.  Paulino Michelazzo

Paulino Michelazzo
Paulino Michelazzo CMS Expert e Escritor Técnico

Escritor por DNA, programador por opção e vivenciando a Internet desde 1995, é diretor da Fábrica Livre, empresa especializada em soluções para a Internet com ferramentas de gestão livres.

Arquivo da Categoria ‘Internet’

Speedy faz mal para empregos

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

imagem via http://www.administradores.com.br/artigos/telefonica_segue_descendo_a_ladeira_da_competencia/30089/A história do Speedy, serviço de banda larga da Telefonica em São Paulo é digna das comédias gregas. De um lado, milhares de consumidores lesados pelos maus serviços prestados; de outro, um ministro global que ainda acredita estar fazendo reportagens para o jornal dominical e de outro, um poderoso conglomerado de comunicação que usa todos os meios possíveis para continuar suas abusivas práticas sobre os mais fracos (leia-se “nós”).

Como a pressão sobre o governo para encerrar o “castigo” de ficarem sem comercializar seu serviço de banda larga (que de largo só tem o preço), a companhia espanhola apelou esta semana para algo preocupante aos mandatários no Planalto: a popularidade do presidente Lula. Não satisfeita com as proibições impostas pela Anatel, a companhia iniciou uma campanha afirmando que caso o embargo continue, é possível que um grande número de funcionários das empresas revendedoras de seus serviços sejam demitidos por falta do que fazer. Num cenário de pré-eleição presidencial, a remota possibilidade de algo assim acontecer mobiliza dezenas de batedores governamentais para que o assunto seja resolvido o quanto antes; popularidade de presidente é algo que não se mexe quando está bem, seja pelo motivo que for.

E como a grande maioria dos casos brasileiros, este será mais um daqueles onde o consumidor fica sentado no banco da praça vendo os que possuem mais força se lambuzando com o bolo. Que o Speedy é serviço parco todo mundo já sabia; que o governo é fraco para corrigir o rumo do que está errado também é sabido, mas que vale até chantagem baixa de empresa privada neste jogo, esta é nova.

Enquanto isso, até mesmo paisecos como Letônia, Lituânia e Eslovênia possuem serviços melhores que o nosso. “Ó mundo cruel!”

A informática que assassina o português

sexta-feira, 8 de maio de 2009

“Depois de taguear todo este conteúdo, vou printar e se estiver certo, preciso upar para o servidor e deixar para todos downloadar”

Quem já não leu coisas similares? Claro, todos nós que estamos diariamente na Internet nos deparamos com aberrações como estas. Mais que um simples erro ortográfico ou gramatical, um assassinato. Não, na verdade, um latrocínio pois rouba a beleza do idioma e o mata numa pancada só.

Dizem os mais jovens ou mais modernos ou ainda os mais “descolados” (estavam colados onde?) que crimes como estes são realizados em nome da velocidade. Já que a Internet é muito rápida, é necessário também escrever rapidamente e por isso monstros advindos das profundezas são gerados aos milhares todos os dias. Mais que isso, até mesmo a imprensa, aquela que deveria formar e informar aproveita-se da onda e descaradamente destrói a língua. O que não entendo é a desculpa. Para escrever uma página inteira eu gasto cerca de 4 minutos de teclado e não preciso ser um criminoso para tal. Somente pratico. E os demais? Ocupados em escrever tudo, mas nada.

Vc, tbem, bjo e outras palavras que fazem parte de nosso idioma são sumariamente sitetizadas em duas ou no máximo três letras. Tudo por causa da vagabundagem imposta as mãos e por tabela, aos cérebros. Se sintetiza a palavra, por certo vai sintetizar o pensamento e fatalmente em pouco tempo, vai aproveitar para falar desta forma. Então fico imaginando a geração “Wii” dentro de quinze anos em uma conversa social. Pior, hilário será a leitura de uma carta de amor: “mina, nois precisamo viaja pq tbem tem aquele lance q vc falou da city. Bjo, Ti amo d+” Coitado de Camões, está rolando na tumba.

