Ao contrário da maior parte das pessoas (principalmente das moças) não tenho o lado consumista muito afiado. Não sou de acreditar em propagandas e tampouco sinto necessidade de ter alguma coisa só pelo prazer de ter. As poucas coisas que preciso são meus passaportes, uma mochila, um tocador de mp3 e um timberland no pé para poder caminhar pelo mundo.
Mas este ano resolvi me dar um presente de natal e dos bons. Comprei um iPhone! Pois é, quem diria, aquele que pouco consome se verga ante o ícone do pecado (será que é por isso que a logo da empresa é uma maçã?). Ao contrário que pode parecer, a aquisição não teve um apelo comercial mas sim o apelo do “tudo em um” que para mim é tão fundamental que reverencio os suíços pelos seus canivetes. Melhor que a Victorinox somente o iPhone mesmo.
Paixão no primeiro “slider”
Já tinha ouvido falar, já tinha pego um na mão mas ainda não tinha sentido todo o sabor do pecado. Hoje posso afirmar que o aparelhinho pode entrar na lista dos capitais e mudar o nome do famoso filme Seven para Eight. Ele é um verdadeiro pecado mesmo para aqueles que são fanáticos por soluções livres como eu devido as peripécias que são possíveis. Logo na ativação ele já sincronizou tudo o que eu precisava do meu iMac: agenda de compromissos, contatos, calendários, músicas, e-mails, etc, etc, etc.
Tá certo, tá certo, qualquer Nokia faz a mesma coisa. Desculpe-me mas eu também pensava assim até ver a coisa funcionando. O grande barato não é o sincronismo, mas sim a integração entre aplicativos, algo fundamental no mundo digital de hoje e que a Apple faz com primazia. Quando configurei o Gmail e o dito cujo mesclou os contatos com as pessoas que já tinha em minha agenda, quase caí da cadeira. Sensacional! E as senhas do micro? Todinhas no gadget em questão de segundos.
Isso sem falar nas quinquilharias possíveis de serem instaladas. Dei uma passeada na Apple Store para verificar o “quão macho” o aparelho era. Arrumei um terminal ssh e pimba!; lá estava eu acessando um dos servidores da empresa localizados nos EUA diretamente do telefone. Ainda não contente, arrumo um terminal para Windows e a mesma coisa: a tela de um servidor de um cliente diante de meus olhos com o cursor do mouse passeando com meus dedos.
Muito disso pode ser feito em outros aparelhos sem dúvida mas a facilidade no iPhone é algo assombroso. Como deixei de lado a masturbação tecnológica há algum tempo, hardware e software que não preciso saber nada sobre eles são o que considero como a melhor invenção humana.
Passeios pelo mundo
Outra coisa legal que encontrei com o aparelho é a comunidade em volta dele. São empresas, serviços e desenvolvedores que acreditam no aparelhinho mesmo que o Jobs não vá na Macworld este ano e nunca mais. Logo de cara enfiei a Wikipédia dentro dele, o Google Earth, um sistema de tracking de vôos e aviões (que até mostrou o caos da Gol em Cumbica e no Galeão) e um “descobridor” de hotéis próximos de minha localização. Todos estes aplicativos são gratuitos ou de custo irrisório (entre 0,99 e 2 dólares) que permitem que o iPhone eleve a palavra smartphone para geniusphone.
Claro que tudo isso tem um preço que chama-se “dragão da operadora”. Ao contrário de países onde existe concorrência, no Brasil é necessário se contentar com planos de acesso estúpidos e limitados cujo o verdadeiro plano é rapelar sua conta bancária (que também pode ser acessada via iPhone) principalmente porque ele come banda sem dó. Se não tomar cuidado, vende-se o aparelho para pagar a conta.
Mas nem tudo são flores
Minha primeira frustração foram os ringtones. A Apple não me deixa pegar uma peça de minha musicoteca e convertê-la para um ringtone exceto se a música foi comprada da loja deles. Claro que este “porém” foi rapidamente contornado com um tutorial achado na web mas poderia ser mais fácil ou mais coerente.
Também tem a palhaçada da trava que o aparelho possui para ser usado somente neste ou naquela operadora, uma afronta que será resolvida no próximo dia 31 quando um grupo de hackers vão colocar na Internet toda a receita de bolo para acabar com isso.
Valeu a pena?
Opa, pode ter certeza que sim. Já passei por smartphones Nokia, Samsung e Palm, já tive agenda eletrônica de tudo que é tipo e só faltou andar com o cinto do Batman de tanta coisa dependurada. Agora consigo ter acesso ao e-mail, redes sociais, mensagens instantâneas (esqueci, de dizer, acesso MSN, Gtalk, Skype, Yahoo e não sei mais o quê diretamente), web e tudo mais o que preciso em um único aparelho. Somente faltou poder colocar dois chips nele. Quando isso acontecer, estou no céu ;)
PS: este post ainda não foi feito via iPhone porque não tenho todo o traquejo necessário no teclado mas aguarde, dentro em breve, Liberdade sem libertinagem móvel!