.  Paulino Michelazzo

Paulino Michelazzo
Paulino Michelazzo CMS Expert e Escritor Técnico

Escritor por DNA, programador por opção e vivenciando a Internet desde 1995, é diretor da Fábrica Livre, empresa especializada em soluções para a Internet com ferramentas de gestão livres.

Arquivo da Categoria ‘Segurança’

Crackers decepam a Amazônia

domingo, 14 de dezembro de 2008

Passou ao largo da grande mídia a notícia: empresas contratam crackers para invadir sistema governamental e esquentar o transporte de madeira fruto de desmatamento na Amazônia. Script de filme? Que nada, é pura verdade.

Lá nos idos de 2006 o governo federal teve uma idéia genial; criar um sistema que gerenciasse toda a cadeia da madeira amazônica, desde o corte até a entrega, para coibir atos de desmatamento e limpar um pouco a barra do Ibama que, com sua já famosa ineficiência crônica, não tinha (e não tem) condições de fiscalizar nem se as privadas do órgão funcionam corretamente.

A idéia seria mesmo muito boa pois removeria a corrupção do sistema em papel, reduziria fraudes e ajudaria a frear, um pouco que fosse as clareiras que abrem-se todos os dias na selva. Mas (sempre tem um “mas”) a tecnologia usada no sistema é bugada, o projeto é bugado, cada um faz o que quer. Agora, dois anos depois, o Ministério Público do estado do Pará libera detalhes de como foram “esquentados” mais de 1.7 milhão de metros cúbicos de madeira com invasões no sistema da Secretaria de Meio Ambiente do estado, responsável pelo projeto no Pará.

Crackers contratados por madereiros e carvoarias no estado enfurnaram-se no sistema de gestão do fluxo da madeira e alteraram os dados das empresas (mais de 100), permitindo que cada uma delas transportasse mais do que a cota destinada. História que podemos ver em alguns filmes hollywoodianos mas que está acontecendo lá no norte do Brasil.

O mais interessante da coisa toda é que desde novembro de 2006 o Greenpeace já vem avisando sobre o lixo que é a ferramenta e ninguém tomou providências. Pior mesmo é ter que aceitar o fato que desde sua concepção o Sisflora (nome dado a aplicação) tem erros crassos de segurança que foram ignorados pela Tecnomapas, empresa responsável pelo elefante branco.

Deu no que deu. Cerca de 680 piscinas olímpicas de madeira roubada por empresas e vendidas no mercado internacional e no sudeste do país sem o mínimo controle possível. Para nós o que restou? Um buraco gigante na floresta, 202 indivíduos respondendo processo em liberdade (e com acesso a Internet para continaur as fraudes) e um Ministério Público que faz das tripas o coração para tentar frear esta chacina ambiental. Há, claro, também sobra a certeza que a língua de nossos governantes é tão grande quanto as árvores derrubadas na Amazônia, tão inofensiva quanto estas mesmas árvores e um enredo para um futuro filme de Hollywood: “Crackers Tree.

Obs: troquei a palavra “hackers” usada originalmente na notícia por “crackers” por motivos óbvios.


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