Mas peraí! Não é este o português falado nas ruas? Nas baladas, na night? Se for, coitado d’eu que vou ficar na clausura por mais algumas décadas. Certamente seria mais fácil falar com um chinês do que entender as abstrações do dia-a-dia. Neste momento penso que a revisão ortográfica pecou. Deveria criar uma classe adicional de verbos que englobaria todas as possíveis variantes de substantivos que magicamente mudaram de rumo. Assim ao menos nivelaríamos em todos os países de mesma língua.

Mas como já dizia amigo meu, herrar é umano, ops, nos dias de hoje, é “umanu”!, certu?

O fenômeno do marketing on-line

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Ok, a família corinthiana está em festa. Depois de ver seu time no buraco da segunda divisão, dá a volta por cima e arremata o paulistão 2009 invicto, algo que não acontecia desde 1938. Mas o que tem a ver o Corinthians com o marketing? Tudo, acredite.

Primeiro, na queda para a segunda divisão, aproveitaram a fatídica “estada”, ganharam o campeonato e voltaram dizendo que até este título tinham na prateleira, uma sacada de marketing inteligente que se aproveitou da situação para engordar os cometários gratuitos sobre o time.

Mas a maior delas certamente foi trazer Ronaldo, o afamado fenômeno para dentro do clube. Meio em baixa, muitos acharam que era uma loucura desvairada trazer o jogador a peso de ouro (mais caro pelos quilos a mais) para que não fizesse nada ou pouco fizesse. Não importa realmente isso. Somente o nome do jogador dentro do time resultou num marketing gratuito espetacular para o clube, fosse em exposição da marca, fosse em comentários nos jornais, revistas, tv, rádio e Internet. Nem precisava jogar realmente. Se ficasse somente no banco já seria lucro para o time.

Algumas companhias são especialistas neste tipo de marketing. Uma das mais conhecidas é a Apple com seus mega-lançamentos de tempos em tempos. Com as nóias de Steve Jobs que esconde detalhes de novos produtos como os EUA vigiam suas fronteiras, a companhia lucra absurdamente com o marketing gratuito advindo de suas campanhas. Estima-se que o lançamento do iPod em 2001 rendeu algo em torno de 400 milhões de dólares sem que fosse mexida uma única palha. O mesmo caminho trilhou o Yahoo ano passado quando trocou sua home usando como anúncio que iria fazer um eclipse no Brasil. Obviamente uma piada mas que trouxe muito barulho para seu novo lançamento.

E no último final de semana me deparei com outra genialidade marqueteira. A companhia de seguros Mapfre lançou uma promoção fazendo analogia com aquele motorista denominado “barbeiro”. De muito bom gosto, a campanha leva o internauta a querer participar ou, no mínimo, conhecer o maior barbeiro do Brasil, trazendo inclusive o desejo de conhecer um pouco mais sobre a empresa, objetivo final do hotsite.

Com fenômenos ou não, a Internet permite que todo o tipo de idéia atinja o consumidor, bastando ter tanta genialidade quanto quem tem o dom da bola nos pés.

Como nós e o Pirate Bay perdemos

segunda-feira, 20 de abril de 2009

The Pirate Bay on the seaEra esperada a condenação dos caras. Somente aquele cego ou aquele que não quer ver (que é pior que o cego) acreditava que eles seriam absolvidos. Ao contrário da grande maioria que disse ser a condenação absurda ou injusta, ela atende preceitos jurídicos e arrisco a dizer ser inclusive pequena pelo que poderiam ter recebido. Um ano de cana e alguns milhões de multa? Pouco pelo que fazem.

A afirmação usada nas alegações dentro do tribunal que são somente um indexador de conteúdo existente em outros locais da rede não colou e não colaria mesmo. Desculpe-me mas o The Pirate Bay não é um Google. Ele é uma ferramenta que conduz as pessoas para cometerem “crimes” contra o copyright de empresas detentoras dos mesmos e fazer esta comparação é o mesmo de afirmar que a indústria de armas não pode ser culpada pelas milhares de mortes em todo o mundo. Sim, ela tem sua grande parcela de culpa mesmo não sendo quem puxa o gatilho. O exemplo cabe para o The Pirate Bay; não são o fim mas um meio para o fim.

