.  Paulino Michelazzo

Paulino Michelazzo
Paulino Michelazzo CMS Expert e Escritor Técnico

Escritor por DNA, programador por opção e vivenciando a Internet desde 1995, é diretor da Fábrica Livre, empresa especializada em soluções para a Internet com ferramentas de gestão livres.

Arquivo da Categoria ‘Internet’

Dicas para o carnaval de um nerd

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Muito bem, está chegando uma das datas mais odiadas pelos nerds. O carnaval.

Sim, nerd odeia carnaval porque acha uma besteira perder seu seriado LOST por causa das beldades seminuas no sambódromo. Nerd não gosta de beldade. Nerd que é nerd gosta é de computador e… LOST. Tudo bem, podemos variar. Gosta de Heroes e claro, The Big Bang Theory.

Nerd também não gosta da baderna do carnaval da mesma forma que não admite ouvir que sua mesa é bagunçada. Nunca! Nerd sempre encontra tudo o que precisa a qualquer hora do dia e da noite, tal qual McGyver, seja aquele baconzitos mucho ou ainda o pen-drive que se perdeu no meio das manchas de coca-cola.

Samba? De forma nenhuma. Nerd odeia samba! Sabe por quê? Porque samba tem ritmo, tem ginga, tem suor e nerd não conhece nada disso. Infelizmente como o samba não é binário, nerd não entende a batucada de uma bateria. No máximo ele fica calculando se vão entrar todos os integrantes dentro do recuo da avenida. Claro, usando para isto a calculadora de seu smartphone hackeado desenvolvida em Java.

Meu leitor pode pensar que o carnaval é o feriado cuja a incidência de suicídio nerd é maior. Quase. Só não perde para o Natal e para o Dia dos Namorados (por motivos óbvios).

Tentando colaborar com a comunidade nerd, listei algumas atividades que poderão ajudar os nerds neste período difícil. Eis a lista:

  • Caminhada no sambódromo com uma lata de pringles conectada no laptop. Para a busca de redes wi-fi abertas;
  • PowerBall pendurada no pescoço como abadá (vai dar um torcicolo);
  • Pen-drive de 8GB na lan-house da esquina (que vai estar aberta) para download de músicas não carnavalescas (pode-se usar a variante de um disco externo para download do último capítulo da série preferida).
  • Campeonato de Wii (ou X-Box ou PS3…) com DVD pirata e console hackeado recheado de garrafas de coca-cola de 3 litros;
  • Trocar o wallpaper do desktop para negro (fica parecendo mulata do Sargentelli);
  • Trocar o neon do casemod para verde-e-rosa (ou azul e branco ou…);

Infelizmente não tenho mais indicações para a folia nerd. Se alguém possui sugestões, por favor, comente abaixo.

Bom carnaval.

MacBook de platina

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Hoje fiquei impressionado com uma oferta de um grande web magazine brasileiro e ao mesmo tempo frustrado por ver meu sonho tão longe. De uma hora para outra um MacBook Pro passou de seus 2800 dólares nos EUA para “míseros” 99.999,99 reais no Brasil. Isso mesmo, noventa e nove mil, novecentos e noventa e nove reais e noventa e nove centavos; o preço de um carro importado ou de um top de linha nacional.

Fiquei pensando se isso é um erro ou seria a carga tributária brasileira. A saber…

Agradecimentos ao Thiago por esta “oferta”.

O ridículo circo de Estocolmo

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Antes de mais nada, peço desculpas aos leitores pela ausência no blog. Como estou escrevendo num capítulo para um livro da Comunidade Sol de Manaus/AM, ser micro-empresário no Brasil é tarefa de Hércules e deveria estar na bíblia ao lado da construção da arca. E este mês foi o “mês de Hércules”.

Mas depois de passada a turbulência, voltamos as mazelas. Desta vez, o circo de Estocolmo.

Esta semana começou na Suécia o processo contra o The Pirate Bay, um conhecido site cujo o trabalho é catalogar milhares de links para arquivos espalhados em todo o mundo, contendo conteúdo com ou sem copyright. Tal como o Google, seu trabalho é este e não dispor ou armazenar os arquivos.

