.  Paulino Michelazzo

Paulino Michelazzo
Paulino Michelazzo CMS Expert e Escritor Técnico

Escritor por DNA, programador por opção e vivenciando a Internet desde 1995, é diretor da Fábrica Livre, empresa especializada em soluções para a Internet com ferramentas de gestão livres.

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Pede prá sair

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Você já assistiu aquele clássico do “terror cinco da tarde” A Volta dos Mortos-Vivos? Pois este é um caso de um que teima em levantar da tumba.

Está acontecendo na Internet uma “operação limpeza” que deixaria a lavagem das escadarias da Igreja do Bonfim no chinelo. Desenvolvedores de todo o mundo levantaram a bandeira e muita gente apoiou a causa: a morte do navegador Internet Explorer versão 6. Desta vez não é por questões políticas ou de ódio eterno a empresa, mas porque ninguém mais aguenta este morto-vivo perambulando. Lançado em 2001 (meu Deus!!!) ele ainda insiste em ficar vagando pela Internet tirando o sono de todos aqueles que querem melhorar a web. Por não acompanhar os padrões atuais e principalmente gerar um trabalho redobrado para que desenvolve para a web, a melhor opção é o R.I.P (descanse em paz).

Nesta semana os maiores sites noruegueses tiraram suas BFG-9000 do armário e começaram o extermínio do navegador tal qual o iMasters aqui no Brasil já faz há algum tempo. Em outros países a campanha corre solta como na Alemanha, França e Austrália.

Mas o interessante é que a própria produtora do IE6 não aguenta mais sua aberração. Em declaração ao site de notícias norueguês Teknisk Ukeblad, uma representante da empresa diz: “Obviamente nós esperamos que nossos usuários siga-nos no upgrade para a versão 7.” Seria o IE 6 aquele filho perdido que ninguém mais aguenta? Pelo menos para nós que trabalhamos para a web, sim.

Quer participar também? Clique aqui e veja como. Se quiser saber mais sobre a campanha, clique aqui (em inglês). A Internet agradece.

Dicas para o carnaval de um nerd

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Muito bem, está chegando uma das datas mais odiadas pelos nerds. O carnaval.

Sim, nerd odeia carnaval porque acha uma besteira perder seu seriado LOST por causa das beldades seminuas no sambódromo. Nerd não gosta de beldade. Nerd que é nerd gosta é de computador e… LOST. Tudo bem, podemos variar. Gosta de Heroes e claro, The Big Bang Theory.

Nerd também não gosta da baderna do carnaval da mesma forma que não admite ouvir que sua mesa é bagunçada. Nunca! Nerd sempre encontra tudo o que precisa a qualquer hora do dia e da noite, tal qual McGyver, seja aquele baconzitos mucho ou ainda o pen-drive que se perdeu no meio das manchas de coca-cola.

Samba? De forma nenhuma. Nerd odeia samba! Sabe por quê? Porque samba tem ritmo, tem ginga, tem suor e nerd não conhece nada disso. Infelizmente como o samba não é binário, nerd não entende a batucada de uma bateria. No máximo ele fica calculando se vão entrar todos os integrantes dentro do recuo da avenida. Claro, usando para isto a calculadora de seu smartphone hackeado desenvolvida em Java.

Meu leitor pode pensar que o carnaval é o feriado cuja a incidência de suicídio nerd é maior. Quase. Só não perde para o Natal e para o Dia dos Namorados (por motivos óbvios).

Tentando colaborar com a comunidade nerd, listei algumas atividades que poderão ajudar os nerds neste período difícil. Eis a lista:

  • Caminhada no sambódromo com uma lata de pringles conectada no laptop. Para a busca de redes wi-fi abertas;
  • PowerBall pendurada no pescoço como abadá (vai dar um torcicolo);
  • Pen-drive de 8GB na lan-house da esquina (que vai estar aberta) para download de músicas não carnavalescas (pode-se usar a variante de um disco externo para download do último capítulo da série preferida).
  • Campeonato de Wii (ou X-Box ou PS3…) com DVD pirata e console hackeado recheado de garrafas de coca-cola de 3 litros;
  • Trocar o wallpaper do desktop para negro (fica parecendo mulata do Sargentelli);
  • Trocar o neon do casemod para verde-e-rosa (ou azul e branco ou…);

Infelizmente não tenho mais indicações para a folia nerd. Se alguém possui sugestões, por favor, comente abaixo.

Bom carnaval.

Campus Party ou Crazy Party?

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Estive hoje na Campus Party em São Paulo, evento realizado pela segunda vez no Brasil e que está reunindo mais de cinco mil… malucos nas margens da Rodovia dos Imigrantes.

