.  Paulino Michelazzo

Paulino Michelazzo
Paulino Michelazzo CMS Expert e Escritor Técnico

Escritor por DNA, programador por opção e vivenciando a Internet desde 1995, é diretor da Fábrica Livre, empresa especializada em soluções para a Internet com ferramentas de gestão livres.

Arquivo da Categoria ‘Software Livre’

o GNU passa por cima da ponte?

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Pancadaria a vista! A Free Software Foundation iniciou ontem uma ação nos Estados Unidos contra a gigantesca Cisco por não liberar o código-fonte de vários de seus produtos que usam softwares licenciados sob GPL (General Public License) e LGPL (Less General Public License). Este é o primeiro grande embate da FSF contra uma empresa do porte da Cisco e que certamente promete render capítulos pitorescos, principalmente se o evangelizador-mor, Richard Stallman for chamado para falar no tribunal. Como já o conheço de longa data, já sei que irá ocorrer uma distribuição sistemática de tapa-ouvidos e prendendores de roupa em Nova York.

Pela ótica da licença, sim, a Cisco faz o que não deve. O software que está dentro de seus produtos e licenciado livremente deveria ter o código-fonte disponível. Mas existe um outro problema no meio do caminho: o juiz. Dependendo do humor do dito no dia do julgamento (ou ainda de acordo com o tamanho do bolo que tomar na noite anterior), a decisão poderá ser favorável a empresa, o que faltamente daria munição para outras cometerem o mesmo “deslize” e iniciar o processo de “dane-se, estou nem aí”.

Mas o medo maior não é este. O pior filme de terror é a Cisco usar o artifício do “cala-boca” com a FSF; quanto será que morre de verdinhas na ação? Será que aceita? Vai saber.

E você? O que acha? O GNU passa pela ponte ou ela quebra as pernas do quadrúpede?

Caiu a ficha?

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Sou réu confesso. Adoro um torrent. Faço downloads gigantescos em meu Mac de dezenas de coisas que vejo, observo e depois apago porque a maioria não presta e se não me cuidar, daqui há pouco não tenho mais HD.

E que atire o primeiro monitor aquele que nunca baixou um arquivinho da Internet. Atira vai! Duvido e deu dó!

Não sei se a prática usada por mim é correta mas sei que funciona. Ao mesmo tempo que o DSL fica gordo na madrugada, sou um ávido comprador. Vou nos magazines e compro 3, 4 DVD’s de uma vez. Adoro ter os discos em minha casa e assistir quando quiser. Da mesma forma, sou rato de livraria daqueles que passa horas vendo aquele montão de livros. E não é por causa do torrent que minha biblioteca deixa de crescer. Ao contrário, tenho que comprar mais uma estante em breve. E software então? A coitada de minha companheira que o diga. Vê a fatura do cartão e não entende como podem aparecer tantas entradas em moeda estrangeira.

Para a indústria capitalista sem medidas, o que faço é um crime tão sério quanto um homicídio. Se bobear, vou parar numa cela ao lado do Beira-Mar (lá tem Internet?). Para outros, sou mais um fã que aproveita uma nova forma de compartilhamento para engordar os cofres daqueles que compõem, escrevem ou representam.

Parece que não sou só eu que penso assim. Há dias li duas reportagens interessantes. Uma delas dos famosos cantores Zezé de Camargo e Luciano e outra do eterno-ex-Sandy, Júnior. Ambos com a mesma visão: a Internet é menos ruim que imagina-se quando falamos de pirataria.

Claro que é. Quem faz todo o terror são aqueles que sempre ganharam muito dinheiro e agora estão se estrepando. Estúdios de cinema e gravadoras ficam irados só na menção do nome Pirate Bay e não medem esforços para criminalizar quem quer que seja. Empresas de software então, de um lado chamam todos de ladrões enquanto nos roubam colocando vírus em nossos computadores (menos no meu).