Eu, você, os quatro condenados e todos os que usam os servidores deles sabem no fundo qual o verdadeiro propósito da ferramenta. Será que não estamos querendo jogar a sujeira para baixo do tapete só porque ela está do nosso lado? Será que nossos berros e comentários estão sendo realizados não pela condenação, mas sim por não termos conseguido mudar as regras do jogo? Será que não deveria ter sido este o foco da defesa deles, e nossa também?

Penso que o pecado cometido está neste sentido. Não sou advogado e tampouco conhecedor profundo dos sistemas judiciários nacionais e/ou suecos, mas em minha santa ignorância creio que a discussão deveria ser levada no patamar da defesa da liberdade de expressão e compartilhamento que tanto desejamos. Lá estava sendo julgado um serviço, uma ferramenta e não uma idéia, um desejo, uma ideologia. Sendo assim, acredito que as empresas e associações aproveitaram-se de exemplos como da indústria de armas para criar uma “jurisprudência” ao assunto e conseguir a condenação. Jogada esperta de quem está neste campeonato há muito tempo.

Outro erro foi acreditar que os braços destas mesmas associações e empresas não seriam tão longos para chegar a justiça de um país liberal e correto como a Suécia. Em minha humilde opinião, somente em países onde não existem leis, na Antártida de na Lua seria possível ganhar uma ação contra eles. Como tentáculos de polvos, vão até onde pouco imaginamos e não foi diferente desta vez.

Mas não foi tudo perdido, ao contrário, muito foi ganho. O P2P saiu-se mais forte desta condenação, mais conteúdo será indexado e disponibilizado na web, mais “piratas” nascerão em toda a rede e abiru-se uma porta importante para a discussão deste assunto em outras esferas em todo o mundo. Poderemos agora usar as mesmas armas com as quais eles foram condenados para atacar o outro lado onde, tal como a indústria de armas, a indústria de copyright é culpada pelo cerceamento do conhecimento em todo o mundo, mesmo sendo somente o meio para um fim.

Microsoft contra todos, todos contra um

sexta-feira, 17 de abril de 2009

livroE a coisa tá ficando feia para a Microsoft. Lá no velho continente mais de três grandes mosqueteiros resolveram abraçar a causa e entrar na briga contra a gigante do software. Desta vez, IBM, Oracle, Nokia, Fundação Mozilla e Google se unem na briga antitruste dentro da Comissão Européia por causa de seu navegador, Internet Explorer.

Mas caro leitor, não pense que a união dos gigantes ocorre porque se amam ou ainda porque possuem algum tipo de birra com a Microsoft; nada disso. O buraco é muito mais embaixo desta vez. Em jogo bilhões de dólares dos novos serviços e soluções que estão sendo levados paulatinamente para a Internet. Cloud computing, ASP e dezenas de opções on-line fazem com que o mercado volte seus olhos para a rede e esta torne-se um campo fértil para abocanhar mais algumas verdinhas.

E o que tem a ver a Microsoft com isso? Bem, como sistema operacional dominante e trazendo embutido um navegador de Internet, já é possível imaginar quem sai na frente nesta corrida. Como principal ferramenta de trabalho, o navegador será peça primordial nesta disputa e isso os grandões não querem. Desejam que a MS faça de duas uma: ou tire o navegador de seu sistema operacional ou que inclua outras três opções dentro: Firefox, Chrome e Opera. Sinceramente, acho que vai dar água.

Já sei, alguns vão perguntar; “e a Apple e seu Safari?” Honestamente penso que Jobs está nem aí para isso tudo. Ele já tem o iPhone e com um treco destes na mão, para que ficar correndo atrás de migalhas (grandes, claro)?

