.  Paulino Michelazzo

Paulino Michelazzo
Paulino Michelazzo CMS Expert e Escritor Técnico

Escritor por DNA, programador por opção e vivenciando a Internet desde 1995, é diretor da Fábrica Livre, empresa especializada em soluções para a Internet com ferramentas de gestão livres.

Posts com a Tag ‘economia’

Sufoco para pilotar uma empresa de TI

terça-feira, 26 de maio de 2009

semaforoVocê está pensando em terminar a faculdade e montar uma empresa de TI acreditando que o governo vai te ajudar, aviso, tire o cavalinho da chuva que o coitado vai encolher. Enquanto você não passar pela via sacra do martírio de juros, impostos e das mais diversas dificuldades possíveis e imagináveis, não terá nem um dedo mindinho para te segurar.

Funciona assim; você coloca a idéia no papel, traça a estratégia do produto e/ou serviço, monta uma MPE (Micro ou Pequena Empresa), tira o CNPJ, mobilia escritório, compra equipamentos e começa a contratar pessoas. Neste momento, precisa de mais dinheiro para o capital de giro já que vendeu carro, TV, moto, geladeira, sogra, etc, a fim da empresa ter uma sobrevida. Para isso, recorre a uma instituição pública e recebe como resposta um sonoro “não” porque você não tem a empresa há mais de um ano. Estranho, principalmente se vermos que o governo gasta milhões de reais em publicidade dizendo que existem outros milhões para incentivo destas empresas. Mas que raios de incentivo é este então?

A resposta é; ninguém sabe. Justo no período mais crítico da vida de uma micro empresa, a “mãe” que deveria cuidar do filho simplesmente o abandona a sua própria sorte para que, numa atitude extrema e de desespero, recorra ao “conforto” dos braços de outros, não tão carinhosos, mas que ajudam de uma forma ou de outra. Falo das instituições privadas (bancos) que exploram e tiram até a pele do recém-nascido.

De outro lado alardeia-se em todas as mídias que o BNDES tem dinheiro para dar e vender. Pois então tente pegar um mísero centavo lá antes de completar um ano, mesmo que seja no cartão BNDES. Necas, niente, nada, nothing. Infelizmente no Brasil a concessão de crédito está atrelada a sua capacidade de garantir o dinheiro com outros bens e não com seu talento ou sua idéia. Ao contrário de outros países onde pode-se “dar” como garantia a geração de empregos e seu conhecimento, aqui somente sua casa, seu carro ou seu apartamento servem. Nem mesmo contratos de trabalho firmados com empresas é garantia.

Estas diferenças estão bem ilustradas num estudo de Fernando Pimentel Puga, economista do BNDES, intitulado O apoio financeiro às micro, pequenas e médias empresas na Espanha, no Japão e no México onde são apresentados os cenários destes países e que serve para nós, teimosos em querermos ser empresários, morrer de inveja e ficar com o cotovelo doendo por dias. Nem mesmo a FINEP consegue ajudar verdadeiramente aqueles que desejam levar adiante uma idéia. A burocracia é grande e quando não é isso, procura-se de todas as formas garantias até mesmo da pessoa física para o empréstimo ou financiamento.

Ok, sei que você deve estar imaginando que o governo precisa destas garantias para “receber de volta” o que foi investido. Particularmente discordo pois este “investimento” é realizado para o crescimento da economia e do país como um todo. Também sei que existem aventureiros e que a grande maioria daqueles que montam empresas são os que perderam seus empregos e precisam dar continuidade no sustento da família sem ao menos saber o mínimo de como criar e manter uma empresa. Mas e se fossem exigidas garantias como a participação em cursos sobre empreendedorismo e até mesmo o aval de instituições como o Sebrae num projeto? Não seriam estas suficientes para garantir que o negócio fosse andar? (neste mesmo estudo acima, é citado casos onde existe a co-participação de instituições na empresa a fim dela se manter).

No segmento de TI existem milhares de idéias sendo fomentadas diariamente em nosso país mas a maioria delas simplesmente sucumbem por falta de auxílio das instituições públicas. Somos criativos mas ainda não tivemos capacidade de descobrir como dar um bypass na burocracia e falta de interesse nestas idéias. E para ajudar, as faculdades nada ensinam desta mágica de tirar uma idéia da cabeça, colocá-la no papel e dar vida a mesma.

Tudo isso advém das palavras do presidente da FINEP, Luis Fernandes, que lembrou muito bem a necessidade premente que nosso país tem em inovar, comparando inclusive os crescimentos dos países do BRIC com a retração do Brasil. Mas não basta somente injetar dinheiro, é preciso também dar condições para que este dinheiro chegue na mão daquele que inova. Carência no pagamento, redução da carga de juros e eliminação da burocracia são pontos que devem ser enfrentados da mesma forma. De nada adianta ter milhões em fundos para aplicação se ninguém é capaz de pegá-los. Inovadores existem em nosso país, muitos aliás, mas se estes mecanismos não forem aliviados, não existe como ser inovador, a menos que nos tornemos inovadores na capacidade de atender as exigências governamentais.