Agora você vai dizer: mas a indústria precisa sobreviver! Sim, claro que precisa. E sei bem disso porque os boletos bancários não param de chegar no escritório. Mas existe um canyon entre sobreviver e viver a custa da desgraça alheia. Vejamos:

Uma empresona começou um projeto de dar cópias de seus softwares gratuitamente para estudantes brasileiros. Qual é a real intenção por trás desta benevolência toda? Dar instrução? Conhecimento? Claro que não! É cativar os burraldinos que aprendem produtos nas faculdades e colégios técnicos (ao invés de conceitos) para que futuramente tornem-se consumidores dependentes (semelheança com uma atividade ilícita é mera coincidência). Se fosse para dar instrução, pegariam o mesmo valor das cópias (falaram em US$ 240 milhões) e injetariam na educação brasileira e em projetos de melhoria do ensino. Mas aí meu caro, não tem lucro não é mesmo?

O mesmo acontece por exemplo com os estúdios de cinema. Os DVD’s que compro são aqueles que estão em promoção e custam não mais que 12 reais; um preço que acredito ser justo e que paga não somente a confecção do mesmo, mas o lucro de toda a cadeia. Mas lhe pergunto: o que pode fazer um DVD copiado aos milhões custar 50 reais ou um CD, 40? O ator que está no filme, a voz do morto que está cantando ou a ganância de quem produz? Já contou uma vez Courtney Love, cantora americana, sobre a relação promíscua das gravadoras com seus artistas e a coisa é aterrorizante. Se depender da venda de CD’s, morrem de fome.

Você tem fome de quê?
Os defensores ferrenhos vão dizer: “você gostaria que seu software fosse pirateado”?

Antes de mais nada, vamos esclarecer. Pirataria é o que está acontecendo na águas da Somália e o que acontecia nos mares do Caribe lá por 1500. O termo pirataria é equivocado, pejorativo e somente serve para induzir pessoas ao erro (tal qual aquele filmeco que passam no cinema).

Dito isso, a resposta: SIM! Eu adoraria ver uma criação minha sendo copiada e usada por milhões de pessoas. Tanto é verdade que faço software livre, coloco na Internet tudo o que crio e nem por isso deixo de ganhar dinheiro. Este texto que você está lendo agora está licenciado sob CreativeCommons (uma licença livre) e você pode usá-lo como bem entender. Além disso, não ganho um único níquel do site.

Pergunte à Paulo Coelho o quanto ele perde com a pirataria de seus livros. Perde tanto, mas tanto que ele mesmo pirateira suas obras. Não acredita? http://piratecoelho.wordpress.com

A questão, no frigir dos ovos gira em torno da fome que tens. A minha não é gananciosa, mas sim compartilhada. Enquanto a de outros… tire suas conclusões.

Crisis? For who?

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Responda rápido: a economia está em crise (exceto para os bancos brasileiros) e você é dono de uma empresa. O que faz? Dá ouvidos à todos os analistas de plantão, enxuga a máquina (mais ainda), demite e chega a pensar em suicídio ou dá a volta por cima e esquece que isso existe procurando soluções inteligentes para seu negócio?

Se escolheu a primeira e não é banqueiro, parabéns; dentro em breve vejo seu curriculum nos sites especializados. Se respondeu a segunda, se prepare, será meu concorrente.

Conversando com um amigo há algum tempo, ele me perguntou: “e aí, como andam os negócios?” A resposta foi: “se isto que estamos passando é crise, quero ver o mundo no buraco”. Tudo bem, sou tão otimista quanto Obama ou quanto a torcida do Corinthians, mas para mim crise é sinônimo de reciclagem, de renovação, de idéias novas, ao contrário de muitos que acreditam ser aquela gilete cega no pulso.

Como trabalho diretamente com software livre, no começo da crise pensei: “hmm, está na hora de irmos adiante e aproveitar nosso modelo”. Não me enganei e ao contrário da maioria as empresas, pude perceber o incremento de solicitações de propostas oriúndas de empresas que compartilham a mesma visão; é preciso reciclar e aproveitar a crise com uma oportunidade e não com lamentações.

