.  Paulino Michelazzo

Paulino Michelazzo
Paulino Michelazzo CMS Expert e Escritor Técnico

Escritor por DNA, programador por opção e vivenciando a Internet desde 1995, é diretor da Fábrica Livre, empresa especializada em soluções para a Internet com ferramentas de gestão livres.

Posts com a Tag ‘nova zelândia’

Redes sociais segmentadas; Love is in the air

terça-feira, 19 de maio de 2009

newzealand

Impossível não admitir que redes sociais são algo proveitoso (quando bem usadas) e que auxiliam de várias formas o convívio humano. Alguns advogam que elas enclausuram os usuários dentro de seus mundos virtuais (onde está o SecondLife?) e que são um desperdício de tempo principalmente dentro das corporações. Mas será isso mesmo? Penso que não e a cada dia vejo mais casos que corroboram minha tese.

Neste final de semana encontrei um dos melhores exemplos de uma rede social segmentada e porque não dizer, uma das mais inteligentes sacadas de marketing virtual. Trata-se da Matchmaking Flight, uma rede social voltada para os viajantes da companhia aérea Air New Zealand que tem como intuito promover encontros entre solteiros (ou não) aproveitando-se para isso do longo tempo de vôo entre os destinos que a companhia atua ligando vários continentes.

É certo que não é somente para isso. Sendo a Nova Zelândia um dos mais sensacionais destinos turísticos que já tive a oportunidade de conhecer e considerado por qualquer viajante como o templo dos esportes radicais e das paisagens de “quebra-cabeça”, a companhia une a fome com a vontade de comer: jovens (em sua grande maioria) que vão para as ilhas podem aproveitar a parte mais chata das férias para encontrar um parceiro de viagens ou algo mais antes mesmo de pisar na Terra Média e com a garantia que não vai encontrar um Orc no meio do caminho. Com isso, aumenta-se o interesse pelos vôos da Air New Zealand (que não são dos mais baratos) e incrementa-se de uma forma inusitada o turismo naquele país.

O leitor atento irá perceber que ao mesmo tempo, a idéia é extremamente estúpida e inteligentíssima. Se pensarmos que o tempo de vôo entre Los Angeles e Auckland é aproximadamente 14 horas, é possível sair da solidão para o casamento em uma perna de viagem. Estúpida por ser “somente” uma rede social e inteligente porque muitos pensarão “porque não tive esta idéia antes?” Tudo bem, se deixar a mente voar, poderá perceber vários segmentos de mercado onde elas podem ser aplicadas com grande sucesso criando-se uma nova relação entre empresa-cliente-serviços e interesses.

PS: Se for à Nova Zelândia, tome um café no Cardrona Hotel perto de Queenstown. Além do local bucólico, é maravilhoso!

Lei Azeredo versão maori

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Se você pensa que somente no Brasil existem pessoas com idéias estranhas ou de resultado duvidoso, reveja seus conceitos. Lá na Nova Zelândia também acontece a mesma coisa quando o assunto é Internet.

Está em curso a alteração da lei de copyright da Nova Zelândia que só não é mais bizarra que o projeto tupiniquim do senador Azeredo por um pequeno fato: ela estaria em vigor a partir de 28/02/2009. Como lá a “coisa funciona” quando o barulho é grande e aqui não, esta é a única diferença pois no restante, o mesmo absurdo.

Reza a nova redação da lei neozelandesa que os provedores de Internet podem, a qualquer tempo, desconectar usuários suspeitos de estar compartilhando arquivos simplesmente baseados numa acusação de qualquer um. Sem processo, sem acusação formal, sem nada. Você manda um e-mail acusando seu vizinho e pronto, lá está ele sem Internet.

Para entender um pouco do quão problemática é esta atitude, imagine uma escola ou hospital que teve seus sistemas infectados por um vírus ou trojan. De um minuto para outro os computadores destes estabelecimentos começam a compartilhar e enviar arquivos para outras máquinas. A partir deste momento, mesmo que o usuário nem imagine o problema, ele poderá ser desconectado e acusado de pirataria. Insano!

Este cenário de execução sumária pode ser visto também em outras épocas da história humana, tal com os nazistas, com a ditadura brasileira ou com a inquisição. Muda-se a época e o objetivo mas o método continua o mesmo: calar a qualquer preço aquele que quer falar o que for.

A comunidade digital dos kiwis alavancada pela organização Creative Freedom já colocou a boca no trombone, está recebendo apoio do mundo todo e  já conseguiu uma expressiva vitória no parlamento das ilhas postergando a entrada em vigor do ato. Mas aqui… continua seu Azeredo, azedo com a possibilidade de seu projeto não vingar e sinceramente espero que esta notícia não seja lida por sua assessoria. É possível que viagem à Oceania para ter algumas aulas do outro lado do mundo de como fazer certo a coisa errada.


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