Esquivo-me de entrar no mérito da questão se eles propiciam mecanismos para a distribuição de obras proprietárias ou não pois minha visão sobre o que é proprietário certamente iria deixar qualquer pessoa com a sombrancelha levantada. A questão é realmente aquilo que está por trás da ação: lucros vultosos que os reclamantes estão “perdendo” com esta catalogação.

Dizem eles que a ação é movida com o objetivo de “proteger os artistas”. Ora ora, pergunte a qualquer cantor, compositor ou artista de qualquer área o quanto a indústria de entretenimento protege-os. Pergunte a qualquer artista brasileiro quanto o ECAD auxilia-os em suas necessidades. Se não tem para quem perguntar, Courtney Love pode lhe dizer.

Não entendo como esta mesma indústria insiste em um modelo ultrapassado de fazer dinheiro fácil ao invés de aproveitar a tecnologia ao seu favor e trocar de cesta. Dá certo? Pergunte para o Steve Jobs e sua Apple Store se não. Ele está, mesmo doente, rindo a toa com os milhões entrando em sua caixa forte. Pergunte à você mesmo quando foi a última vez que comprou um CD. Infelizmente a ganância não permite esta visão mas sim deixa-os míopes tentando a todo custo manter o moribundo vivo…e andando.

O que estou mais gostando na história toda é o peito dos garotos do TPB. Simplesmente sentaram no banco dos réus e declararam que mesmo sendo condenados pela justiça, o site não sai do ar. Melhor ainda foi a declaração de Peter Sunde quando afirmou que caso receba alguma multa, esta vai parar na parede de sua casa, emoldurada. Certamente uma pessoa que tem coragem e não faz parte da turminha frouxa que ao receber um e-mail, retirou o site legendas.tv do ar há duas semanas.

No final deste embate vai tudo acabar em pizza tal qual no Brasil que conhecemos. Metade das acusações já foram retiradas, os advogados de acusação escrachados e o TPB vai estar, depois desta, mais forte do que nunca. Ou alguém acredita que vamos ter outra “sequência Napster”?

Campus Party ou Crazy Party?

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Estive hoje na Campus Party em São Paulo, evento realizado pela segunda vez no Brasil e que está reunindo mais de cinco mil… malucos nas margens da Rodovia dos Imigrantes.

Digo malucos porque nas três horas que passei dentro do evento vi de tudo; nerds de todas as idades com seus computadores a tiracolo (não estou falando de laptops, são computadores mesmo!), casemods, tatuagens, piercings, colchonetes, barracas (a rodo!), cabelos de todas as cores e até mesmo dois espécimes saídos diretamente da revista Playboy passeando pelo evento com suas roupas sumárias (ou seria excesso de pele?).

Isso não quer dizer que nada! Claro que não, mas via de regra não entendia muito o que as pessoas iam lá fazer. Sair do interior da Bahia para São Paulo com computador, teclado, mouse, monitor e mais um monte de coisas para ter acesso à rede com uma conexão de 10Gbps? Só para isso? Estranho. Tá bom, sei que a maioria não tem acesso à Internet numa velocidade tão grande mas todo este sacrifício vale a pena? Fiquei me questionando durante a maior parte do tempo até que caiu a ficha: a Campus Party não é um evento, mas sim uma rebelião das tribos que lá estão. Computeiros, amantes do software livre, trupe da inclusão digital e todo o tipo de “sociedade alternativa” digital se encontra num espaço multidisciplinar para hackear a rede e levá-la aos limites.

Tim Bernes-Lee, o criador da Internet, certamente vai ficar abestado com o que o Campus Party Made In Brazil é capaz de fazer. Lá dentro milhares de jovens se misturam numa verdadeira salada de cores e vozes para mostrar ao mundo que muito pode ser feito quando todos estão juntos, mesmo que muitos dos que lá estão ainda não entendem o movimento mas certamente irão se lembrar desta festa grandiosa e principalmente usar o que lá aprenderam por toda a vida: a troca de experiências e a capacidade do “um por todos e todos por um”.