Banda larga na tomada e WiMAX no céu. Para quem são?

terça-feira, 14 de abril de 2009

tomadaDepois do mais novo caos do Speedy paulista, muitos olhos se voltaram para algo que poderia ser a salvação da lavoura de milhares de internautas usuários de linhas DSL brasileiras, as chamadas “banda largas”. Trata-se de uma tecnologia que está engatinhando em nosso país mas que em alguns lugares do mundo já está presente em maior ou menor grau no cotidiano dos consumidores. Falo da banda larga via energia elétrica; ou melhor, via cabos que conduzem energia elétrica (BPL - Broadband over Power Lines).

Esta tecnologia poderia de fato ser um divisor de águas no lixão que são as comunicações de alta velocidade brasileiras devido a grande penetração da malha elétrica em nosso país (cerca de 97%), mas existem poréns técnicos e principalmente políticos no assunto. E lendo a entrevista do secretário da SLTI do Ministério do Planejamento, Rogério Santanna ao site Convergência Digital, o segundo “porém” fica um pouco mais em evidência principalmente quando comenta-se o interesse principal das companhias em usar a tecnologia não para prover mais um serviço (que inclusive poderia custear a melhoria da malha distribuidora que o próprio secretário diz ser de baixa qualidade), mas sim como “fiscal de gatos”, tão comuns em vários grandes centros brasileiros.

Explico: o principal foco da tecnologia para as empresas de energia não é o serviço de banda larga, mas sim o uso da tecnologia para verificar se os consumidores estão pagando suas contas direitinho e, se não, fazer um corte à distância. Convenhamos, é uma causa nobre pois as perdas para as companhias beira o absurdo mas também cabe a pergunta: com a redução dos furtos de energia, redução de pessoal das equipes de corte e de leitura e emissão de notas de energia, será que poderemos receber como presente uma redução nos valores da conta? Particularmente duvido e deu dó.

Se a tecnologia não estará à serviço da população, que diacho tanto se estuda e tanto se faz lobby na capital federal para que a regulamentação saia logo? Algum interesse escuso no processo todo? E qual é o problema da Anatel com a tecnologia WiMAX que não decola nem com reza brava, sendo mais fácil falar com Deus do que homologar e certificar equipamentos que poderiam reduzir os problemas de saturação dos serviços e dar novas opções para os consumidores de banda larga, tv por assinatura e telefonia? Seriam dois pesos e duas medidas?

Toda esta história afunila sempre no mesmo buraco; o usuário que senta, reza e tenta a qualquer custo fazer parte do mundo cibernético, mesmo pagando uma das conexões mais caras do planeta e de pior qualidade. Acredite, nem mesmo em Timor Leste a coisa é tão ruim.

Twitter; seguir quem?

domingo, 12 de abril de 2009

twitter_buttonO Twitter é sem sombra de dúvidas uma ferramenta interessante. Interessante e estressante. Alguns como eu “seguem” meia dúzia de pessoas ou negócios enquanto outros se drogam e não conseguem largar a ferramentinha digital. Puro bisbilhoterismo cibernético; nada mais que isso.

Tenho como regra ler aquilo que realmente me interessa; algumas pessoas com tutano, notícias sobre alguns eventos e nada mais. Não sigo alguém que posta mais de dez twitt’s por dia. Normalmente pssoas assim não tem o que falar e ficam no cut and paste das baboseiras diárias da Internet. Saber do Obama? Para quê? O que vai acrescentar à mim descobrir o nome do novo cachorro do presidente americano? Tanto quanto a descoberta de um fóssil no meio da ilha de Franz Joseph Land ou seja, coisa nenhuma.

O interessante é saber que existem aqueles dedicando grande parte de seu tempo à leitura de centenas de posts diários na expectativa de descobrirem algo novo. Mas se novo o é, já foi descoberto por outrem que lá postou. Desta forma, no mínimo és o segundo.