Digo malucos porque nas três horas que passei dentro do evento vi de tudo; nerds de todas as idades com seus computadores a tiracolo (não estou falando de laptops, são computadores mesmo!), casemods, tatuagens, piercings, colchonetes, barracas (a rodo!), cabelos de todas as cores e até mesmo dois espécimes saídos diretamente da revista Playboy passeando pelo evento com suas roupas sumárias (ou seria excesso de pele?).

Isso não quer dizer que nada! Claro que não, mas via de regra não entendia muito o que as pessoas iam lá fazer. Sair do interior da Bahia para São Paulo com computador, teclado, mouse, monitor e mais um monte de coisas para ter acesso à rede com uma conexão de 10Gbps? Só para isso? Estranho. Tá bom, sei que a maioria não tem acesso à Internet numa velocidade tão grande mas todo este sacrifício vale a pena? Fiquei me questionando durante a maior parte do tempo até que caiu a ficha: a Campus Party não é um evento, mas sim uma rebelião das tribos que lá estão. Computeiros, amantes do software livre, trupe da inclusão digital e todo o tipo de “sociedade alternativa” digital se encontra num espaço multidisciplinar para hackear a rede e levá-la aos limites.

Tim Bernes-Lee, o criador da Internet, certamente vai ficar abestado com o que o Campus Party Made In Brazil é capaz de fazer. Lá dentro milhares de jovens se misturam numa verdadeira salada de cores e vozes para mostrar ao mundo que muito pode ser feito quando todos estão juntos, mesmo que muitos dos que lá estão ainda não entendem o movimento mas certamente irão se lembrar desta festa grandiosa e principalmente usar o que lá aprenderam por toda a vida: a troca de experiências e a capacidade do “um por todos e todos por um”.

Senti na pele em vários momentos a força da garotada. Garotos que pouco pêlo na cara tem falando sobre coisas como a posse de Obama ou os últimos lançamentos de games. Alguns com menos de 15 anos fazendo miséria no código livre e apresentando todo o potencial desta nova geração smartmedia. Uma sensação que somente aquele que lá está pode descrever.

Além disso tive a oportunidade de rever vários amigos; Sérgio Amadeu (continua baixinho), Mário Teza, o representante brasileiro na ICANN, maddog (como sempre, uma paz em pessoa) e a velha guarda capixaba. Uma festa!

No final, saí cantarolando duas músicas que sempre levo comigo no iPhone: Sociedade Alternativa e Tente Outra Vez, ambas do mestre Raul Seixas que certamente está pulando de alegria no reino dos céus em ver uma baderna tão organizada quanto esta. E de seus versos vem o que mais pode expressar a Campus Party: viva, viva a sociedade alternativa.

Cada macaco no seu galho

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

No último final de semana estive no Rio de Janeiro palestrando no 1° Encontro de TI, um evento bem organizado (parabéns aos organizadores) e cuja participação, em sua maioria, era de profissionais de criação web. Num dado momento defendi o ponto de vista que designers não devem tentar entrar na praia de desenvolvimento e desenvolvedores não devem tentar nadar nas águas do design. São duas coisas tão diferentes quanto uma garrafa PET e uma garrafa de vidro. Não é porque são garrafas que são iguais. Entre um garrafa plástica e uma de vidro existem diferenças atômicas e astronômicas.

Claro, como costumeiro em minhas declarações, muita gente não gostou e achou que sou louco (e sou). Se louco sou, então o que dizer daqueles que dividiram as profissões de arquiteto e engenheiro ou ainda a medicina com suas dezenas de área diferentes? Quem você escolheria para operar seu coração: Ivo Pitanguy ou Adib Jatene?

O mesmo ocorre na web. Designers tem uma formação totalmente diferente de um desenvolvedor e trabalham com áreas diferentes do cérebro. Enquanto o primeiro aprende a harmonia de cores e as regras para uma boa apresentação de conteúdo, o segundo aprende algorítimos e linguagens. Um usa o lado mais criativo do cérebro enquanto outro, o lado mais matemático ou exato. Acredite, isso existe e é verdadeiro.

Sem dúvida alguns leitores vão dizer: “mas é possível aprender as duas coisas”. Claro que é; é possível aprender e também se tornar medíocre nas duas. Um designer não será um desenvolvedor tão bom ou melhor que eu. Da mesma forma nunca serei um designer premiado pois nem mesmo bolas rendondas ou quadrados quadrados sei fazer. Misturar cores para mim é tão perfeito quanto é para uma criança no maternal. Em compensação, lógica de programação é algo que faço de olhos vendados. Como não desejo ser medíocre em ambas as áreas, escolhi aquela que me afinizo e nela sou especialista, não sendo um “generalista” como a maioria hoje em dia quer ser.

