.  Paulino Michelazzo

Paulino Michelazzo
Paulino Michelazzo CMS Expert e Escritor Técnico

Escritor por DNA, programador por opção e vivenciando a Internet desde 1995, é diretor da Fábrica Livre, empresa especializada em soluções para a Internet com ferramentas de gestão livres.

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Empresas na nova era. Existem?

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

chainsNo final de semana passado ministrei um curso em São Paulo sobre uma ferramenta de gestão. Nele estavam algumas pessoas de órgãos governamentais que estão adotando a ferramenta, outros particulares e também outros de algumas empresas. Conversa vai, conversa vem a bola sobre os locais de trabalho apareceu em campo e com ela alguns comentários interessantíssimos sobre o que ainda é possível se encontrar em pleno Século XXI e que eu, com toda a minha ignorância, acreditava não mais existir.

Estou falando daquelas empresas que amordaçam os funcionários, acorrentam suas idéias e acreditam piamente que a ditadura é o melhor dos modelos de gestão corporativa que existe. Imagine que um dos treinandos conseguiu me deixar estarrecido (coisa rara!) com as políticas de seu local de trabalho que vão desde a proibição de acesso a sites que não sejam os escolhidos por algum pseudo-deus até mesmo a formatação do computador do usuário numa típica execução sumária. E isso ocorre não porque é instalado um software dito pirata (como os imbecis da ABES teimam em denominar), mas sim porque foi instalado um Firefox!

Diante disso, fica a pergunta: será que este cerceamento executado com vistas à organização e bom andamento do parque tecnológico da empresa realmente funciona? Será que a perda não é maior desta forma do que “liberando quase geral” o uso dos recursos? Será que faz tão mal a instalação de um Firefox?

Mais que esta pergunta, fica a dúvida se esta empresa está mesmo no Século XXI. Não me lembro de ter visto isso em nenhuma das que passei em nível tão acintoso. Claro, políticas e processos devem existir para o bom andamento de qualquer trabalho, mas daí a arrancar a marreta da mão do pedreiro é coisa de inergúmeno. Ou tirar a permissão de instalação ou solicitação para instalação de ambientes de testes não é a mesma coisa?

Já foi provado que produtividade está diretamente ligada a liberdade. Quanto mais feliz o colaborador ou funcionário, melhor o mesmo executa suas tarefas, tanto em rapidez quanto em qualidade. E isso passa desde um bom salário até mesmo as condições de uso de computadores e recursos. Para a execução de uma tarefa não é somente necessário um bom profissional, mas principalmente um funcionário motivado e com vontade de fazer o necessário. E se isso não ocorre, cedo ou tarde o ambiente se torna algo como um paiol ao lado de uma fogueira. Mais dia, menos dia, a coisa toda explode e leva consigo quem estiver por perto. E mesmo assim ainda tem gente que não acredita nisso… em pleno Século XXI. Coisas da vida não?

PS: estive ausente todo este tempo para gerar processos que não deixem a minha empresa assim.

Cada macaco no seu galho

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

No último final de semana estive no Rio de Janeiro palestrando no 1° Encontro de TI, um evento bem organizado (parabéns aos organizadores) e cuja participação, em sua maioria, era de profissionais de criação web. Num dado momento defendi o ponto de vista que designers não devem tentar entrar na praia de desenvolvimento e desenvolvedores não devem tentar nadar nas águas do design. São duas coisas tão diferentes quanto uma garrafa PET e uma garrafa de vidro. Não é porque são garrafas que são iguais. Entre um garrafa plástica e uma de vidro existem diferenças atômicas e astronômicas.

Claro, como costumeiro em minhas declarações, muita gente não gostou e achou que sou louco (e sou). Se louco sou, então o que dizer daqueles que dividiram as profissões de arquiteto e engenheiro ou ainda a medicina com suas dezenas de área diferentes? Quem você escolheria para operar seu coração: Ivo Pitanguy ou Adib Jatene?

O mesmo ocorre na web. Designers tem uma formação totalmente diferente de um desenvolvedor e trabalham com áreas diferentes do cérebro. Enquanto o primeiro aprende a harmonia de cores e as regras para uma boa apresentação de conteúdo, o segundo aprende algorítimos e linguagens. Um usa o lado mais criativo do cérebro enquanto outro, o lado mais matemático ou exato. Acredite, isso existe e é verdadeiro.

