Empresas na nova era. Existem?
No final de semana passado ministrei um curso em São Paulo sobre uma ferramenta de gestão. Nele estavam algumas pessoas de órgãos governamentais que estão adotando a ferramenta, outros particulares e também outros de algumas empresas. Conversa vai, conversa vem a bola sobre os locais de trabalho apareceu em campo e com ela alguns comentários interessantíssimos sobre o que ainda é possível se encontrar em pleno Século XXI e que eu, com toda a minha ignorância, acreditava não mais existir.
Estou falando daquelas empresas que amordaçam os funcionários, acorrentam suas idéias e acreditam piamente que a ditadura é o melhor dos modelos de gestão corporativa que existe. Imagine que um dos treinandos conseguiu me deixar estarrecido (coisa rara!) com as políticas de seu local de trabalho que vão desde a proibição de acesso a sites que não sejam os escolhidos por algum pseudo-deus até mesmo a formatação do computador do usuário numa típica execução sumária. E isso ocorre não porque é instalado um software dito pirata (como os imbecis da ABES teimam em denominar), mas sim porque foi instalado um Firefox!
Diante disso, fica a pergunta: será que este cerceamento executado com vistas à organização e bom andamento do parque tecnológico da empresa realmente funciona? Será que a perda não é maior desta forma do que “liberando quase geral” o uso dos recursos? Será que faz tão mal a instalação de um Firefox?
Mais que esta pergunta, fica a dúvida se esta empresa está mesmo no Século XXI. Não me lembro de ter visto isso em nenhuma das que passei em nível tão acintoso. Claro, políticas e processos devem existir para o bom andamento de qualquer trabalho, mas daí a arrancar a marreta da mão do pedreiro é coisa de inergúmeno. Ou tirar a permissão de instalação ou solicitação para instalação de ambientes de testes não é a mesma coisa?
Já foi provado que produtividade está diretamente ligada a liberdade. Quanto mais feliz o colaborador ou funcionário, melhor o mesmo executa suas tarefas, tanto em rapidez quanto em qualidade. E isso passa desde um bom salário até mesmo as condições de uso de computadores e recursos. Para a execução de uma tarefa não é somente necessário um bom profissional, mas principalmente um funcionário motivado e com vontade de fazer o necessário. E se isso não ocorre, cedo ou tarde o ambiente se torna algo como um paiol ao lado de uma fogueira. Mais dia, menos dia, a coisa toda explode e leva consigo quem estiver por perto. E mesmo assim ainda tem gente que não acredita nisso… em pleno Século XXI. Coisas da vida não?
PS: estive ausente todo este tempo para gerar processos que não deixem a minha empresa assim.














12 de agosto de 2009 às 9:34
Concordo em partes, porém não acho viável que os usuários possam ter acesso a quase todos os tipos de conteúdo na internet e tão pouco que possam sair instalando os softwares que desejarem, pois isso aumenta problemas que possam ser gerados no computador do usuário e consequentemente tomará mais tempo da equipe de suporte, gerando mais gastos e etc. Fora que permitir que o usuário faça downloads, com a pouca experiência, facilmente o usuário poderá comprometer a rede.
12 de agosto de 2009 às 10:46
É Paulino, infelizmente isso ainda pode se encontrar hoje em dia, e se vacilar até com mais frequencia do que você imagina…
12 de agosto de 2009 às 10:48
Estranho você ficar estarrecido. A maioria das empresas, principalmente as comandadas por engenheiros do ITA são exatamente assim, arcaicas.
Não apenas bloqueando sites, como você mencionou, mas bloqueando qualquer coisa. Idéias, projetos para melhorar o ambiente de trabalho, processos internos para tornar as atividades diárias mais práticas, um pensamento positivo para motivar um departamento, ginástica laboral para melhorar a qualidade de vida das pessoas. Tudo é altamente burocrático, chato, tendencioso e acima de tudo, inútil.
É como se fossem reis sádicos em seus palácios, onde a diversão é satisfazer bizarrices e massagear seus egos com humilhação, exploração de funcionários e tirania.
Se você vive em um mundo de empresas altamente inovadoras e com mentalidade da Nova Era, por favor, me deixe saber quais são. Até agora, passei por 6 empresas e, sinceramente, se existem empresários arrogantes e altamente ignorantes como os que conheci, posso, sem sombra de dúvidas, gerir meu próprio negócio com sucesso garantido.
12 de agosto de 2009 às 11:18
Realmente isso é uma realidade, o jeito “Henry Ford” de ser permanece uma realidade principalmente nas chamadas empresas familiares, geralmente esboçam uma reação de mudanças no modelo administrativo apenas quando aparece algum concorrente que usa modelos de gestão contemporânea abocanhando seu público alvo, mas aí pode ser tarde demais. Mas o pior é que ainda existem professores da disciplina gestão de pessoas no ensino superior que defendem tais sandices (experiência própria no banco da faculdade), apresentando a linha punho de ferro como algo que pode ser seguido e ter exito desde que tenha consistência e uniformidade.
12 de agosto de 2009 às 12:37
Tive oportunidade de trabalhar em um ambiente assim por um tempo. Em parte a culpa é da equipe que não respeita na maioria das vezes o espaço que lhe é dado. A um tempo tinhamos um grupo de geeks que podem de dar ao luxo de abandonar o ambiente que não lhe traz os resultados esperados, a inclusão digital incluiu alguns profissionais sem rumo. A pessoa não tem idéia do que vai fazer da vida, como as profissões relacionadas a informática estão na moda, faz um curso e infecta o mercado de trabalho diminuindo os salários e a qualidade do serviço prestado. Esse grupo torna a liberdade quase que impossível. Ex: tenta controlar uma equipe de 50 operadores de teleatendimento sem restringir acesso para ver o resultado.
13 de agosto de 2009 às 11:13
“Sabe por quê nós não deixamos as máquinas 100%? Porque enquanto elas estiverem com problemas e limitações, nosso emprego está garantido.”
Foi o que ouvi de um profissional de TI quando foi preciso formatar a máquina que utilizo na empresa e reinstalar softwares como Photoshop, Illustrator e Dreamweaver para dar continuidade à um site.
Ou seja, a mentalidade desse departamento de TI é garantir sua existência, complicando a situação profissional de outras pessoas. Pessoas que têm prazos a cumprir, que são cobradas por excelência na execução de um trabalho.
O pior é que essa mentalidade era solicitação do próprio dono da empresa, que tinha o responsável pelo depto de TI como seu melhor amigo. :S
17 de agosto de 2009 às 1:34
Boa noite! Simplesmente amei a abordagem… Muito bem falado! Direto e reto!
Parabéns!
31 de agosto de 2009 às 13:45
Pior de tudo são os “Gerentes” de redes que se acham semi-Deuses e que ficam o tempo todo barrando o desenvolvimento das atividades internas. Aqui onde trabalho este sujeito, profissional não age assim, teve a coragem de dizer que não poderia limitar o acesso à determinados sites utilizando o IP da máquina e que por isto todas as márquinas tem a mesma regra.
Eu sou analista de sistema, e coordeno a equipe de desenvolvimento, que por esta “impossibilidade” de regras diferentes fica totalmente travada, uma simples dúvida que venha a surgiu não pode ser pesquisada no Google porque tal endereço é barrado.
Fazer o que né?, Quem mandou estudar e passar em concurso público? Deveria ter me candidatado a algum cargo eletivo, o esforço seria bem menor, e ganharia mais.