Senti na pele em vários momentos a força da garotada. Garotos que pouco pêlo na cara tem falando sobre coisas como a posse de Obama ou os últimos lançamentos de games. Alguns com menos de 15 anos fazendo miséria no código livre e apresentando todo o potencial desta nova geração smartmedia. Uma sensação que somente aquele que lá está pode descrever.

Além disso tive a oportunidade de rever vários amigos; Sérgio Amadeu (continua baixinho), Mário Teza, o representante brasileiro na ICANN, maddog (como sempre, uma paz em pessoa) e a velha guarda capixaba. Uma festa!

No final, saí cantarolando duas músicas que sempre levo comigo no iPhone: Sociedade Alternativa e Tente Outra Vez, ambas do mestre Raul Seixas que certamente está pulando de alegria no reino dos céus em ver uma baderna tão organizada quanto esta. E de seus versos vem o que mais pode expressar a Campus Party: viva, viva a sociedade alternativa.

Eu adoro as “pédias”

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Sempre fui fã de livros. Tenho muitos. Dezenas. Na casa de meus velhos até hoje existe uma biblioteca imensa da qual sou efetivamente o destinatário de tudo o que lá está quando a nona se for. Gosto, leio muito e sempre tive apreço principalmente por enciclopédias.

Quando comecei a trabalhar com internet em 95, sonhava no dia que poderia ter algo parecido com uma enciclopédia digital. Até existiam algumas em CD-ROM que eram chinfrim mas quebravam um galho. Aí um belo dia um cara inventa uma chamada Wikipédia que além de conter muito mais do que uma Britannica, poderia ser editada por qualquer um de seus milhares de usuários devido ao software utilizado: um wiki.

Ela se difundiu, cresceu e arrastou junto uma legião de fãs que fizeram dela uma das melhores fontes de consulta mundiais. Mas como tudo na vida, veio também as variantes e variáveis que logo se difundiram também pela facilidade que a plataforma livre proporciona para criar e manter conteúdo da mesma forma.

Mas o que me deixa extasiado não é somente ela, mas principalmente seus derivados que muitas vezes complementam a idéia original ou ainda desviam seu foco para outras paragens. Alguns exemplos é o site Wikitravel, um verdadeiro “guia quatro rodas” mundial com tudo o que qualquer viajante precisa para conhecer desde a Quinta Avenida em Nova York até uma trilha perdida no meio da selva cambojana.

Também tem o Wikidicionario, um dicionário online com verbetes em dezenas de idiomas diferentes, até mesmo aqueles impossíveis de imaginar que existam. Tem a Wikibooks para livros, manuais e apostilas e assim por diante.

E também aquelas que são mais específicas e até mesmo as esdrúxulas como a Desciclopédia, uma versão politicamente incorreta da Wikipédia e a Conservapédia, versão extremamente reacionária da “mãezona”.

Mas o melhor veio esta semana com a WikiGP que usa o mesmo software que todas elas mas com conteúdo é para lá de diferente. O site é aberto para qualquer pessoa que se mantém com a profissão mais antiga do mundo, listando locais, custos, serviços e tudo mais. Algo inimaginável há alguns anos mas que agora está diante de seus olhos e na ponta de seus dedos.

Para fechar o chave de ouro só falta o licenciamento do sistema do Tolda para que eles(as) criem um site de leilão. Mas precisa ser reverso senão inflaciona o mercado e ninguém mais vai querer os serviços ;)

Natal “phonado”

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Ao contrário da maior parte das pessoas (principalmente das moças) não tenho o lado consumista muito afiado. Não sou de acreditar em propagandas e tampouco sinto necessidade de ter alguma coisa só pelo prazer de ter. As poucas coisas que preciso são meus passaportes, uma mochila, um tocador de mp3 e um timberland no pé para poder caminhar pelo mundo.

Mas este ano resolvi me dar um presente de natal e dos bons. Comprei um iPhone! Pois é, quem diria, aquele que pouco consome se verga ante o ícone do pecado (será que é por isso que a logo da empresa é uma maçã?). Ao contrário que pode parecer, a aquisição não teve um apelo comercial mas sim o apelo do “tudo em um” que para mim é tão fundamental que reverencio os suíços pelos seus canivetes. Melhor que a Victorinox somente o iPhone mesmo.

