Ninguém duvida da força econômica da Internet. Devido sua penetração em lares de todos os cantos do mundo, ela é uma vitrine viva, um verdadeiro shopping center onde podem ser encontrados produtos e serviços de todos os tipos.
Particularmente uso a Internet para quase tudo. Desde o envio de correspondências tradicionais (via Disque Coleta dos Correios) até a aquisição de um ingresso para o cinema, é pouco o que ainda faço das formas tradicionais. Isso não quer dizer que eu seja um “vendido” para a tecnologia. Não. Somente acho mais coerente pagar R$ 1,50 a mais num ingresso adquirido pela rede que pegar 30 minutos de fila na bilheteria.
Em outra via reclamam alguns que o mundo e a vida estão muito “tecnologicalizados”. É a mesma lamúria ouvida no começo da linha de montagem de Ford quando reclamavam que existiam muitos carros e também a mesma reclamação dos adeptos dos antigos LP’s com o advento do vinil. Uma choradeira enorme daqueles que não querem deixar para trás o que foi vivido e arrumam as mais impossíveis desculpas para não aceitar o novo.
Sim, estamos hoje muito “tecnologicalizados” mas isso não é algo de todo ruim. Amanhã parto para merecidas férias no Chile e saio do Brasil com carro alugado, todos os hotéis reservados, rotas já traçadas e sabendo até quais os postos de combustível vou parar a fim de não ficar no meio do deserto de Atacama com pane seca. Tudo o que precisava saber sobre o que quero ver, sentir e ouvir já pesquisei na Internet e o roteiro está pronto. Mais que isso, está atualizado graças a força da Internet. Mas e se fosse a mesma viagem há 15 anos atrás?
Qualquer um pode entrar na Internet e vender seu peixe (inclusive conheço alguns endereços que vendem peixes de ótima qualidade e entregam em casa). Com isso a concorrência aumenta, os preços caem e todos saem ganhando. Nesta mesma viagem, um carro que custaria US$ 580 dólares a semana irá me custar em outra empresa US$ 440 dólares por 15 dias. Mesmo carro, mesmas condições. Somente uma empresa menor que aproveita-se da força da Internet para se tornar tão conhecida quanto as grandes e ter seu lugar ao sol.
Prova que a Internet aceita tudo é o site norte-americano Ashley Madison. Nele, pessoas casadas podem colocar seus perfis na rede à procura de um affair, ou no português bem claro, um caso. Uma sacada genial que certamente vai enriquecer seu proprietário Noel Biderman e deixar os católicos aterrorizados (já estão). Para alguns o negócio de Biderman é considerado um pecado ou até mais que isso, um atentado aos bons costumes (quais?), mas na verdade somente prova que na Internet existe lugar para tudo, e todos.
Um outro negócio interessante foi o que conheci no Rio de Janeiro ano passado. Participando de um evento, fui apresentado para uma maquineta como as impressoras ECF ou de cartão de crédito (mais próxima desta segunda) que recebia via GPRS informações de websites para a aquisição de produtos. Com ela, até mesmo um carrinho de cachorro quente poderia receber pedidos via Internet e processar a entrega rapidamente, esteja na esquina da Paulista com a Pamplona ou em plena Avenida Atlântica.
Mas então o que falta para estas idéias sacudirem a terra do carnaval? Falta o brasileiro, povo criativo por natureza, virar empreendedor. Alguns reclamam que os custos são exorbitantes, que a burrocracia impera (isso é fato) e que é difícil. Sim, claro que é. Ou alguém acredita que Bill Gates ganhou a Microsoft de presente? Quem fica parado é poste e mesmo assim, nesta época de carnaval, tem alguns que acabam até saindo para o meio da avenida, obra de algum bêbado e seu carro.
PS: aproveitando, os posts ficam mais espaçados nos próximos 15 dias. Afinal para me desconectar do mundo “tencologicalizado” preciso ir para o meio do nada.