueçam o projetos sejam apenas projetos.
Tristeza…
20 de junho de 2009 às 10:03
Paulino,
Realmente o nosso modelo de gestão brasileiro de incentivo é restritivo e ineficaz.
Depois de 8 anos tentando entender o porque uma empresa de TI é tão frágil, tantas fecham com cheque especial negativo, decidi estudar mais.
Foi o que me motivou a fazer uma pós em finanças, risos. Já que o problema é $$ vamos estuda-lo detalhadamente.
Muitas coisas foram esclarecidas, a premissa de um plano de negócio, planejamento de fluxo de caixa, como atrair um investidor, o significado de BNDES e porque ele não atende a PME da forma que desejamos.
Que conclusão eu cheguei? +risos. Simples, sem capital inicial e um planejamento os resultados são: descapitalização a curto e médio prazo, falencia a médio prazo, dividas de longo prazo.
A solução é estudar, estudar, e nunca desanimar, sempre buscar uma solução criativa, a final somos brasucas e sempre damos um jeito.
Boa sorte pessoal!
11 de julho de 2009 às 15:26
Caro colega colunista do Imasters, por outro lado peço que dê uma olha no edital em andamento do FINEP, SEBRAE E FIERGS aqui do RS, http://www.inovapers.com.br, que funciona na modalidade de Subvenção economica, onde o governo “DÁ” dinheiro as empresas para que desenvolvam novas idéias, acho sim que o caminho é esse, pena que 99% dos empresários que precisam desse aporte, nem fiquem sabendo da sua existência.
Abraço.
20 de julho de 2009 às 12:41
Eu tenho uma boa idéia, já estudei muito ela, mais creio que será muito melhor executado fora daqui do que aqui, é estranho mais não tem jeito. Aqui não tem incentivo algum(eu pelo menos não vejo), e lá fora eu nao sei se tem, mais me parece ser mais fácil ao menos ser reconhecido pelo seu trabalho ou ao menos pela sua idéia.
23 de julho de 2009 às 15:32
Ótimo texto, Paulino!
Realmente, como tudo que acontece no Brasil, nada se faz se não compartilhar o seu pão (ou migalhas) com aqueles que são donos da “Padaria” (governo). Infelizmente estamos cansados de ouvir falar de financiamentos milionários para grandes empresas, onde só faz aumentar seus lucros numa dívida que nunca se pagará, e que quando alguma abrir concordata e pedir mais um socorro do governo, este irá correndo socorrê-la, pois nenhum governo deixaria uma empresa em que ele cansou de ajudar, vir a contribuir com a taxa de desemprego no período de seu governo.
Resumindo, nada nesse país é sério, tudo é política.
29 de julho de 2009 às 2:21
Se expressou muito bem colega, dificilmente nosso País vai mudar, seria mais lucrativo para o governo pensar em investimentos a longo prazo como muitos empresários bem sucedidos fazem. Pode até perder no começo mas quando a micro-empresa virar uma mega-empresa o governo vai ganhar mais do que o presidente dela.
29 de julho de 2009 às 12:53
Concordo com muitas das coisas, senão todas, que nosso colega expressou no artigo e acredito que temos MUITO que mudar. Nossos políticos nadam em vantagens e incentivos, enquanto nós temos que nos dividir em três para conseguir apenas sobreviver. Em compensação eu acredito que existam iniciativas não diretas, mas públicas, que estão incentivando a criação de empresas INOVADORAS. Vale levantar como exemplo as incubadoras de empresas que estão vinculadas à Universidades e apóiam os empreendedores na gestação de suas empresas. O objetivo básico é dar apoio estrutural e financeiro à empresas oriundas de idéias inovadoras nos três primeiros anos de vida das mesmas (período onde existe alto índice de mortalidade infantil nas empresas).
Além disso, a iniciativa privada, através do financiamento, está acordando para os investimentos de alto risco e alta lucratividade e saindo do marasmo e do conservadorismo excessivo na qual estamos acostumados. Nunca se teve tanto investimento nacional e estrangeiro em inovação. Basta lembrar que nos EUA, Japão a iniciativa privada tem uma participação significativa, senão majoritária, no financiamento de empresas, já que são países que se primam pela não intervenção do governo na economia (Com exceção dos últimos tempos….).