Paixão no primeiro “slider”
Já tinha ouvido falar, já tinha pego um na mão mas ainda não tinha sentido todo o sabor do pecado. Hoje posso afirmar que o aparelhinho pode entrar na lista dos capitais e mudar o nome do famoso filme Seven para Eight. Ele é um verdadeiro pecado mesmo para aqueles que são fanáticos por soluções livres como eu devido as peripécias que são possíveis. Logo na ativação ele já sincronizou tudo o que eu precisava do meu iMac: agenda de compromissos, contatos, calendários, músicas, e-mails, etc, etc, etc.

Tá certo, tá certo, qualquer Nokia faz a mesma coisa. Desculpe-me mas eu também pensava assim até ver a coisa funcionando. O grande barato não é o sincronismo, mas sim a integração entre aplicativos, algo fundamental no mundo digital de hoje e que a Apple faz com primazia. Quando configurei o Gmail e o dito cujo mesclou os contatos com as pessoas que já tinha em minha agenda, quase caí da cadeira. Sensacional! E as senhas do micro? Todinhas no gadget em questão de segundos.

Isso sem falar nas quinquilharias possíveis de serem instaladas. Dei uma passeada na Apple Store para verificar o “quão macho” o aparelho era. Arrumei um terminal ssh e pimba!; lá estava eu acessando um dos servidores da empresa localizados nos EUA diretamente do telefone. Ainda não contente, arrumo um terminal para Windows e a mesma coisa: a tela de um servidor de um cliente diante de meus olhos com o cursor do mouse passeando com meus dedos.

Muito disso pode ser feito em outros aparelhos sem dúvida mas a facilidade no iPhone é algo assombroso. Como deixei de lado a masturbação tecnológica há algum tempo, hardware e software que não preciso saber nada sobre eles são o que considero como a melhor invenção humana.

Passeios pelo mundo
Outra coisa legal que encontrei com o aparelho é a comunidade em volta dele. São empresas, serviços e desenvolvedores que acreditam no aparelhinho mesmo que o Jobs não vá na Macworld este ano e nunca mais. Logo de cara enfiei a Wikipédia dentro dele, o Google Earth, um sistema de tracking de vôos e aviões (que até mostrou o caos da Gol em Cumbica e no Galeão) e um “descobridor” de hotéis próximos de minha localização. Todos estes aplicativos são gratuitos ou de custo irrisório (entre 0,99 e 2 dólares) que permitem que o iPhone eleve a palavra smartphone para geniusphone.

Claro que tudo isso tem um preço que chama-se “dragão da operadora”. Ao contrário de países onde existe concorrência, no Brasil é necessário se contentar com planos de acesso estúpidos e limitados cujo o verdadeiro plano é rapelar sua conta bancária (que também pode ser acessada via iPhone) principalmente porque ele come banda sem dó. Se não tomar cuidado, vende-se o aparelho para pagar a conta.

Mas nem tudo são flores
Minha primeira frustração foram os ringtones. A Apple não me deixa pegar uma peça de minha musicoteca e convertê-la para um ringtone exceto se a música foi comprada da loja deles. Claro que este “porém” foi rapidamente contornado com um tutorial achado na web mas poderia ser mais fácil ou mais coerente.

Também tem a palhaçada da trava que o aparelho possui para ser usado somente neste ou naquela operadora, uma afronta que será resolvida no próximo dia 31 quando um grupo de hackers vão colocar na Internet toda a receita de bolo para acabar com isso.

Valeu a pena?
Opa, pode ter certeza que sim. Já passei por smartphones Nokia, Samsung e Palm, já tive agenda eletrônica de tudo que é tipo e só faltou andar com o cinto do Batman de tanta coisa dependurada. Agora consigo ter acesso ao e-mail, redes sociais, mensagens instantâneas (esqueci, de dizer, acesso MSN, Gtalk, Skype, Yahoo e não sei mais o quê diretamente), web e tudo mais o que preciso em um único aparelho. Somente faltou poder colocar dois chips nele. Quando isso acontecer, estou no céu ;)

PS: este post ainda não foi feito via iPhone porque não tenho todo o traquejo necessário no teclado mas aguarde, dentro em breve, Liberdade sem libertinagem móvel!