Só para corroborar meu pensamento, o instituito de pesquisas Gartner soltou uma semana passada que me abriu um sorriso de lado a lado: “Crise favorece o Software Livre“, o que é de se esperar nos momentos onde o cinto precisa ser apertado mas ao mesmo tempo não pode se romper. Isso quer dizer que para enfrentar uma crise é necessário se reciclar em todos os sentidos e estar um passo a frente pois como toda e qualquer crise, ela é passageira e aquele que estiver melhor posicionado no final, vai comer primeiro.

Diante do medo mundial, o software livre leva uma vantagem enorme pois além do custo de aquisição ser zero ou próximo disso, a disponibilidade do código livre faz com que produtos sejam desenvolvidos a partir do estágio pós-embrionário, permitindo então que se faça mais com menos. Um exemplo simples e que está sendo adotado por dezenas de empresas é o uso de sistemas de voz sobre IP (VoIP) onde ligações telefônicas não mais são bilhetadas na companhia. Entra em cena a Internet e servidores livres de VoIP como o Asterisk que permitem quase toda a substituição dos sistemas convencionais. Redução de custo em telefonia, em aquisição de hardware e software e um resultado expressivo no balanço mensal.

Outro exemplo vem da própria empresa que faz o Asterisk, a Digium. Mesmo criando um software livre pelo qual não se paga licença de uso ou aquisição, estão eles felizes da vida e nem fazem idéia do que é crise. Seus números somente crescem, tal qual o número de usuários de suas soluções no mundo todo.

Enfim, a pergunta retórica: crise? Para quem?

Quando uma extensão salva

domingo, 23 de novembro de 2008

Adoro o conceito de extensões (extensions) do Navegador Firefox. Na verdade eu adoro é o Firefox e tudo o que ele é capaz de fazer.

Anteontem resolvi fazer uma faxina em meu Mac. Munido do Onyx, um aplicativo freeware que tem como finalidade ser um verdadeiro bombril na manutenção de Mac’s, tranquilamente mandei ele executar suas funções rotineiras mas esqueci que tinha configurado-o para limpar, dentre outras coisas, os bookmarks dos navegadores. Qual não foi a minha surpresa na manhã seguinte quando mando a raposa correr e… cadê os bookmarks?

Pânico? Que nada. Sou exceção à regra. Faço backup de tudo o que é importante todos os dias em um disco externo e teria facilmente meus dados de volta em alguns minutos. Mas no meio do caminho me lembrei de uma extensão que uso há muito tempo: Foxmarks. Com ela sincronizo todos os bookmarks na Internet mantendo uma cópia fiel do que tenho não somente no Firefox, mas também no Safari desta mesma máquina e também nos navegadores do laptop. Dois cliques depois, lá estavam os mil e tantos links carregados novamente na máquina.

Este conceito de software livre é que me atrai tanto. Ao contrário das empresas de software proprietário, plataformas abertas (como o Firefox) permitem que outros usuários, programadores e entusiastas, criem soluções para o aplicativo principal ou dele derivem idéias para outras coisas interessantes. Sem perguntas, sem pagamentos, sem ofensas. Tudo simples como deve ser para salvar quem quer que seja.

Será que um dia “eles” vão se render a colaboração e deixar a ganância de lado? Quem sabe. Até os Estados Unidos elegeu um presidente negro.

Fórum 2010 - Bélgica com SL

sábado, 22 de novembro de 2008

A cada seis anos acontece na Europa a reunião do conselho presidencial, evento que serve para a tomada de várias decisões importantes para o povo do continente e também para aqueles que vivem fora das terras do velho continente.

Dando uma olhada no site oficial, surpresa; a Bélgica, país sede na próxima edição em 2010 adotou o CMS livre Drupal como plataforma e fez uma bela apresentação de conteúdo informativo em vários idiomas, integrando fórum, conteúdo estático e outros fogos de artifícios.

Aí vem a pergunta: esta decisão seria por causa da crise ou como em vários outros países do mundo, a sabedoria de usar um software espetacular sem os custos de licenciamento?

Vai ter gente que vai chorar…


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