Quiçá os brasileiros estivessem nos EUA com as mesmas oportunidades que Sergey Brin e Larry Page tiveram. Seríamos os número um não só em Indianápolis, mas também na tecnologia. E enquanto isso não acontece, vamos vendo Hélio Castro Neves ganhando na terra deles. Este sim sabe pilotar.

Microsoft contra todos, todos contra um

sexta-feira, 17 de abril de 2009

livroE a coisa tá ficando feia para a Microsoft. Lá no velho continente mais de três grandes mosqueteiros resolveram abraçar a causa e entrar na briga contra a gigante do software. Desta vez, IBM, Oracle, Nokia, Fundação Mozilla e Google se unem na briga antitruste dentro da Comissão Européia por causa de seu navegador, Internet Explorer.

Mas caro leitor, não pense que a união dos gigantes ocorre porque se amam ou ainda porque possuem algum tipo de birra com a Microsoft; nada disso. O buraco é muito mais embaixo desta vez. Em jogo bilhões de dólares dos novos serviços e soluções que estão sendo levados paulatinamente para a Internet. Cloud computing, ASP e dezenas de opções on-line fazem com que o mercado volte seus olhos para a rede e esta torne-se um campo fértil para abocanhar mais algumas verdinhas.

E o que tem a ver a Microsoft com isso? Bem, como sistema operacional dominante e trazendo embutido um navegador de Internet, já é possível imaginar quem sai na frente nesta corrida. Como principal ferramenta de trabalho, o navegador será peça primordial nesta disputa e isso os grandões não querem. Desejam que a MS faça de duas uma: ou tire o navegador de seu sistema operacional ou que inclua outras três opções dentro: Firefox, Chrome e Opera. Sinceramente, acho que vai dar água.

Já sei, alguns vão perguntar; “e a Apple e seu Safari?” Honestamente penso que Jobs está nem aí para isso tudo. Ele já tem o iPhone e com um treco destes na mão, para que ficar correndo atrás de migalhas (grandes, claro)?

Crisis? For who?

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Responda rápido: a economia está em crise (exceto para os bancos brasileiros) e você é dono de uma empresa. O que faz? Dá ouvidos à todos os analistas de plantão, enxuga a máquina (mais ainda), demite e chega a pensar em suicídio ou dá a volta por cima e esquece que isso existe procurando soluções inteligentes para seu negócio?

Se escolheu a primeira e não é banqueiro, parabéns; dentro em breve vejo seu curriculum nos sites especializados. Se respondeu a segunda, se prepare, será meu concorrente.

Conversando com um amigo há algum tempo, ele me perguntou: “e aí, como andam os negócios?” A resposta foi: “se isto que estamos passando é crise, quero ver o mundo no buraco”. Tudo bem, sou tão otimista quanto Obama ou quanto a torcida do Corinthians, mas para mim crise é sinônimo de reciclagem, de renovação, de idéias novas, ao contrário de muitos que acreditam ser aquela gilete cega no pulso.

Como trabalho diretamente com software livre, no começo da crise pensei: “hmm, está na hora de irmos adiante e aproveitar nosso modelo”. Não me enganei e ao contrário da maioria as empresas, pude perceber o incremento de solicitações de propostas oriúndas de empresas que compartilham a mesma visão; é preciso reciclar e aproveitar a crise com uma oportunidade e não com lamentações.

Só para corroborar meu pensamento, o instituito de pesquisas Gartner soltou uma semana passada que me abriu um sorriso de lado a lado: “Crise favorece o Software Livre“, o que é de se esperar nos momentos onde o cinto precisa ser apertado mas ao mesmo tempo não pode se romper. Isso quer dizer que para enfrentar uma crise é necessário se reciclar em todos os sentidos e estar um passo a frente pois como toda e qualquer crise, ela é passageira e aquele que estiver melhor posicionado no final, vai comer primeiro.

Diante do medo mundial, o software livre leva uma vantagem enorme pois além do custo de aquisição ser zero ou próximo disso, a disponibilidade do código livre faz com que produtos sejam desenvolvidos a partir do estágio pós-embrionário, permitindo então que se faça mais com menos. Um exemplo simples e que está sendo adotado por dezenas de empresas é o uso de sistemas de voz sobre IP (VoIP) onde ligações telefônicas não mais são bilhetadas na companhia. Entra em cena a Internet e servidores livres de VoIP como o Asterisk que permitem quase toda a substituição dos sistemas convencionais. Redução de custo em telefonia, em aquisição de hardware e software e um resultado expressivo no balanço mensal.

Outro exemplo vem da própria empresa que faz o Asterisk, a Digium. Mesmo criando um software livre pelo qual não se paga licença de uso ou aquisição, estão eles felizes da vida e nem fazem idéia do que é crise. Seus números somente crescem, tal qual o número de usuários de suas soluções no mundo todo.

Enfim, a pergunta retórica: crise? Para quem?


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