A mistureba de funções
“O mercado exige a polivalência”. Não existe mentira mais descarada do que essa. O mercado não exige polivalência; ele exige qualidade, preço justo e soluções funcionais, não importando inclusive se a solução está sendo desenvolvida na Av. Berrini em São Paulo ou em algum buraco de Cebu nas Filipinas. Então, a grande verdade sobre a polivalência é que a maioria dos que chutam com as duas não querem partilhar o bolo, mas sim comê-lo sozinho e curtir depois a caganeira em seu vaso banhado a ouro. Estes não passam de medíocres em ambas as áreas (se fossem bom, seriam Leonardo Da Vinci) que procuram uma forma qualquer de se defender da falta de profundidade.

Ivo Pitanguy não se tornou o mago do bisturi para todas as maiores beldades do mundo por acaso. Ele é especialista no que faz porque só faz isso, nada mais, nada menos. Mas como todo médico ele cursou seus anos de residência, aprendeu sobre anatomia, sistemas muscular, respiratório, nervoso e etc. Isso tudo faz parte de sua área mas não é seu foco. Seu foco é a cirurgia plástica que, de uma forma ou de outra precisa das outras áreas da medicina para ser executada. E o que faz então o grande mago? Mantém uma equipe multidisciplinar de especialistas em cada uma das áreas que precisa numa operação.

Já do outro lado da balança estão os cirurgiões plásticos mambembes que fazem de tudo um pouco; desde clínica geral até a troca de um nariz em suaves parcelas mensais, sendo inclusive motivo de riso até para Oprah Winfrey. Qual o melhor entre o mambembe e o Pitanguy? Quem tem Naomi Campbel em sua mesa, claro.

Esta analogia cabe como uma luva para a criação web. A grande maioria das agências de criação não possuem nada além do mínimo necessário de expertise tecnológico dentro de seus quadros. Elas possuem as melhores mentes criativas mas não os melhores profissionais de tecnologia. Estes são terceirizados para cada uma das necessidades pontuais que demandam com o intuito de terem tempo para seu core business que é a criação. Isto acontece por dois motivos: custo e especialização. É muito mais barato contratar uma empresa que já domina uma determinada tecnologia do que formá-la dentro de casa e que nunca será tão especialista como a contratada. A soma das duas pontas resulta num projeto campeão, sempre.

Certamente tanto o designer quanto o desenvolvedor podem e devem conhecer algo de áreas correlatas. O pessoal de criação deve saber quais são as limitações existentes na Internet para suas criações e desenvolvedores devem ao menos fazer uma imagem de letras grandes e brancas num fundo preto. Além de coisas triviais é perda de tempo, dinheiro e principalmente, neurônios.

Seja o melhor no que faz
Outra desculpa esfarrapada daquele que assovia, chupa cana e ainda frita pastel ao mesmo tempo é a empregabilidade. Teme-se que sendo especialista não terá vez e simplesmente será tragado pelo mercado. Voltando a analogia, pense nos seguintes nomes: Nizan Guanaes, Paulo Henrique Amorim, Gisele Bundchen e o padeiro da esquina. Cada um deles é especialista numa área e dela não saem. Alguns chegam ao ponto de serem especialistas dentro de área de suas profissões, como é o caso do Amorim que não poderia ser um jornalista esportivo e tampouco Luciano do Valle, um comentarista econômico. Estão desempregados? Pelo contrário, são cotados a peso de ouro por serem os melhores de suas áreas.

Dito isso, o especialista precisa antes de tudo, saber o que quer e principalmente ter tesão em fazê-lo. Se ele descobre o santo graal e estuda, vai fundo, conhece, discute, troca informações, enfim, “especializa-se” naquilo, trabalho não irá faltar. Quando se especializa, se torna referência e referências são cobradas e cada vez mais caras.

Obviamente que existem os que não querem ou não podem pagar um especialista. Neste momento, cabe a este a decisão de querer ou não atender aquele que paga o valor de um generalista para um especialista. O mercado funciona assim desde sempre e quem decide é quem está vendendo a especialização, não quem está comprando. Se o macaco ficar em seu galho e souber tudo sobre ele, não irão faltar situações onde aquele galho é o melhor e então, neste momento, aquele macaco se dará melhor.

Pense a respeito.

CMS’s livres em Sampa e no Rio

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Amanhã começa em São Paulo o 1 Encontro de TI e dois dias depois é a vez do Rio de Janeiro receber a mesma tropa. O evento é voltado para programadores, designers, administradores, gerentes e todo o tipo de índio destas tribos.

E este que vos fala estará nas duas cidades participando do Debate CMS’s Livres: Wordpress x Joomla x Drupal onde estarei “defendendo” o CMS bi-campeão do mundo na preferência dos eleitorado desenvolvedor e usuário. Digo defendendo porque aqui na Fábrica trabalhamos tanto com o campeão quanto com o vice da mesma forma: sempre fazendo o show acontecer.

Não perca, vai ser muito bacana. Maiores infos no site oficial clicando-se aqui.


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