Crackers decepam a Amazônia

domingo, 14 de dezembro de 2008

Passou ao largo da grande mídia a notícia: empresas contratam crackers para invadir sistema governamental e esquentar o transporte de madeira fruto de desmatamento na Amazônia. Script de filme? Que nada, é pura verdade.

Lá nos idos de 2006 o governo federal teve uma idéia genial; criar um sistema que gerenciasse toda a cadeia da madeira amazônica, desde o corte até a entrega, para coibir atos de desmatamento e limpar um pouco a barra do Ibama que, com sua já famosa ineficiência crônica, não tinha (e não tem) condições de fiscalizar nem se as privadas do órgão funcionam corretamente.

A idéia seria mesmo muito boa pois removeria a corrupção do sistema em papel, reduziria fraudes e ajudaria a frear, um pouco que fosse as clareiras que abrem-se todos os dias na selva. Mas (sempre tem um “mas”) a tecnologia usada no sistema é bugada, o projeto é bugado, cada um faz o que quer. Agora, dois anos depois, o Ministério Público do estado do Pará libera detalhes de como foram “esquentados” mais de 1.7 milhão de metros cúbicos de madeira com invasões no sistema da Secretaria de Meio Ambiente do estado, responsável pelo projeto no Pará.

Crackers contratados por madereiros e carvoarias no estado enfurnaram-se no sistema de gestão do fluxo da madeira e alteraram os dados das empresas (mais de 100), permitindo que cada uma delas transportasse mais do que a cota destinada. História que podemos ver em alguns filmes hollywoodianos mas que está acontecendo lá no norte do Brasil.

O mais interessante da coisa toda é que desde novembro de 2006 o Greenpeace já vem avisando sobre o lixo que é a ferramenta e ninguém tomou providências. Pior mesmo é ter que aceitar o fato que desde sua concepção o Sisflora (nome dado a aplicação) tem erros crassos de segurança que foram ignorados pela Tecnomapas, empresa responsável pelo elefante branco.

Deu no que deu. Cerca de 680 piscinas olímpicas de madeira roubada por empresas e vendidas no mercado internacional e no sudeste do país sem o mínimo controle possível. Para nós o que restou? Um buraco gigante na floresta, 202 indivíduos respondendo processo em liberdade (e com acesso a Internet para continaur as fraudes) e um Ministério Público que faz das tripas o coração para tentar frear esta chacina ambiental. Há, claro, também sobra a certeza que a língua de nossos governantes é tão grande quanto as árvores derrubadas na Amazônia, tão inofensiva quanto estas mesmas árvores e um enredo para um futuro filme de Hollywood: “Crackers Tree.

Obs: troquei a palavra “hackers” usada originalmente na notícia por “crackers” por motivos óbvios.

Jardim de infância no atendimento

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Leia a mensagem abaixo:

Alguém sabe me dizer o motivo da reprovação? Pois é, nem eles. O outro detalhe interessante é o que o número de telefone não atende aquilo que eu preciso saber: o motivo do e-mail. Resumo da ópera, incompetência gigantesca de uma empresa que se diz a melhor do brasil (se for mesmo, estamos lascados).

Todos os dias vemos a mesma coisa em dezenas de serviços, mas na Internet a coisa está crônica. A maioria das empresas não sabem o que fazer com seus sistemas e pior, não conseguem arrumar políticas de tratamento com usuários que sejam no mínimo, eficientes. Quem é que não se lembra do fiasco da empresa Tickets4Fun na venda de ingressos para o show da cinquentona Madonna? Ou ainda da ignorância convalente da Volkswagen com seu Fox Gilhotina e na teimosia em não aceitar o recall?