Tudo isso não quer dizer que a ferramenta seja inútil. De forma nenhuma digo isso. Ela somente precisa ser usada com cautela e na dose certa, caso contrário vira vício e dependência. Para empresas, o serviço é uma nova forma de se conectar com seus usuários e/ou clientes (ooo Telefônica, aprende aí ó) rapidamente e com clareza. Para quem tem algo a dizer, um grande amplificador valvulado que reverbera as ondas do conhecimento para todos os lados. Enfim, tem sua utilidade no espaço cibernético; basta saber usar.

Lei Azeredo versão maori

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Se você pensa que somente no Brasil existem pessoas com idéias estranhas ou de resultado duvidoso, reveja seus conceitos. Lá na Nova Zelândia também acontece a mesma coisa quando o assunto é Internet.

Está em curso a alteração da lei de copyright da Nova Zelândia que só não é mais bizarra que o projeto tupiniquim do senador Azeredo por um pequeno fato: ela estaria em vigor a partir de 28/02/2009. Como lá a “coisa funciona” quando o barulho é grande e aqui não, esta é a única diferença pois no restante, o mesmo absurdo.

Reza a nova redação da lei neozelandesa que os provedores de Internet podem, a qualquer tempo, desconectar usuários suspeitos de estar compartilhando arquivos simplesmente baseados numa acusação de qualquer um. Sem processo, sem acusação formal, sem nada. Você manda um e-mail acusando seu vizinho e pronto, lá está ele sem Internet.

Para entender um pouco do quão problemática é esta atitude, imagine uma escola ou hospital que teve seus sistemas infectados por um vírus ou trojan. De um minuto para outro os computadores destes estabelecimentos começam a compartilhar e enviar arquivos para outras máquinas. A partir deste momento, mesmo que o usuário nem imagine o problema, ele poderá ser desconectado e acusado de pirataria. Insano!

Este cenário de execução sumária pode ser visto também em outras épocas da história humana, tal com os nazistas, com a ditadura brasileira ou com a inquisição. Muda-se a época e o objetivo mas o método continua o mesmo: calar a qualquer preço aquele que quer falar o que for.

A comunidade digital dos kiwis alavancada pela organização Creative Freedom já colocou a boca no trombone, está recebendo apoio do mundo todo e  já conseguiu uma expressiva vitória no parlamento das ilhas postergando a entrada em vigor do ato. Mas aqui… continua seu Azeredo, azedo com a possibilidade de seu projeto não vingar e sinceramente espero que esta notícia não seja lida por sua assessoria. É possível que viagem à Oceania para ter algumas aulas do outro lado do mundo de como fazer certo a coisa errada.

Internet abre espaço para qualquer negócio

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Ninguém duvida da força econômica da Internet. Devido sua penetração em lares de todos os cantos do mundo, ela é uma vitrine viva, um verdadeiro shopping center onde podem ser encontrados produtos e serviços de todos os tipos.

Particularmente uso a Internet para quase tudo. Desde o envio de correspondências tradicionais (via Disque Coleta dos Correios) até a aquisição de um ingresso para o cinema, é pouco o que ainda faço das formas tradicionais. Isso não quer dizer que eu seja um “vendido” para a tecnologia. Não. Somente acho mais coerente pagar R$ 1,50 a mais num ingresso adquirido pela rede que pegar 30 minutos de fila na bilheteria.

Em outra via reclamam alguns que o mundo e a vida estão muito “tecnologicalizados”. É a mesma lamúria ouvida no começo da linha de montagem de Ford quando reclamavam que existiam muitos carros e também a mesma reclamação dos adeptos dos antigos LP’s com o advento do vinil. Uma choradeira enorme daqueles que não querem deixar para trás o que foi vivido e arrumam as mais impossíveis desculpas para não aceitar o novo.

Sim, estamos hoje muito “tecnologicalizados” mas isso não é algo de todo ruim. Amanhã parto para merecidas férias no Chile e saio do Brasil com carro alugado, todos os hotéis reservados, rotas já traçadas e sabendo até quais os postos de combustível vou parar a fim de não ficar no meio do deserto de Atacama com pane seca. Tudo o que precisava saber sobre o que quero ver, sentir e ouvir já pesquisei na Internet e o roteiro está pronto. Mais que isso, está atualizado graças a força da Internet. Mas e se fosse a mesma viagem há 15 anos atrás?