Sem dúvida alguns leitores vão dizer: “mas é possível aprender as duas coisas”. Claro que é; é possível aprender e também se tornar medíocre nas duas. Um designer não será um desenvolvedor tão bom ou melhor que eu. Da mesma forma nunca serei um designer premiado pois nem mesmo bolas rendondas ou quadrados quadrados sei fazer. Misturar cores para mim é tão perfeito quanto é para uma criança no maternal. Em compensação, lógica de programação é algo que faço de olhos vendados. Como não desejo ser medíocre em ambas as áreas, escolhi aquela que me afinizo e nela sou especialista, não sendo um “generalista” como a maioria hoje em dia quer ser.

A mistureba de funções
“O mercado exige a polivalência”. Não existe mentira mais descarada do que essa. O mercado não exige polivalência; ele exige qualidade, preço justo e soluções funcionais, não importando inclusive se a solução está sendo desenvolvida na Av. Berrini em São Paulo ou em algum buraco de Cebu nas Filipinas. Então, a grande verdade sobre a polivalência é que a maioria dos que chutam com as duas não querem partilhar o bolo, mas sim comê-lo sozinho e curtir depois a caganeira em seu vaso banhado a ouro. Estes não passam de medíocres em ambas as áreas (se fossem bom, seriam Leonardo Da Vinci) que procuram uma forma qualquer de se defender da falta de profundidade.

Ivo Pitanguy não se tornou o mago do bisturi para todas as maiores beldades do mundo por acaso. Ele é especialista no que faz porque só faz isso, nada mais, nada menos. Mas como todo médico ele cursou seus anos de residência, aprendeu sobre anatomia, sistemas muscular, respiratório, nervoso e etc. Isso tudo faz parte de sua área mas não é seu foco. Seu foco é a cirurgia plástica que, de uma forma ou de outra precisa das outras áreas da medicina para ser executada. E o que faz então o grande mago? Mantém uma equipe multidisciplinar de especialistas em cada uma das áreas que precisa numa operação.

Já do outro lado da balança estão os cirurgiões plásticos mambembes que fazem de tudo um pouco; desde clínica geral até a troca de um nariz em suaves parcelas mensais, sendo inclusive motivo de riso até para Oprah Winfrey. Qual o melhor entre o mambembe e o Pitanguy? Quem tem Naomi Campbel em sua mesa, claro.

Esta analogia cabe como uma luva para a criação web. A grande maioria das agências de criação não possuem nada além do mínimo necessário de expertise tecnológico dentro de seus quadros. Elas possuem as melhores mentes criativas mas não os melhores profissionais de tecnologia. Estes são terceirizados para cada uma das necessidades pontuais que demandam com o intuito de terem tempo para seu core business que é a criação. Isto acontece por dois motivos: custo e especialização. É muito mais barato contratar uma empresa que já domina uma determinada tecnologia do que formá-la dentro de casa e que nunca será tão especialista como a contratada. A soma das duas pontas resulta num projeto campeão, sempre.

Certamente tanto o designer quanto o desenvolvedor podem e devem conhecer algo de áreas correlatas. O pessoal de criação deve saber quais são as limitações existentes na Internet para suas criações e desenvolvedores devem ao menos fazer uma imagem de letras grandes e brancas num fundo preto. Além de coisas triviais é perda de tempo, dinheiro e principalmente, neurônios.

Seja o melhor no que faz
Outra desculpa esfarrapada daquele que assovia, chupa cana e ainda frita pastel ao mesmo tempo é a empregabilidade. Teme-se que sendo especialista não terá vez e simplesmente será tragado pelo mercado. Voltando a analogia, pense nos seguintes nomes: Nizan Guanaes, Paulo Henrique Amorim, Gisele Bundchen e o padeiro da esquina. Cada um deles é especialista numa área e dela não saem. Alguns chegam ao ponto de serem especialistas dentro de área de suas profissões, como é o caso do Amorim que não poderia ser um jornalista esportivo e tampouco Luciano do Valle, um comentarista econômico. Estão desempregados? Pelo contrário, são cotados a peso de ouro por serem os melhores de suas áreas.

Dito isso, o especialista precisa antes de tudo, saber o que quer e principalmente ter tesão em fazê-lo. Se ele descobre o santo graal e estuda, vai fundo, conhece, discute, troca informações, enfim, “especializa-se” naquilo, trabalho não irá faltar. Quando se especializa, se torna referência e referências são cobradas e cada vez mais caras.