Mas nem tudo está perdido. Há algum tempo minha companheira precisou adquirir dois DVD’s para a escola onde é diretora. Como norma clara, os produtos somente podem ser comprados no local de menor valor e com o cheque da APM que recebe a verba governamental. Depois de várias cotações, lá foi para o Magazine Luiza fazer a aquisição dos aparelhos mas, depois de 45 minutos preenchendo todo o cadastro possível e impossível, vem a atendente dizer que o cheque não seria aceito (sem explicar um motivo plausível). E mais, ainda perguntou se não queria pagar com seu cartão ou cheque e depositar o cheque na conta dela. Motivo de riso claro pois qualquer auditoria iria perceber o desvio de verba.

Emputecida como ela só, pediu meu auxílio e consegui o endereço de e-mail da dona Luiza, proprietária das lojas. Ela recebeu o e-mail e de seu quarto já noite adentro tentou várias vezes falar com minha companheira para resolver o ocorrido. Não conseguindo, logo na primeira hora do dia seguinte, entrou em contato e pediu para retornar a loja a fim de obter os equipamentos, carregados de desculpas e cheio de xingos para os seus próprios funcionários.

A historinha acima serve para ilustrar que, se uma empresa, do tamanho que for não tiver respeito com seus clientes, está em maus lençóis principalmente no mundo da Internet onde um comentário em um blog ou um simples link no Twitter pode manchar uma marca que não vai ter Omo para limpar. A cada dia os consumidores estão mais atentos e usam, ao invés dos SAC’s (que normalmente são um lixo) a própria rede para desabafar e avisar outros consumidores que aquela empresa não presta. Estaríamos diante do Procon do século XXI?

Finalmente, quanto a Net, muito simples. Vamos para outra empresa que deve ser tão ruim quanto esta, mas ao menos a resposta não é truncada.

Eu vou ser deputado

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Tive acesso (como qualquer outro brasileiro poderia ter) ao projeto de lei 4424/2008 do deputado federal Nelson Goetten (PR/SC) que trata de um “Estatuto da Internet do Brasil”. Depois do que li (até onde consegui), decidi: vou me candidatar na próxima eleição pois se um deputado pode gerar um projeto tão ridículo quanto este, eu poderia fazer muito mais por todos.

O projeto conta com um monte de artigos inóculos já cobertos por outras legislações brasileiras (CDC, Constituição, etc, etc, etc) mas ao mesmo tempo nos brinda com tiradas magnânimas sobre o que esperamos de uma Internet “estatutária” em nosso país.

A peça da piada está aqui (em formato proprietário, claro!) e traz, dentre outras coisas, as seguintes pérolas:

garantir, a toda a população, o acesso à Internet, a preços razoáveis, em condições adequadas;

O que é preço razoável? E mais, condição adequada? DSL até Xapuri no Acre seria uma boa condição ou WiFi cobrindo todo o território nacional?

Outra  parte absolutamente importante no projeto é esta:

Art. 7º Os provedores de serviços de comunicações deverão manter cadastro de seus assinantes e registro dos acessos executados por eles.
§1º O cadastro deverá conter, no mínimo, as seguintes informações de cada usuário:
I – nome ou razão social;
II – endereço com Código de Endereçamento Postal;
III – número telefônico de contato;
IV – número de registro do assinante no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas do Poder Executivo;
V – informações de faturamento e pagamento, incluindo números de cartão de crédito ou número de identificação do cliente em bancos;
VI – tipo de serviço de comunicação utilizado;
VII – período de prestação do serviço ao assinante;
VIII – local de instalação do equipamento de comunicação do assinante, se cabível;

Perguntas:

  1. Número telefônico - se o cara mora na roça, não pode ter Internet
  2. Número de cartão de crédito ou cliente do banco. Se não tem nada disso, não pode acessar a Internet
  3. Local de instalação: “calçadão da praia de Copacabana” ou ainda “Quiosque do Peixe em João Pessoa”

É isso mesmo?

Mas você pensa que provedores ficaram de fora? Que nada, olha a pérola:

§4º Os dados de tráfego relativos aos acessos executados pelo assinante deverão ser preservados pelo provedor de serviço pelo prazo mínimo de cinco anos contados a partir da sua ocorrência.