Qualquer um pode entrar na Internet e vender seu peixe (inclusive conheço alguns endereços que vendem peixes de ótima qualidade e entregam em casa). Com isso a concorrência aumenta, os preços caem e todos saem ganhando. Nesta mesma viagem, um carro que custaria US$ 580 dólares a semana irá me custar em outra empresa US$ 440 dólares por 15 dias. Mesmo carro, mesmas condições. Somente uma empresa menor que aproveita-se da força da Internet para se tornar tão conhecida quanto as grandes e ter seu lugar ao sol.

Prova que a Internet aceita tudo é o site norte-americano Ashley Madison. Nele, pessoas casadas podem colocar seus perfis na rede à procura de um affair, ou no português bem claro, um caso. Uma sacada genial que certamente vai enriquecer seu proprietário Noel Biderman e deixar os católicos aterrorizados (já estão). Para alguns o negócio de Biderman é considerado um pecado ou até mais que isso, um atentado aos bons costumes (quais?), mas na verdade somente prova que na Internet existe lugar para tudo, e todos.

Um outro negócio interessante foi o que conheci no Rio de Janeiro ano passado. Participando de um evento, fui apresentado para uma maquineta como as impressoras ECF ou de cartão de crédito (mais próxima desta segunda) que recebia via GPRS informações de websites para a aquisição de produtos. Com ela, até mesmo um carrinho de cachorro quente poderia receber pedidos via Internet e processar a entrega rapidamente, esteja na esquina da Paulista com a Pamplona ou em plena Avenida Atlântica.

Mas então o que falta para estas idéias sacudirem a terra do carnaval? Falta o brasileiro, povo criativo por natureza, virar empreendedor. Alguns reclamam que os custos são exorbitantes, que a burrocracia impera (isso é fato) e que é difícil. Sim, claro que é. Ou alguém acredita que Bill Gates ganhou a Microsoft de presente? Quem fica parado é poste e mesmo assim, nesta época de carnaval, tem alguns que acabam até saindo para o meio da avenida, obra de algum bêbado e seu carro.

PS: aproveitando, os posts ficam mais espaçados nos próximos 15 dias. Afinal para me desconectar do mundo “tencologicalizado” preciso ir para o meio do nada.

Pede prá sair

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Você já assistiu aquele clássico do “terror cinco da tarde” A Volta dos Mortos-Vivos? Pois este é um caso de um que teima em levantar da tumba.

Está acontecendo na Internet uma “operação limpeza” que deixaria a lavagem das escadarias da Igreja do Bonfim no chinelo. Desenvolvedores de todo o mundo levantaram a bandeira e muita gente apoiou a causa: a morte do navegador Internet Explorer versão 6. Desta vez não é por questões políticas ou de ódio eterno a empresa, mas porque ninguém mais aguenta este morto-vivo perambulando. Lançado em 2001 (meu Deus!!!) ele ainda insiste em ficar vagando pela Internet tirando o sono de todos aqueles que querem melhorar a web. Por não acompanhar os padrões atuais e principalmente gerar um trabalho redobrado para que desenvolve para a web, a melhor opção é o R.I.P (descanse em paz).

Nesta semana os maiores sites noruegueses tiraram suas BFG-9000 do armário e começaram o extermínio do navegador tal qual o iMasters aqui no Brasil já faz há algum tempo. Em outros países a campanha corre solta como na Alemanha, França e Austrália.

Mas o interessante é que a própria produtora do IE6 não aguenta mais sua aberração. Em declaração ao site de notícias norueguês Teknisk Ukeblad, uma representante da empresa diz: “Obviamente nós esperamos que nossos usuários siga-nos no upgrade para a versão 7.” Seria o IE 6 aquele filho perdido que ninguém mais aguenta? Pelo menos para nós que trabalhamos para a web, sim.

Quer participar também? Clique aqui e veja como. Se quiser saber mais sobre a campanha, clique aqui (em inglês). A Internet agradece.


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