Estudei Gestão de Tecnologia e Inovação na Alemanha e este foi um dos focos de estudo no curso de mestrado. A burocracia atrapalha MUITO e o governo precisa mudar muito para gerar mais incentivos diretos e efetivos, mas existem saídas para tudo. Nenhum investidor diria “NÃO” à uma idéia inovadora com alta lucratividade, mas ele precisa ter ao menos uma garantia de que ela será executada e que sua viabilidade não existe apenas no papel. Então minha sugestão é a mesma de todos: Estude, monte protótipos, cases ou qualquer outra forma que se tiver para mostrar sua idéia é viável e dê sua cara a tapa. Basta apenas um SIM em trezentos NÃO’s para tirar sua idéia do papel.
Vale lembrar também que quando falo de inovação não estou querendo dizer apenas produtos eletrônicos e softwares. Um novo mercado, um novo serviço, um novo uso para um produto existente ou uma nova forma de gerir são considerados inovações.
Resumindo: Uma idéia boa e inovadora PODE gerar lucros, mas nenhum investidor, governo ou não, vai comprá-la ou apoiá-la facilmente se ela estiver apenas no papel. Coloque a mão na massa mostre o potencial da sua idéia que os sócios ou recursos irão surgir, mesmo que você tenha que garimpá-los. Estamos em uma época favorável ao investimento, mas nenhum investidor irá apenas entregar dinheiro a você sem garantias de lucratividade.
29 de julho de 2009 às 12:58
muito fera esse post, concordo plenamente, tenho uma empresa de desenvolvimento e minha sorte é que fechei alguns contratos grandes logo no primeiro ano, mas antes deles era assim mesmo.
29 de julho de 2009 às 19:15
Paulino,
Para ajudar uma empresa nova que crie empregos e gere inovação e porque nao pague impostos o governo do Mulla da uma banana, mas se vc quiser dinheiro pra ficar tomando cachaça no butequim e fazendo filho igual ratazanas pra isso o governo brasileiro te ta dinheiro basta pedir o bolsa-cachaça mais conhecido como bolsa familia.
Foi por essas e por outras que vazei do Brasil tem mais de um ano, e so voltapra visitar os parentes que infelizmente ficaram, BRASIL NUNCA MAIS.
30 de julho de 2009 às 11:11
Ótimo texto Paulo. Levantar grana está longe de ser fácil como deveria, mas a situação tem melhorado. A própria finep lançou nesse ano o programa prime que vai dar subvenção de R$ 120.000/ano pra empresas inovadoras. A exigencia é justamente o que vc mencionou, a empresa submete a idéia/plano de negócio simplificando, faz um curso de formação em empreendedorismo e depois submete um outro plano, que se aprovado com média acima de 6 dá direito à grana.
Se nao me engano, existem recursos pra apoiar cerca de 2.000 empresas nesse ano. Só que apenas 2.300 se inscreveram, o que mostra que mta gente gosta de reclamar, mas na hora que a oportunidade surge, poucos mexem o traseiro.
30 de julho de 2009 às 16:41
acho que os projetos brasileiros são tão infantis e mal feitos que o governo fica impossibilitado de ajudar.
Não cremos nisso, mas nossos critérios estão abaixo da média, achamos que estamos fazendo ótimas coisas quando na verdade estamos fazendo coisas mediocres.
As pessoas querem montar empresas para ganharem dinheiro e só, não estão interessadas em disseminar uma cultura de auto-conhecimento e respeito, tão importantes para a sociedade. Portanto, sou totalmente contra qualquer tipo de ajuda do governo a esse tipo de empresário.
13 de agosto de 2009 às 2:29
Ótimo texto, Paulino!
Realmente, como tudo que acontece no Brasil,, este é o Motivo de grandes empresários daqui da região estar investindo Fora do país. Infelizmente estamos cansados de ouvir falar de financiamentos milionários para grandes empresas, onde só faz aumentar seus lucros numa dívida que nunca se pagará, e que quando alguma abrir concordata e pedir mais um socorro do governo, este irá correndo socorrê-la, pois nenhum governo deixaria uma empresa em que ele cansou de ajudar, vir a contribuir com a taxa de desemprego no período de seu governo.
Resumindo, nada nesse país é sério, tudo é política.