.  Paulino Michelazzo

Paulino Michelazzo
Paulino Michelazzo CMS Expert e Escritor Técnico

Escritor por DNA, programador por opção e vivenciando a Internet desde 1995, é diretor da Fábrica Livre, empresa especializada em soluções para a Internet com ferramentas de gestão livres.

Posts com a Tag ‘justiça’

Microsoft contra todos, todos contra um

sexta-feira, 17 de abril de 2009

livroE a coisa tá ficando feia para a Microsoft. Lá no velho continente mais de três grandes mosqueteiros resolveram abraçar a causa e entrar na briga contra a gigante do software. Desta vez, IBM, Oracle, Nokia, Fundação Mozilla e Google se unem na briga antitruste dentro da Comissão Européia por causa de seu navegador, Internet Explorer.

Mas caro leitor, não pense que a união dos gigantes ocorre porque se amam ou ainda porque possuem algum tipo de birra com a Microsoft; nada disso. O buraco é muito mais embaixo desta vez. Em jogo bilhões de dólares dos novos serviços e soluções que estão sendo levados paulatinamente para a Internet. Cloud computing, ASP e dezenas de opções on-line fazem com que o mercado volte seus olhos para a rede e esta torne-se um campo fértil para abocanhar mais algumas verdinhas.

E o que tem a ver a Microsoft com isso? Bem, como sistema operacional dominante e trazendo embutido um navegador de Internet, já é possível imaginar quem sai na frente nesta corrida. Como principal ferramenta de trabalho, o navegador será peça primordial nesta disputa e isso os grandões não querem. Desejam que a MS faça de duas uma: ou tire o navegador de seu sistema operacional ou que inclua outras três opções dentro: Firefox, Chrome e Opera. Sinceramente, acho que vai dar água.

Já sei, alguns vão perguntar; “e a Apple e seu Safari?” Honestamente penso que Jobs está nem aí para isso tudo. Ele já tem o iPhone e com um treco destes na mão, para que ficar correndo atrás de migalhas (grandes, claro)?

Lei Azeredo versão maori

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Se você pensa que somente no Brasil existem pessoas com idéias estranhas ou de resultado duvidoso, reveja seus conceitos. Lá na Nova Zelândia também acontece a mesma coisa quando o assunto é Internet.

Está em curso a alteração da lei de copyright da Nova Zelândia que só não é mais bizarra que o projeto tupiniquim do senador Azeredo por um pequeno fato: ela estaria em vigor a partir de 28/02/2009. Como lá a “coisa funciona” quando o barulho é grande e aqui não, esta é a única diferença pois no restante, o mesmo absurdo.

Reza a nova redação da lei neozelandesa que os provedores de Internet podem, a qualquer tempo, desconectar usuários suspeitos de estar compartilhando arquivos simplesmente baseados numa acusação de qualquer um. Sem processo, sem acusação formal, sem nada. Você manda um e-mail acusando seu vizinho e pronto, lá está ele sem Internet.

Para entender um pouco do quão problemática é esta atitude, imagine uma escola ou hospital que teve seus sistemas infectados por um vírus ou trojan. De um minuto para outro os computadores destes estabelecimentos começam a compartilhar e enviar arquivos para outras máquinas. A partir deste momento, mesmo que o usuário nem imagine o problema, ele poderá ser desconectado e acusado de pirataria. Insano!

Este cenário de execução sumária pode ser visto também em outras épocas da história humana, tal com os nazistas, com a ditadura brasileira ou com a inquisição. Muda-se a época e o objetivo mas o método continua o mesmo: calar a qualquer preço aquele que quer falar o que for.

A comunidade digital dos kiwis alavancada pela organização Creative Freedom já colocou a boca no trombone, está recebendo apoio do mundo todo e  já conseguiu uma expressiva vitória no parlamento das ilhas postergando a entrada em vigor do ato. Mas aqui… continua seu Azeredo, azedo com a possibilidade de seu projeto não vingar e sinceramente espero que esta notícia não seja lida por sua assessoria. É possível que viagem à Oceania para ter algumas aulas do outro lado do mundo de como fazer certo a coisa errada.

O ridículo circo de Estocolmo

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Antes de mais nada, peço desculpas aos leitores pela ausência no blog. Como estou escrevendo num capítulo para um livro da Comunidade Sol de Manaus/AM, ser micro-empresário no Brasil é tarefa de Hércules e deveria estar na bíblia ao lado da construção da arca. E este mês foi o “mês de Hércules”.

Mas depois de passada a turbulência, voltamos as mazelas. Desta vez, o circo de Estocolmo.

Esta semana começou na Suécia o processo contra o The Pirate Bay, um conhecido site cujo o trabalho é catalogar milhares de links para arquivos espalhados em todo o mundo, contendo conteúdo com ou sem copyright. Tal como o Google, seu trabalho é este e não dispor ou armazenar os arquivos.

Esquivo-me de entrar no mérito da questão se eles propiciam mecanismos para a distribuição de obras proprietárias ou não pois minha visão sobre o que é proprietário certamente iria deixar qualquer pessoa com a sombrancelha levantada. A questão é realmente aquilo que está por trás da ação: lucros vultosos que os reclamantes estão “perdendo” com esta catalogação.

Dizem eles que a ação é movida com o objetivo de “proteger os artistas”. Ora ora, pergunte a qualquer cantor, compositor ou artista de qualquer área o quanto a indústria de entretenimento protege-os. Pergunte a qualquer artista brasileiro quanto o ECAD auxilia-os em suas necessidades. Se não tem para quem perguntar, Courtney Love pode lhe dizer.

Não entendo como esta mesma indústria insiste em um modelo ultrapassado de fazer dinheiro fácil ao invés de aproveitar a tecnologia ao seu favor e trocar de cesta. Dá certo? Pergunte para o Steve Jobs e sua Apple Store se não. Ele está, mesmo doente, rindo a toa com os milhões entrando em sua caixa forte. Pergunte à você mesmo quando foi a última vez que comprou um CD. Infelizmente a ganância não permite esta visão mas sim deixa-os míopes tentando a todo custo manter o moribundo vivo…e andando.

O que estou mais gostando na história toda é o peito dos garotos do TPB. Simplesmente sentaram no banco dos réus e declararam que mesmo sendo condenados pela justiça, o site não sai do ar. Melhor ainda foi a declaração de Peter Sunde quando afirmou que caso receba alguma multa, esta vai parar na parede de sua casa, emoldurada. Certamente uma pessoa que tem coragem e não faz parte da turminha frouxa que ao receber um e-mail, retirou o site legendas.tv do ar há duas semanas.

No final deste embate vai tudo acabar em pizza tal qual no Brasil que conhecemos. Metade das acusações já foram retiradas, os advogados de acusação escrachados e o TPB vai estar, depois desta, mais forte do que nunca. Ou alguém acredita que vamos ter outra “sequência Napster”?


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