Obviamente que existem os que não querem ou não podem pagar um especialista. Neste momento, cabe a este a decisão de querer ou não atender aquele que paga o valor de um generalista para um especialista. O mercado funciona assim desde sempre e quem decide é quem está vendendo a especialização, não quem está comprando. Se o macaco ficar em seu galho e souber tudo sobre ele, não irão faltar situações onde aquele galho é o melhor e então, neste momento, aquele macaco se dará melhor.

Pense a respeito.

Onde está o programador?

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Ser empresário no Brasil é uma atividade tão impressionante quanto um malabarista do Cirque du Soleil. Além de fazer seu trabalho de gerar negócios e manter clientes, é obrigado a camelar para pagar impostos, taxas, propinas, almoços e outras coisas e enfrentar a burrocracia advinda do DNA podre de nossos “descobridores” que impera na terra brasilis.

E para a aquele que se aventura na selva do empresariado de TI existe uma nova atividade: a busca de profissionais programadores. Acredite, está em falta e em muita falta.

Muitos vão dizer que estou louco pois a quantidade de profissionais formados todos os anos pelas universidades e faculdades brasileiras é maior do que o mercado pode absorver. Esquece-se porém este que comenta desta forma que a maioria das instituições solta na selva gatinhos manhosos ao invés de verdadeiros tigres. O nível é tão baixo e tão ruim que a perplexidade toma conta das empresas que precisam de bons profissionais ao ponto de serem tomadas decisões drásticas como re-ensinar os que das faculdades sairam com tudo aquilo que elas não ensinaram (e que deviam) e pelo que foram pagas mas não entregaram.

Acreditando ser um problema meu e de minha empresa devido a especificidade do trabalho que realizamos, perguntei para alguns amigos, também micro-empresários, se eles sofriam do mesmo mal. Veio estampada na cara de cada um deles com um sorriso amarelo a resposta engraçada: “se fosse só você que sofre disso, estávamos bem”. Um deles, programador de código fino e bem feito, possui uma empresa onde estão cinco vagas abertas para profissionais ou estudantes de uma determinada linguagem. Outro, tão bom quanto, possui mais três. De meu lado, são nove postos abertos que não são preenchidos por falta de pessoas que possuam o mínimo de conhecimento. Uma lástima.

E o que falta?
Falta quem presta realmente. Questiono dezenas de pontos dos curricula das faculdades que são comuns à todas elas. Ensinam uma linguagem de programação ao invés de lógica ou algorítimos; ensinam um banco de dados de um grande player qualquer ao invés de SQL ANSI e modelagem; ensinam Windows ao invés de sistemas operacionais. Pior ainda é ler os curricula que recebemos. Nem mesmo o português escrito presta e se questionarmos algum conhecimento básico da língua franca mundial, be my guest, we’re fucked!

O lado pessoal ou social do candidato é algo indiscritível. A maioria não sabe onde fica a Índia e pensa que o Vale do Silício tem este nome porque produz silício. Em contrapartida a maioria conhece todas as marcas e modelos dos carrões da atualidade e até mesmo a cor da calcinha de uma cantora de sucesso. Tudo sabem, exceto aquilo que precisam saber para comprar o carrão que conhecem ou ainda para comprar o melhor ingresso existente daquela que escarafuncharam até as entranhas.

Empreendedorismo? Para quê? Somos uma nação de mão-de-obra escrava (olha o DNA aí), proletariada e que depende das migalhas do governo para se manter. Enquanto nos países desenvolvidos é ensinado desde a tenra idade como ser empreendedor até mesmo dentro de casa, aqui ensinamos o caminho das pedras para se tornar um funcionário público. Emprego “garantido” e pouco trabalho, além, claro, dos “benefícios” oferecidos.

Para nós que nos aventuramos em criar empresas, gerar riquezas e oferecer empregos, sobram várias vagas abertas por pura incapacidade daqueles que “querem” trabalhar. Afinal trabalhar mesmo não é com eles. É melhor ter a garantia do emprego público do que dar a cara a tapa no dia-a-dia. Pelo menos o peru bombado de natal está garantido.

OBS: àqueles que conhecem desenvolvimento de interfaces (XHTML, CSS e Javascript) e acreditam que o emprego público é falácia, mande um curriculum para nós pelo e-mail falecom@fabricalivre.com.br. Quem sabe não nos ajuda?


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