Alô Cauê, vai ter que comprar dez storages com 20 teras cada uma para guardar tudo viu! Anote aí.

(neste momento, paro de ler o projeto para não ter dores de barriga).

Minha plataforma de governo
Sabe porque você deve votar em mim para deputado? Porque a Internet vai ficar como está: livre, leve, solta, auto-regulatória e usando as leis que já existem para punir os safados que a estragam. No mínimo, não vou torrar sua grana com besteirol e tampouco expor o congresso nacional ao ridículo papel de gastar tempo lendo coisas deste naipe.

Não se esqueça, vote na liberdade sem libertinagem!

Mentirinha ordinária

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Spammers são ordinários. TODOS! Não respeitam sua privacidade, seu direito a tranquilidade, seu tempo, seu trabalho, seu lazer. Em uma escala de 0 a 10, coloco-os em 9 somente perdendo para crackers que destroem a coisa alheia.

Mas agora, para se passarem por ovelhas mesmo sendo os lobos que são, inventam frases bonitas e mentiras deslavadas para “ficar bem na foto”. Os últimos que recebi na minha caixa de spam são verdadeiras pérolas que poderiam ganhar qualquer curso de mentira. Algumas:

A empresa Tax Solution Assessoria, do Vale do Paraíba, SP me vem com esta:

É possível fazer Marketing na Internet sem que haja necessariamente a propagação de SPAM. Somos contrários a práticas ilícitas de envio de mensagens. Em nossos E-Mails você sempre terá um telefone de contato, endereço e outras informações que identificam a empresa. Caso não queira mais receber informações sobre nossos serviços basta responder a este E-Mail com a palavra “REMOVER”.

Engraçado ver a empresa falar sobre propagação de spam e ainda dizer que é contrária a mesma. Só que eu nunca ouvi falar da empresa, não tenho nada a ver com o serviço/produto deles e tampouco me cadastrei. Vou ligar? Sério que vou gastar meu tempo e dinheiro com um crápula destes? Demora…

Já a Kross Digital, de Sertãozinho, SP é mais simplória e você chega até a ficar com dó:

Nossa intenção é mantê-lo informado, porém respeitamos sua privacidade e o seu tempo, e repudiamos a prática de spam. Se estas informações não forem de seu agrado ou este boletim chegou à sua caixa postal por engano, aceite nossas desculpas e, por favor, faça a remoção do e-mail através de uma das opções acima.

Se respeitassem meu tempo, não estava aqui usando-o como exemplo de práticas abusivas. Me manter informado? Eu vou ver a CNN.

Outra, GalerieGP que se gaba em ter lojas nas cidades de SP, Nova York, Milão e Paris usa outra abordagem:

Se não quiser receber mais nossas dicas envie um email para XXX ou clique aqui.
Se por acaso já pediu a exclusão e ainda não foi atendido, nos comunique no mesmo email que faremos prontamente.

Prontamente… no dia de são nunca!

Outra, curso 24 horas (sem sair de cima) manda esta:

Seu e-mail foi recomendado por um amigo que visitou nosso site. Por questões de privacidade não guardamos dados sobre a pessoa que recomendou, nem sobre quem ela recomenda. Seu e-mail não foi armazenado, e você não receberá um novo e-mail (a menos que essa pessoa recomende-o novamente). Se o caso se repetir e você achar que alguém está abusando do nosso serviço, envie um e-mail para XXX e comunique-nos para tomarmos as devidas providências.

Estes não fazem nada, não guardam, não tiram, não deixam você fazer nada. Pior, o e-mail é um lixo!

O que fazer? Vai a dica: nada! Não faça nada. Não mande e-mail de volta, não peça para remover de lista, não ligue, não perca seu tempo. Empresas como estas nunca vão tirar você de cadastro nenhum. Ao contrário, vão enviar mais porcaria ainda pois já tem a certeza que você está recebendo spams.

Finalmente fica a pergunta: tem otário tão otário que compra produtos/serviços de empresas que fazem Spam? Será que existe mesmo?

A pensar…


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