A informática que assassina o português
sexta-feira, 8 de maio de 2009“Depois de taguear todo este conteúdo, vou printar e se estiver certo, preciso upar para o servidor e deixar para todos downloadar”
Quem já não leu coisas similares? Claro, todos nós que estamos diariamente na Internet nos deparamos com aberrações como estas. Mais que um simples erro ortográfico ou gramatical, um assassinato. Não, na verdade, um latrocínio pois rouba a beleza do idioma e o mata numa pancada só.
Dizem os mais jovens ou mais modernos ou ainda os mais “descolados” (estavam colados onde?) que crimes como estes são realizados em nome da velocidade. Já que a Internet é muito rápida, é necessário também escrever rapidamente e por isso monstros advindos das profundezas são gerados aos milhares todos os dias. Mais que isso, até mesmo a imprensa, aquela que deveria formar e informar aproveita-se da onda e descaradamente destrói a língua. O que não entendo é a desculpa. Para escrever uma página inteira eu gasto cerca de 4 minutos de teclado e não preciso ser um criminoso para tal. Somente pratico. E os demais? Ocupados em escrever tudo, mas nada.
Vc, tbem, bjo e outras palavras que fazem parte de nosso idioma são sumariamente sitetizadas em duas ou no máximo três letras. Tudo por causa da vagabundagem imposta as mãos e por tabela, aos cérebros. Se sintetiza a palavra, por certo vai sintetizar o pensamento e fatalmente em pouco tempo, vai aproveitar para falar desta forma. Então fico imaginando a geração “Wii” dentro de quinze anos em uma conversa social. Pior, hilário será a leitura de uma carta de amor: “mina, nois precisamo viaja pq tbem tem aquele lance q vc falou da city. Bjo, Ti amo d+” Coitado de Camões, está rolando na tumba.
Mas peraí! Não é este o português falado nas ruas? Nas baladas, na night? Se for, coitado d’eu que vou ficar na clausura por mais algumas décadas. Certamente seria mais fácil falar com um chinês do que entender as abstrações do dia-a-dia. Neste momento penso que a revisão ortográfica pecou. Deveria criar uma classe adicional de verbos que englobaria todas as possíveis variantes de substantivos que magicamente mudaram de rumo. Assim ao menos nivelaríamos em todos os países de mesma língua.
Mas como já dizia amigo meu, herrar é umano, ops, nos dias de hoje, é “umanu”!, certu?

